Valores são importantes para guiar nossas condutas. No jornalismo, temos como princípio a busca pela imparcialidade. Ainda assim, é importante perguntar: por mais que seja capaz de orientar as normas profissionais, até que ponto a imparcialidade é compatível com o que significa ser humano?

Afinal, não fazemos julgamentos de valor? Não observamos e opinamos? Não percebemos o que parece certo e o que se mostra errado?

Como argumentava o escritor, crítico literário e filósofo inglês Chesterton, a chamada imparcialidade pode significar uma mera indiferença, enquanto a parcialidade pode ser uma simples atividade mental – que nos força a pensar e não apenas a repercutir.

Falando concretamente do jornalismo, a opinião é frequente, em maior ou menor grau, no conteúdo veiculado. A busca pela imparcialidade mitiga a sua exposição, mas dados cuidadosamente pinçados e declarações de especialistas muito bem selecionados frequentemente contam aquilo que queremos que seja captado pelo público.

Portanto, sem apresentar claramente nossas opiniões, com que frequência não optamos por uma omissão calculada? 

O jornalista enfrenta diversos dilemas, e ser parcial por certo tem seus problemas. Se não há uma conduta perfeita a ser adotada pelo profissional, a exposição transparente de ideias e opiniões ao menos facilita ao público cobra-lo por seus posicionamentos. Por si só, este já não seria um bom estímulo para uma conduta jornalisticamente responsável?

Autor

Jornalista, Mestre em Ciência Política. Editor do Orbis Media Review e Professor do Master: Núcleo de Negócios de Mídia.