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Em 2004, quando fui ao primeiro Fórum do Software Livre, em Porto Alegre, queria entender o que significa va “open source” com o objetivo imediato de testar a abertura de códigos ao jornalismo. Dois anos depois, defendi a dissertação Jornalismo Open Source: discussão e experimentação do OhmyNews International, na UFRGS.

Quase 20 anos se passaram e ainda percebo que o conceito-raiz daquelas discussões ainda não pertence ao domínio comum e ainda gera muita confusão na indústria editorial.

[Para ajudar nas aulas que eu daria por vários anos depois de haver lido A Catedral e o Bazar, montei o desenho acima. Ele deve ser de 2004 ou 2005.]

O texto-base de toda a visão que ajudei a construir para um jornalismo efetivamente próximo à população, inclusivo e relevante à sociedade foi The Cathedral and the Bazaar, do hacker norte-americano Eric Steven Raymond, ex-presidente da Open Source Initiative (PDF do livro em domínio público e traduzido ao português).

Em síntese, o autor contrapõe dois modelos de produção com base na arquitetura de dois marcos de relações humanas: um deles é hierárquico e unidirecional (catedral) e o outro é horizontal e colaborativo (bazar). Ambos os modelos podem ser aplicados à engenharia de software (marco inicial da proposta), ao jornalismo e até à produção de cerveja.

Não há modelo melhor ou pior. São diferentes. Profunda e essencialmente diferentes. Mas ainda vemos uma mistura gritante entre estes dois modelos, que pode ser uma das causas da lentidão da transformação no jornalismo digital.

Isso tem ficado cada vez mais claro quando ouço alguém dizer que tem “uma comunidade em seu veículo” enquanto, na verdade, tudo o que faz é produzir conteúdo e publicar em um site, enviar uma newsletter, gravar um podcast, whatever. Não importa o assunto, tampouco o formato. Comunidade não é sinônimo de público-alvo.

Características de uma comunidade

Desde a Web 2.0, ficou bonito usar a expressão “comunidade” para se referir a um conjunto de pessoas com um perfil semelhante. Porém, comunidade presume troca, preferencialmente, espontânea e desintermediada entre os integrantes. Em uma comunidade, o poder de fala é compartilhado: todos falam, todos escutam, porque há um interesse em comum – inclusive, em manter a boa relação entre os participantes. Portanto, um produto jornalístico feito exclusivamente por jornalistas e profissionais associados não é uma comunidade. É um veículo, tal como se faz veículos jornalísticos há quatro séculos. Segue modelo catedral, com uma hierarquia clara entre quem produz e quem consome. Não há nada de errado, nem de inovador nisso.

Já ouvi colegas justificando o uso do termo “comunidade” da seguinte maneira: Falamos sobre pessoas com este perfil, para pessoas com este mesmo perfil. Portanto, os integrantes desta ‘comunidade’ se veem no conteúdo.

É nobre. Mas ainda assim não é comunidade. E a diferença é simples: não se trata do “sobre” mas de “quem” produz o conteúdo em seu veículo. Comunidade é Reddit, Wikipedia, o sul-coreano OhmyNews, que estudei no mestrado, grupos de WhatsApp/Telegram onde todos podem falar, listas de e-mail (Google Groups) e talvez, com um forte matiz, comunidades efêmeras se armam e desarmam nos comentários de algum post ou canal de conteúdo em redes sociais (YouTube – members, Twitch, Discord).

Em uma comunidade de verdade, todos os membros têm a chance de se conhecerem entre si; podem se apresentar e contatar uns aos outros, sem a necessidade de pedir licença a um líder. Logicamente, existe a figura do “moderador de comunidades”, que desempenha um papel válido e necessário de organizar as interações, estimulá-las quando o grupo se dispersa, zelar pela saúde das discussões, mesmo que isso signifique expulsar um participante daquela comunidade, sem agir com autoritarismo. Dá um trabalho monstruoso gerir uma comunidade! Não basta publicar conteúdo num site. Nem mesmo em redes sociais.

Com o reengenharia estrutural recente das plataformas da Meta, Facebook e Instagram tendem a se tornar  mais espaços de consumo e entretenimento do que redes sociais. Isso diminui drasticamente o caráter reticular e horizontalizado dessas plataformas. Logo mais, nem mesmo as redes sociais poderão ser chamadas de “redes”, muito menos, de “comunidades”.

