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Bruno Daminello Zacarias

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Jornalista Colaborador do Orbis Media Review

No afã de produzir conteúdos relevantes para o público, veículos e jornalistas seguem definindo, por si próprios, aquilo que julgam importante para suas audiências, sobretudo nos tempos de crise em que vivemos. Como consequência disso, vemos, hoje, nos noticiários, temáticas monótonas e que, por vezes, até podem trazer mais desespero que esperança aos leitores.

Antigamente, não se podia ter uma noção tão precisa das necessidades do público por se estar tão distante dele. No entanto, por que não atendemos as demandas de cada um dos nichos de nossos negócios, apesar de termos – aparentemente – uma dimensão exata delas?

Será que os jornais utilizam os critérios corretos para definir as prioridades de seus conteúdos? Estariam eles usando entre os critérios de noticiabilidade uma busca pelas reais necessidades de seus leitores, ou de suas próprias percepções?

Quando o assunto é a inovação no jornalismo, tendemos a esquecer que a atuação humana é essencial no processo. Isso ocorre porque, atualmente, os jornais têm concentrado grandes esforços em novas tecnologias na tentativa de entender melhor o comportamento do leitor e aumentar seus faturamentos.

No entanto, não podemos esquecer que, para a transformação acontecer, serão necessárias pessoas que liderem e que conduzam este processo.

As inovações tecnológicas são importantes, mas nenhuma será eficaz o suficiente se as empresas jornalísticas não investirem em líderes capazes de conduzi-las.

Afinal, no seu veículo, quem vai liderar a inovação e tomar as melhores decisões diante dos desafios das novas tecnologias? Quem vai provocar a mudança de cultura necessária para se inovar? Quem vai desenvolver os talentos para garantir o sucesso das próximas gerações?

Atualmente, é fácil perceber a transformação do meio jornalístico e a maneira como os leitores consomem notícias.

Em tempos de mídia analógica, comprávamos o jornal inteiro, com todo o seu conteúdo e, mesmo que quiséssemos saber somente notícias sobre esporte, pagávamos também pelo conteúdo sobre política, economia, entretenimento etc.

Com a popularização da Internet, não somente esta demanda, mas também a oferta pela informação, mudou. Na web, qualquer pessoa é capaz de encontrar conteúdos que atendam de maneira precisa e pessoal aos seus interesses. Por isso, a customização no ambiente digital é fator essencial, que deve ser levado sempre em consideração.

Já nos últimos tempos, ferramentas e novos investimentos em modelos de negócios e estratégias – como os paywalls, subscriptions, SEO e analytics – têm sido fundamentais na constante luta do jornalismo contra a volatilidade no consumo de notícias. Mas será que somente estas técnicas e estratégias são suficientes para que haja uma mudança no cenário de consumo de informação?

O que de fato sofreu uma profunda transformação foram as pessoas e a maneira como elas passaram a consumir a notícia. Infelizmente, o jornalismo ainda está atrasado no tempo, tentando se adaptar a estas mudanças que não cessarão tão cedo.

Talvez a pergunta indispensável a ser feita para que o jornalismo possa correr atrás do tempo perdido seja: se as pessoas não consomem mais conteúdo do mesmo jeito que antigamente, por que insistir na produção deste conteúdo do mesmo modo como sempre foi produzido?

Caso o jornalista comece a se aproximar de seu leitor, oferecendo notícias que façam sentido para o seu cotidiano, mudanças importantes no jornalismo, efetivamente, poderão começar a acontecer.