Tomo emprestado do colunista Flávio Gordon (Gazeta do Povo) uma crítica sobre a nossa atividade profissional: com a evolução da Internet e redes sociais, jornalistas que antes tinham apenas boca ganharam também ouvidos, e o que passamos a escutar do público não nos foi de muito agrado. A colocação me parece verdadeira, mas apenas parcialmente. Fato é que sempre tivemos ouvidos, ainda que eles estivessem frequentemente voltados para aqueles que diziam exatamente o que queríamos escutar. Uma audição seletiva, por assim dizer.
Me refiro aos especialistas que sempre buscamos para dizer aquilo que não sabemos em profundidade. Esta prática jornalística não é apenas lógica, mas necessária. Afinal, ninguém espera do repórter um profundo saber sobre tudo aquilo que ele deve cobrir. Mas a verdade é que especialistas também divergem dentro de suas áreas de especialidade.
Qual o critério, então, para escolher um ao invés do outro? Há especialistas mais legítimos que os demais? Que se pese que o jornalista não deve ser refém da audiência, tampouco pode estar de costas para ela, e estarmos afastados dos valores e crenças da sociedade tem sido importante fator para a queda de nossa credibilidade. No momento em que maior interação entre público e jornalista se faz necessária, portanto, não seria o momento de repensar os critérios de seleção de especialistas?