Grupos de Facebook ainda são uma comunidade dentro de uma rede social, porque são espaços segmentados de troca, têm moderadores e podem seguir até mesmo suas regras próprias. Mas no Instagram, por exemplo, já fica difícil dizer que há comunidade. Em cada post há um conteúdo “soberano”, seguido ou não por comentários bem pouco visíveis. O poder de fala está compartilhado, é verdade, mas cada um se manifesta originalmente no seu próprio espaço, o seu perfil. Posso publicar comentários noutros perfis, claro. Apenas lembre-se de comparar o poder de expressão de um post original e de um comentário deixado embaixo deste post. Qual deles tem mais visiblidade? Exato, cada post é uma mini Catedral.

Então, não, você não tem “uma comunidade no Instagram”. Você deve ter, no máximo, seguidores que, na melhor das hipóteses, reagem a conteúdos que você dispara.

Perceba que são conceitos muito simples, com as quais lidamos diariamente e nos equivocamos sem más intenções. Você ouviu toda uma geração de internéticos dizendo: Você tem que criar comunidades! Você tem que se relacionar com o usuário! Sua marca precisa estar nas redes! – Mas provavelmente esqueceram de lhe explicar que tudo isso é Bazar. Então você abriu perfil em cada um desses novos ambientes, lançou newsletter e podcast, fez live a pandemia inteira, abriu sala no ClubHouse e canal no YouTube… mas continuou trabalhando no modelo Catedral.

Lamento, mas não foi inovação. Exceto pela plataforma, muitos produtos jornalísticos mal acompanharam a evolução do suporte: de papel ou ondas para bits. A transformação do nosso modelo de produção não acompanhou o modelo de rede.

“Então, dê um exemplo de comunidade”

Ele vem de Fortaleza, surgiu em 2017 e se chama Rapadura Valley. No começo, tudo era apenas um grupo de WhatsApp que reunia empreendedores de tecnologia do Ceará. Cinco anos e dois prêmios depois, já são mais de 400 participantes que trocam ideias, divulgam produtos, pedem e ganham indicações, sugestões e interagem harmoniosamente pelo mesmo WhatsApp.

O fluxo de publicação é contínuo. E a interação é organizada por um grupo de moderadores que se pautam em um mesmo guia. A propósito: o processo de produção do guia também foi coletivo, colaborativo e está documentado em material acessível a todos que participam da comunidade. Transparência é um contrato de confiança!

Processos que iniciam de modo 100% horizontal e aberto dão margem, naturalmente, para posturas indesejadas. Daí a necessidade de haver regras. Mas regras não significam controle total sobre uma comunidade. Elas se assemelham mais a acordos entre todos os integrantes realmente interessados em trocas produtivas, em um ambiente saudável.

 

Balaio de Rapaduras

Tão fértil quanto o Rapadura Valley talvez seja o seu parceiro, Rapadura Tech. Este site de conteúdo sobre inovação, empreendedorismo e tecnologia foi criado por um dos participantes do Rapadura Valley, o engenheiro de computação Flavio Carneiro. A ideia foi armar um espaço que oferecesse oportunidades a empreendedores, por meio da geração de conexões, eventos e da divulgação de suas iniciativas.

Acontece que o site de conteúdo não “coube em si” e originou canal de WhatsApp além de um grupo segmentado de Telegram, organizando o debate e direcionando interesses dos participantes. O grupo geral, Comunidade Rapadura Tech, no Telegram, tem mais de 1,3 mil inscritos. Também no Telegram surgiu no Rapadura Invest, com mais de 300 membros. Para sobreviver, os donos do Rapadura Tech fizeram parceria com redes de varejo, como a Amazon, onde ganham um percentual de compras efetuadas a partir de links que anunciam. E só para receber esses anúncios foram criados os grupos Rapadura Ofertas no WhatsApp e no Telegram.

Sim, tem quem entre em grupos para receber propaganda! E não é pouca gente. Só no Telegram, o Rapadura Ofertas soma mais de 4,4 mil associados.

Dicas para moderar comunidades

Reunir pessoas ao redor de interesses em comum traz todas as dores e as delícias das relações humanas. Não há garantias. Não há como profetizar que o conteúdo que ali circule seguirá todos os parâmetros específicos, como aqueles que norteiam o trabalho em uma publicação. Moderador não é editor. E parte do seu trabalho é acompanhar e confiar no poder de autorregulação da comunidade.

Já participei de infinitas reuniões em que propus comunidade a gestores de veículos e as inquietações (muitas delas, legítimas) são sempre as mesmas:

“E se alguém publicar alguma besteira?”

