As redes sociais estouraram a bolha em que se confinavam alguns jornalistas que produziam notícias para muitos, menos para o seu leitor real. Será preciso muita audácia para dinamitar antigos processos e modelos mentais que, até este momento, vêm freando as tentativas de reinvenção.
Não se constrói um país com mentira, casuísmo e esperteza. Não se levanta uma democracia com a mesma ferramenta autoritária usada pela ditadura: a censura.
No Jornalismo abalado pela avalanche digital e que aos poucos se reergue, não há lugar para a presunção. A única obsessão permitida são os leitores. Eles são a peça-chave do trabalho editorial. Precisamos descobrir quem são, suas demandas reais, suas circunstâncias, seus interesses.
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e independente. Comprometido com a verdade possível. O jornalismo de qualidade exige cobrir os fatos. Não as nossas percepções subjetivas. Analisar e explicar a realidade. Não as nossas preferências, as simpatias que absolvem ou as antipatias que condenam. Isso faz toda a diferença e é serviço à sociedade.
Militância e jornalismo não combinam. O bom repórter é um curioso essencial, um profissional que é pago para se surpreender.
O negativismo da mídia é uma forma de falsear a verdade. A vida, como os quadros, é composta de luzes e sombras. Precisamos denunciar com responsabilidade. Mas devemos, ao mesmo tempo, mostrar o lado positivo da vida.
É preciso sentir o cheiro da notícia. Persegui-la. Buscar novas fontes e encaixar as peças de um enorme quebra-cabeça para apresentá-lo o mais completo possível.
O jornalismo transformador é substantivo. Sua força não está na militância ideológica, mas no vigor persuasivo da verdade factual e na integridade da sua opinião.
Por Carlos Alberto Di Franco As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares…