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No livro The Uncensored War, Daniel C. Hallin trata do papel midiático durante a Guerra do Vietnã – papel este que foi altamente relevante, inclusive, para mudanças futuras na forma de atuação dos governos norte-americanos. Afinal, como explica Hallin, a cobertura irrestrita das batalhas ocasionou um novo fenômeno no país: se durante a Segunda Guerra Mundial os EUA estavam unidos em torno de um único objetivo, a situação americana dos anos 1960 e 1970 nada tinha a ver com isso:

Em cada noticiário da TV e em cada jornal matinal a guerra era reportada batalha por batalha, mas pouco ou nenhum sentido do propósito da batalha era expresso. Eventualmente isto contribuiu para a impressão de que estávamos lutando em um terreno militar e moral movediço, e não em direção de um objetivo importante e valoroso.

Se o papel da imprensa na ocasião for entendido como o de apenas replicar aquilo que ocorria nos campos de batalha, então talvez não haja muito o que ser criticado. Neste sentido, no entanto, Hallin faz mais uma observação sobre a mídia. O jornalismo nem sempre foi um setor no qual valores de isenção e imparcialidade eram estimulados. Da mesma forma, estes valores não passaram a ser praticados sem que antes houvesse uma troca com os próprios órgãos políticos e governamentais:

… jornalistas desistiram do direito de falar com uma voz política própria e, em troca, receberam um direito de acessar regularmente órgãos internos do governo; um direito do qual nunca desfrutaram na era do jornalismo partidário.

Os tempos do jornalismo apoiado diretamente por partidos políticos e, mais tarde, dos jornais que atuavam em nome de seus “barões” provam historicamente que não existe um único modelo a ser adotado pela mídia. O jornalismo objetivo e isento certamente cumpre um importante papel. Mas, como mostra a Guerra do Vietnã e eventos de meados do século passado, as circunstâncias estão ligadas às formas de atuação midiática. Com o surgimento e popularização da Internet, o modelo de publicidade que tanto estimulava a produção de um jornalismo imparcial dá claros sinais de exaustão. Inovar é se colocar à frente das novas demandas. E quais seriam elas nestes novos tempos?