“E se o povo começar a brigar?”

“E se falarem mal da minha publicação?”

“E se postarem correntes?”

“E se ninguém postar nada?”

“E se minha equipe não der conta de moderar tantos membros?”

Antes do pânico, é importante assumir que qualquer comunidade está suscetível a todas as situações acima. O trabalho do moderador (ou do grupo de moderadores) é combinar com os integrantes os termos de funcionamento daquele convívio. E zelar por eles. Nem sempre isso significa expulsar pessoas. Mas se for necessário chegar a este ponto, as razões precisam estar claras e terem sido comunicadas previamente a todos.

A parte bonita de uma comunidade é quando os próprios integrantes (não moderadores) atuam na zeladoria da discussão. Então, se um sujeito mal intencionado entra em cena, naturalmente, outros participantes bem intencionados – e felizes com aquele espaço – tratam de neutralizar o problema. Nessa hora, o moderador nem precisa atuar, ou apenas agradece. Todos querem o melhor para aquele ambiente e o dia a dia vai mostrar que é possível ter uma troca saudável, mesmo entre milhares de pessoas que não se conhecem fora dali.

“Mas isso é jornalismo?”

À primeira vista, não. Mas muito jornalismo pode ser feito a partir de comunidades. Um exemplo que já tem alguns anos é a publicação inglesa Tortoise, dedicada a fazer jornalismo analítico e lento. A Tortoise oferece aos seus associados – pessoas que pagam até 450 libras por ano à publicação – a possibilidade de participar dos Think-Ins, encontros online com jornalistas e convidados onde são debatidas pautas passadas e futuras. E todos podem falar. Portanto, o maior ganho de uma atividade colaborativa não está em “enquadrá-la” em jornalismo ou não-jornalismo. Comunidades atendem necessidades de seus integrantes e é precisamente esta relevância que produtos jornalísticos precisam recuperar.

Então, pergunte-se: esta comunidade é útil a ponto de atrair a atenção e ajuda a melhorar de alguma forma a vida dos meus usuários? Se a resposta for SIM, então é já existe uma razão forte para ela estar sob os cuidados do seu veículo. Quem sabe elas não se inspiram no caso das Rapaduras e funcionam como um spin-off do seu produto de mídia?

A sugestão é: menos medo, menos garantias. Menos anseio de controle. Mais abertura. Mais humanidade. Mais utilidade e relevância.

Menos Catedral. Mais Bazar. 😉

O que é uma comunidade? Um grupo de indivíduos que compartilham uma preocupação mútua pelo bem estar uns dos outros.


Charles H. Vogl, The Art of Community

Estes são tempos difíceis para todos. Mesmo aqueles que estão saudáveis podem se sentir entediados, ansiosos e com medo.

Como resultado, gerentes de comunidades virtuais estão percebendo um aumento na intensidade emocional. Em três sessões, este artigo irá oferecer conselhos sobre como gerir, dar suporte e atender a sua comunidade em um momento como este:

  • O que as pessoas precisam
  • Como reagir
  • Medidas essenciais

O que as pessoas precisam

Durante crises, há dois tipos de pessoas: aquelas que precisam de ajuda e pessoas que desejam ajudar.

Se trata das mesmas pessoas em diferentes momentos, cujas atitudes se baseiam em suas situações atuais.

Neste momento, membros de sua comunidade possuem algumas necessidades centrais, que incluem:

  1. Pessoas querem informações
  2. Pessoas querem se sentir menos solitárias
  3. Pessoas querem se sentir úteis
  4. Pessoas querem processar seus sentimentos e ver que outros se importam com elas
  5. Pessoas querem ajuda em termos materiais

1. Pessoas querem informações

Este é um momento de incertezas e de rápidas mudanças. O público está buscando informações confiáveis bem como conselhos da mídia e entre si. Encontre especialistas e dê a eles uma plataforma para falar. Tenha certeza de que qualquer coisa que você compartilhar esteja atualizada e verificada – onde for possível, compartilhe links de suas fontes.

Se assegure de que sua comunidade possa facilmente ver o dia e a hora em que as informações foram compartilhadas. Se você estiver preocupado com a possibilidade de o Google indexar uma publicação sua que seja temporal, considere adicionar uma nota de esclarecimento para os leitores sobre a o quão atual uma informação é, linkando este dado a fontes que sejam frequentemente atualizadas.

