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Bari Weiss

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Quando falamos da constante luta pela informação é fácil imaginar que em um canto do ringue estão os grandes veículos de comunicação, com a paciência, experiência e credibilidade que só o tempo pode conceder. No outro, o adversário jovem e impetuoso das redes sociais, que não quer esperar soar o gongo para nocautear seu oponente com seus longos braços internéticos.

Todavia, é preciso nos questionarmos sobre uma coisa nessa batalha: ela deveria, de fato, estar acontecendo?
A verdade é que ela já começou, e ainda não podemos enxergar quem será o vencedor.

Podemos assisti-la de camarote quando, por exemplo, youtubers famosos, celebridades de todos os tipos começam a pressionar plataformas de produtos online, marcas e veículos importantes de mídia a se dobrarem perante a fúria do que ultimamente chamamos de “cultura do cancelamento”.

Neste cenário, porém, enquanto o trabalho do jornalismo deveria trazer novas ideias aos leitores, informar o público sobre as perspectivas e estar acompanhado dos mais recentes questionamentos, o poder influenciador das redes está – como bem disse Bari Weiss em sua carta aberta ao NYT – trabalhando para que o jornalismo encerre os debates e traga uma clareza moral que não é própria de sua natureza.

Enfim, o jornalismo pode ter vencido alguns rounds durante um tempo, mas quantos outros não perdeu nessa luta infame e infinda?

Muito se discutiu na semana passada sobre Bari Weiss, a ex-editora de opinião do The New York Times que se demitiu criticando abertamente o posicionamento do jornal e o comportamento de seus colegas. Em um dos trechos mais marcantes de sua carta aberta ao publisher A.G. Sulzberger, ela afirma que “um novo consenso surgiu na imprensa, mas talvez especialmente neste jornal: de que a verdade não é um processo de descoberta coletiva, mas uma ortodoxia já conhecida por alguns poucos iluminados cujo trabalho é informar todos os demais”.

Muito se sabe sobre como a mídia vem perdendo credibilidade e apelo perante o público. Weiss aponta para o pedestal no qual boa parte do jornalismo subiu, e também deixa claro que a desconexão entre visões de mundo presentes nas classes falantes e no restante da população complementa a trama. Foi para dar voz a esta parcela do público de valores tradicionais que ela foi contratada.

A iniciativa, agora com futuro incerto, tinha os seus méritos, mas também aponta para um problema mais profundo: seria a opinião o único campo restante para as vozes não ortodoxas? Nestes tempos em que a palavra “pluralidade” se tornou um norte a ser seguido, qual é a real pluralidade existente nas redações onde os fatos seriam apurados e o cotidiano deveria ser refletido?

É certo que as editorias de opinião têm grande relevância nos jornais. Mas elas também são um campo em que a subjetividade ganha mais espaço para aparecer. Como fica, portanto, a cobertura factual das redações? Esta não seria uma área a ser apurada, coberta e apresentada ao público por meio de óticas mais diversas?