Tag

futuro

Browsing

(Este texto é a parte III do artigo Jornalismo para além do conteúdo.)

Há outros – vários – papéis desempenhados pelo jornalismo. Cada um deles, entendo, se justifica mediante uma necessidade real e todos, invariavelmente, se transformam em mais e mais informação. Sim, aquela informação que habita o mesmo lamaçal das fake news e, no melhor dos mundos, disputa a atenção do usuário com produtos de entretenimento e com a pirataria. Tudo no mesmo ambiente, tudo ao alcance de um clique. Quem saberá distinguir o jornalismo de qualidade? Quem poderá percebê-lo tão valioso a suas vidas, a ponto de pagar por ele?

Isso me diz que já não basta ter qualidade. É preciso encontrar uma forma de as pessoas voltarem a depender do jornalismo para alguma coisa além de “se informar e entender a realidade”. É difícil fazer isso sem acompanhar o noticiário. E digamos que, mesmo acompanhando, a sensação de que produtos jornalísticos saciam uma necessidade do meu dia é cada vez mais rara. Talvez as minhas necessidades sejam outras? Talvez outras fontes mais próximas estejam me mantendo informada e a par da realidade? Talvez mais pessoas estejam agindo assim?

Não se pode dizer, entretanto, que não haja outras “dores” a serem sanadas entre a população. Várias delas, aposto, poderiam ser atendidas por meio do trabalho de jornalistas e de veículos de comunicação. Não sabemos apenas produzir conteúdo.

  • Sabemos escutar, fazer perguntas, moderar o debate; podemos (ajudar o público a) dialogar.
  • Sabemos investigar, reagir com rapidez na busca por contatos e informações; podemos resolver problemas. (Tks, Victor Vieira!)
  • Temos o domínio da fala, da língua, da escrita, da comunicação; podemos ensinar.
  • Nutrimos relações ecléticas; podemos facilitar o convívio.
  • Carregamos um repertório cultural rico; podemos compartilhar e enriquecer outras pessoas.
  • Buscamos especialistas para que digam como agir em determinada situação; sabemos aconselhar.
  • Temos acesso privilegiado a diferentes instâncias de poder; podemos construir pontes, promover encontros, suscitar projetos.
  • Temos projeção midiática e, embora não sejamos mais os únicos, podemos emprestá-la a quem precisa, com legitimidade e boa intenção. 

O que mais temos, sabemos e podemos fazer pela sociedade? Que outras habilidades carregamos no âmago da nossa profissão?

No fim das contas, ficam três perguntas:

  1. Qual dor real do usuário temos para tratar? (Quais problemas a sociedade enfrenta hoje?)
  2. Assim como a Fujifilms, quais habilidades subjacentes temos em nossa atividade?
  3. No que podemos aplicar tais habilidades, para além da produção de conteúdo (ou de filmes fotográficos)?

INÍCIO
PARTE I: Mercado saturado e mercado decadente: a natureza infinitamente reprodutível da informação
PARTE II: Por que o jornalismo surgiu?


Ao final deste artigo, você irá encontrar três perguntas:

  1. Qual dor real do usuário temos para tratar? (Que problemas existem hoje?)
  2. Assim como a Fujifilms, quais habilidades subjacentes temos no jornalismo?
  3. No que podemos aplicar tais habilidades, para além da produção de conteúdo (ou de filmes fotográficos)?

Para ajudar a responder, acompanhe o raciocínio que levou a elas:

PARTE I: Mercado saturado e mercado decadente: a natureza infinitamente reprodutível da informação
PARTE II: Por que o jornalismo surgiu?
PARTE III: O que sabemos fazer?