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Érica Pontes de Faria

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Jornalista. Pós graduada em Mídias Digitais. Atua há 15 anos na definição de estratégias e planejamento de conteúdo.

A mudança não precisa ser uma ameaça. Ela pode ser, na verdade, uma grande oportunidade. Desde que os primeiros veículos se tornaram digitais e mudaram as possibilidades do jornalismo, não vivemos outro momento tão significativo como o que estamos presenciando agora. A Inteligência Artificial está trazendo transformações para todo o mundo e não é diferente para nosso setor.

Muitos gestores de redação destemidos têm percebido as oportunidades e mergulhado fundo. De acordo com a Wan-Ifra (Associação Mundial de Editores de Notícias, na sigla em inglês), 50% das redações jornalísticas espalhadas pelo mundo já utilizam ferramentas de IA, como ChatGPT.

Embora existam inevitáveis discussões sobre como a tecnologia pode ser prejudicial para a profissão, os principais casos de uso das ferramentas nas redações dizem respeito a capacidade de condensar informações trazendo mais agilidade para o processo de produção. Outras tarefas para as quais os jornalistas estão usando a tecnologia incluem pesquisas, correção de textos, transcrição de entrevistas em áudios, geradores de imagens, moderação de comentários, verificação de fatos e melhoria de fluxos de trabalho.

Na Suécia, a Rádio Sueca sempre precisou de soluções de gerenciamento de conteúdo bem sofisticadas devido às frequentes transmissões ao vivo realizadas de locais diferentes. O grupo conta, atualmente, com 55 escritórios e 26 estações locais. Por reconhecerem as limitações dos sistemas de gerenciamento de conteúdo prontos para uso, o grupo optou por um CMS customizado. O desejo de reduzir a dependência de fornecedores externos também serviu como motivação.

Além de utilizar a Inteligência Artificial para produção de conteúdo e curadoria, a Rádio Sueca também tem testado a tecnologia para fazer sugestões personalizadas de podcasts para os ouvintes. Funciona como um mecanismo de recomendação, mas também como um sistema de autoaprendizagem que melhora com o tempo.

A tendência é que os casos de uso da tecnologia evoluam à medida que mais grupos busquem por maneiras de integrar a inovação às suas operações. Com as mudanças que estão chegando, torna-se cada vez mais necessário treinamentos e alinhamentos editoriais. Apenas 20% dos profissionais que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial contam com orientações da gestão sobre como usar a tecnologia.

Parece prudente que os editores estabeleçam políticas específicas sobre como usar estas ferramentas. Um manual de ética sobre o uso da tecnologia pode, por exemplo, criar um ambiente seguro e transparente para os colaboradores, além de proteger questões relacionadas à imprecisão das informações, violação de direitos autorais bem como questões de proteção de dados e privacidade.

Embora a IA possa realizar muitas tarefas, as investigações e a narração de histórias que exigem a criatividade humana permanecem no centro do jornalismo. A tecnologia serve como complemento e auxílio no processo, mas é a ética do profissional que vai garantir a imparcialidade e a veracidade das informações apuradas. Um futuro promissor é um dueto inteligente entre jornalistas e Inteligência Artificial.