2. Pessoas querem se sentir menos solitárias

Comunidades dizem respeito à conexão e esta pandemia está isolando todos nós. Veja como você pode providenciar formas de conectar os membros mais isolados de sua comunidade e criar maneiras de fazê-los se sentirem mais acolhidos e engajados.

Rotinas podem ajudar no estabelecimento da normalidade. Veja se há maneiras pelas quais sua comunidade possa se reunir regularmente para uma atividade, como discussões semanais sobre um dado assunto.

3. Pessoas querem se sentir úteis

Descubra maneiras de as pessoas se apoiarem e se ajudarem entre si. Pode ser criando e gerenciando sistemas para que elas ajudem os outros, com o Google forms, ou convidando membros da comunidade a assumirem papéis de apoio como “acolhedores de novos membros” ou “pessoa que organiza atividades para outros”.

Se você estiver facilitando um sistema de apoio, saiba que isso exigirá um gerenciamento de recursos. Você não quer criar uma situação em que alguém esteja contando com um voluntário de sua comunidade para um serviço essencial e que, com toda a boa intenção, essa pessoa não consiga executar a tarefa de forma segura.

Sempre que possível, conecte pessoas com recursos existentes em suas áreas ao invés de tentar replicar estes serviços com versões com finalidade própria.Se você de fato decidir preencher uma necessidade em sua comunidade, tente fazer uma parceria com uma organização sem fins lucrativos que pode ajudar a garantir que você esteja bem colocado para dar suporte efetivo às pessoas.

4pessoas querem processar seus sentimentos e ver que outros se importam com elas

Neste momento, todos estão processando um novo tipo de intensidade emocional. Uma das formas que usamos para processar emoções é enquadrando esses sentimentos em uma linguagem. Neste artigo da Harvard Business Review, David Kessler explica que a experiência que estamos atravessando agora é uma forma de luto:

“A perda da normalidade; o medo do custo econômico; a perda das conexões. Isso está nos atingindo e estamos de luto. Coletivamente. Não estamos acostumados a este tipo de luto coletivo no ar… Estamos também sentindo um luto antecipado. Luto antecipado é aquele sentimento que passamos a ter quando estamos incertos sobre o que o futuro nos reserva. Com um vírus, esse tipo de luto é muito confuso para as pessoas. Nossa mente primitiva sabe que algo ruim está acontecendo, mas você não consegue enxergar o que é. Isso quebra o nosso sentido de segurança.”

David Kessler

Este momento é aterrorizante para muitos e parece injusto. Membros de sua comunidade podem estar lidando com dificuldades econômicas, perda de liberdade, aumento do estresse por estarem presos em casa com seus parentes e filhos. Além disso, podem estar enfrentando a doença ou a morte de um amigo próximo ou membro da família. Muitos desejarão compartilhar essas dores com outras pessoas, incluindo sua comunidade. Seu papel aqui é testemunhar, reconhecer, oferecer compaixão e fazer com que cada pessoa sinta que foi ouvida.

5. Pessoas querem ajuda em termos materiais

Veja a discussão acima sobre a criação de uma infraestrutura para ajudar as pessoas a se apoiarem.

Você deve ter uma diretriz estabelecida para quando as pessoas começarem a compartilhar pedidos de financiamento para apoiarem a si e seus negócios.

Não há uma resposta correta aqui – proibir estes financiamentos irá ajudar as pessoas a evitar possíveis golpes, mas também pode levar membros centrais de sua comunidade a se tornarem incapazes de alcançar outros que desejam ajudar em um momento de necessidade. Se você decidir permitir pedidos de financiamento, você deveria identificar de onde eles vêm e postar avisos claros para que todos fiquem atentos a URLs falsas (como aquelas que parecem links do PayPal mas na verdade são esquemas fraudulentos ou desonestos).

Como reagir

Desinformação

Estamos vendo muitas pessoas compartilhando desinformações sobre a doença e sua disseminação. Isso não é normalmente feito com a intenção de causar danos e sim de ajudar – a maioria das pessoas não é especialista em diferenciar a boa da má informação, podendo confiar em fontes que você não considera confiáveis.

Nós recomendamos remover comentários que contenham desinformação e, se você observar padrões de desinformações que são compartilhadas, escreva um artigo de sua autoria para corrigir equívocos. O site First Draft News tem uma série fantástica de dicas e recursos para ajudá-lo com isso. A lista no fim deste artigo, começando a partir do trecho que diz “Aqui estão algumas coisas para ter em mente quando abordamos conteúdo manipulado” é particularmente útil, assim como o é o guia “Fazendo reportagens responsáveis em uma era de desordem informativa”.

