A crise da imprensa é um reflexo da nossa própria crise. Impõe-se, portanto, um frequente exercício de autocrítica pessoal e profissional
Sou otimista em relação ao futuro das empresas de comunicação, mas não deixo de considerar que o renascer do nosso setor será resultado de um doloroso processo.
Há um crescente distanciamento entre o que jornalistas veem e reportam e o que se consolida como fatos ou percepções de suas próprias audiências
Frequentemente, o jornalista escreve para os colegas e a cobertura caminha na contramão do consumidor.
Prestar serviço, apostar na reportagem, denunciar os malfeitos, mas não ter vergonha de mostrar o que dá certo: eis uma fórmula jornalística que se mostrou vitoriosa.
Um dos elementos centrais da crise dos veículos está no questionamento e na corrosão cotidiana da objetividade.
Quase sem perceber, alguns jornais sucumbem à síndrome da opinião invasiva. Ganham traços de redes sociais. Falam para si mesmos, e não para sua audiência.
A revalorização da reportagem e o revigoramento do jornalismo analítico devem estar entre as prioridades estratégicas. É preciso encantar o leitor com matérias que rompam com a monotonia do jornalismo declaratório.
A sociedade está cansada do clima de militância que tomou conta da agenda pública. Os leitores estão perdidos num cipoal de afirmações categóricas e pouco fundamentadas, declarações de “especialistas” e uma overdose de colunismo.
O jornalismo de qualidade exige cobrir os fatos. Não as nossas percepções subjetivas. Analisar e explicar a realidade. Não as nossas preferências, as simpatias que absolvem ou as antipatias que condenam