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Certa vez, ouvi a história de uma empresa farmacêutica que tinha um problema a ser resolvido e não via outra saída a não ser trocar todo seu maquinário. Obviamente, isso demandaria um custo financeiro gigantesco. O problema era que, em sua linha de produção, algumas caixinhas do xarope mais vendido pela empresa acabavam chegando às farmácias com os vidros vazios. Tudo por causa de uma falta de regulagem na máquina que injetava o líquido do medicamento dentro dos vasilhames, a qual, infelizmente, não tinha mais conserto.

Um dia, o diretor da empresa, num último esforço para resolver a dificuldade, convocou uma reunião com todos os funcionários para pensarem juntos numa solução que não onerasse tanto a companhia. Após os diretores darem seus pitacos mirabolantes, com ideias revolucionárias e sem sucesso, uma figura simples – mas com muito vigor – saiu do meio dos colaboradores e surpreendeu o grupo.

Dona Maria, que há 10 anos realizava o serviço de faxina na área de produção – portanto, conhecia o setor como a palma de sua mão – levantou o braço e disse: “Dá licença, desculpe me meter na conversa dos doutores, mas… e se a gente colocar um ventilador ao lado da esteira de produção? Assim, as caixinhas com os vidros de xarope vazios cairão da esteira com a força do vento e não corremos o risco de enviá-las junto das que irão cheias para as farmácias.”

É comum, caro leitor, acharmos que a inovação está nas mais altas tecnologias, na necessidade de novos profissionais, novos “maquinários”, modelos de negócio, na análise de novos dados etc. Mas, no fundo, será que – como os executivos da empresa citada acima – não estamos procurando inserir elementos nas redações que nos provoquem uma sensação de inovação mais do que o verdadeiro tesouro da transformação que vem das ideias simples, de pessoas simples?

Quando o assunto é a inovação no jornalismo, tendemos a esquecer que a atuação humana é essencial no processo. Isso ocorre porque, atualmente, os jornais têm concentrado grandes esforços em novas tecnologias na tentativa de entender melhor o comportamento do leitor e aumentar seus faturamentos.

No entanto, não podemos esquecer que, para a transformação acontecer, serão necessárias pessoas que liderem e que conduzam este processo.

As inovações tecnológicas são importantes, mas nenhuma será eficaz o suficiente se as empresas jornalísticas não investirem em líderes capazes de conduzi-las.

Afinal, no seu veículo, quem vai liderar a inovação e tomar as melhores decisões diante dos desafios das novas tecnologias? Quem vai provocar a mudança de cultura necessária para se inovar? Quem vai desenvolver os talentos para garantir o sucesso das próximas gerações?