Um impressionante volume de questões

Para organizações jornalísticas, a rádio educacional KPCC criou um excelente documento de engajamento baseado em seu uso da ferramenta Hearken para responder questões da comunidade. Eles identificaram diferentes categorias de consulta com um claro fluxo interno de como responder cada uma das questões. Você pode achar útil pegar essas categorias e descobrir como e onde sua comunidade pode reagir a elas.

Questões e pedidos repetidos

Só porque você respondeu uma questão uma vez, não pode esperar que todos tenham visto sua resposta ou lembrem dela. Neste momento de confusão e incerteza, você também pode ver um número esmagador de questões e preocupações. Garanta que seja claro e fácil encontrar respostas relevantes e que as informações fornecidas permaneçam atualizadas.

Membros da comunidade estressados e com raiva

Este é um momento em que sua paciência e generosidade são mais necessárias do que nunca. Você pode ter que alterar as regras e permitir que as pessoas fiquem mais chateadas do que o normal – mas não jogue fora todas as suas diretrizes. Todos em sua comunidade precisam se sentir seguros e protegidos por você em seu espaço.

Você precisa se manter calmo, ser acolhedor e compassivo. Se você costuma ser otimista e feliz, pode ser que precise se reajustar um pouco, assumindo que todos estão ansiosos e estressados. Não diga às pessoas que tudo ficará bem pois pode ser que isso não aconteça. Ter compaixão e responder perguntas, ao invés de assumir a situação vivida por alguém, será um longo caminho a ser percorrido.

Como a ex-diretora de operações da MetaFilter, Jessamyn West, escreveu em um de nossos guias comunitários, “Uma das ferramentas que mais usamos é enviar e-mails a usuários dizendo ‘Ei, está tudo bem?’” Você pode precisar checar como estão as pessoas com mais frequência do que fazia no passado. Se puder fazer isso, elas irão apreciar.

Além disso, lembre-se de que você não é um terapeuta e que não é o seu trabalho tomar o lugar de um. É OK dizer “isso parece ser muito difícil, sinto muito”, ao invés de tentar consertar as coisas. Isso pode ser suficiente para que as pessoas sintam, se não melhores, ao menos que foram vistas e ouvidas.

Seja humano, mas não muito humano. Embora a sua comunidade irá frequentemente apreciar te identificar como uma pessoa real ao contrário do “Moderador 7”, se você estiver se sentindo estressado e chateado não traga isso para dentro da comunidade que você gerencia. Isso irá aumentar o estresse e a ansiedade dos outros, que podem se sentir desconfortáveis em lhe pedir apoio e recursos. Tal atitude pode danificar a estabilidade de sua comunidade. Encontre outros lugares de apoio que não sejam em comunidades que você gerencia.

Medidas essenciais

Permaneça focado em sua missão principal de antes da pandemia e mantenha o foco em como essa missão se conecta, neste momento, com as necessidades de sua comunidade. Esteja pronto para redirecionar essa demanda para outros lugares, caso não possa ou não deva fornecer um serviço ou estrutura de suporte.

Não fique dependente de uma pessoa para nada. Qualquer um de nós poderia ficar doente ou precisar tomar conta, sem aviso prévio, de um familiar enfermo. Garanta que alguém que você confia tenha acesso às senhas, caixas de e-mail e outros sistemas que você usa. Se um endereço de e-mail pessoal está atualmente sendo usado em sua comunidade para o relato de queixas ou problemas, considere fazer uma mudança para um e-mail genérico e compartilhado.

Esteja ciente de traumas secundários. Administrar uma comunidade neste momento pode ser um trabalho emocionalmente desgastante, especialmente se você estiver lidando com discussões sobre morte e dificuldades econômicas. Esteja atento para estes sinais de traumas secundários e peça às pessoas ao seu redor para que façam o mesmo.

Jamais lide com sua comunidade caso esteja cansado, faminto ou de qualquer outra forma emocionalmente vulnerável. Você não será capaz de dar suporte a outros e poderá causar danos duradouros com suas ações.

Seja gentil. Fique calmo. Beba água. Faça pausas regulares.

Finalmente…

Este é um trabalho difícil e importante. Obrigado por estar presente para sua comunidade quando ela mais precisa de você.


Conteúdo originalmente publicado pelo Coral Project, da Vox Media, e licenciado por Creative Commons (CC BY 4.0).