A mudança não precisa ser uma ameaça. Ela pode ser, na verdade, uma grande oportunidade. Desde que os primeiros veículos se tornaram digitais e mudaram as possibilidades do jornalismo, não vivemos outro momento tão significativo como o que estamos presenciando agora. A Inteligência Artificial está trazendo transformações para todo o mundo e não é diferente para nosso setor.
Muitos gestores de redação destemidos têm percebido as oportunidades e mergulhado fundo. De acordo com a Wan-Ifra (Associação Mundial de Editores de Notícias, na sigla em inglês), 50% das redações jornalísticas espalhadas pelo mundo já utilizam ferramentas de IA, como ChatGPT.
Embora existam inevitáveis discussões sobre como a tecnologia pode ser prejudicial para a profissão, os principais casos de uso das ferramentas nas redações dizem respeito a capacidade de condensar informações trazendo mais agilidade para o processo de produção. Outras tarefas para as quais os jornalistas estão usando a tecnologia incluem pesquisas, correção de textos, transcrição de entrevistas em áudios, geradores de imagens, moderação de comentários, verificação de fatos e melhoria de fluxos de trabalho.
Na Suécia, a Rádio Sueca sempre precisou de soluções de gerenciamento de conteúdo bem sofisticadas devido às frequentes transmissões ao vivo realizadas de locais diferentes. O grupo conta, atualmente, com 55 escritórios e 26 estações locais. Por reconhecerem as limitações dos sistemas de gerenciamento de conteúdo prontos para uso, o grupo optou por um CMS customizado. O desejo de reduzir a dependência de fornecedores externos também serviu como motivação.
Além de utilizar a Inteligência Artificial para produção de conteúdo e curadoria, a Rádio Sueca também tem testado a tecnologia para fazer sugestões personalizadas de podcasts para os ouvintes. Funciona como um mecanismo de recomendação, mas também como um sistema de autoaprendizagem que melhora com o tempo.
A tendência é que os casos de uso da tecnologia evoluam à medida que mais grupos busquem por maneiras de integrar a inovação às suas operações. Com as mudanças que estão chegando, torna-se cada vez mais necessário treinamentos e alinhamentos editoriais. Apenas 20% dos profissionais que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial contam com orientações da gestão sobre como usar a tecnologia.
Parece prudente que os editores estabeleçam políticas específicas sobre como usar estas ferramentas. Um manual de ética sobre o uso da tecnologia pode, por exemplo, criar um ambiente seguro e transparente para os colaboradores, além de proteger questões relacionadas à imprecisão das informações, violação de direitos autorais bem como questões de proteção de dados e privacidade.
Embora a IA possa realizar muitas tarefas, as investigações e a narração de histórias que exigem a criatividade humana permanecem no centro do jornalismo. A tecnologia serve como complemento e auxílio no processo, mas é a ética do profissional que vai garantir a imparcialidade e a veracidade das informações apuradas. Um futuro promissor é um dueto inteligente entre jornalistas e Inteligência Artificial.
A dependência de uma plataforma externa para geração de tráfego sempre foi uma pedra no sapato de sites jornalísticos. Primeiro, as metas de cliques só eram batidas se houvesse chamada de conteúdo em algum grande portal. Depois foram as redes sociais. Agora, numa espécie de “revival” pré-Twitter, a busca orgânica brilha como a maior fonte de audiência e contratamos especialistas em SEO a peso de ouro. Eles são os profissionais que trarão pão à nossa mesa, afinal. Bom, pode não ser assim.
Mais do que aprender a driblar as artimanhas dos algoritmos, os veículos que contam com buscadores para distribuir seus conteúdos devem estar atentos a uma mudança de ordem do discurso: do institucional ao individual. No último Google I/O – conferência anual que a Alphabet promove com desenvolvedores do mundo todo – foram apresentados novos filtros de pesquisa protagonizados por Inteligência Artificial. Um deles é o Perspectives, que se propõe a encontrar “informações úteis de pessoas em fóruns e sites de mídia social”. Estarão no radar Reddit, Stack, Overflow, YouTube, blogs pessoais e outros sites que “oferecem aos usuários respostas de humanos reais”.
Nas próximas semanas, quando você pesquisar por algo que possa se beneficiar das experiências de outras pessoas, poderá ver um filtro de Perspectivas na parte superior dos resultados da pesquisa. Toque no filtro e você verá exclusivamente vídeos longos e curtos, imagens e postagens escritas que as pessoas compartilharam em fóruns de discussão, sites de perguntas e respostas e plataformas de mídia social. Também mostraremos mais detalhes sobre os criadores desse conteúdo, como nome, foto de perfil ou informações sobre a popularidade de seu conteúdo. – blog do Google
Microjornalismo
Em síntese, é mais visibilidade ao conteúdo do usuário. O Google chama isso de “Joias Escondidas da Internet”. Em 2013 eu chamava isso de microjornalismona minha tese – informações mais relevantes ao dia a dia de um indivíduo do que aquelas publicadas em veículos. Você teve o seu canal do YouTube hackeado? Um fórum com outras pessoas que passaram pelo mesmo problema irá ajudá-lo mais do que o próprio Google! A transformação é esta: menos discurso institucional, mais discurso pessoal.
Há valores e riscos nesta virada de chave. O maior valor é a micro segmentação dos assuntos, o que tornará a experiência do usuário muito mais precisa e aplicável. Afinal, não há nada melhor do que aprender com a experiência de “outra pessoa como você”. Entre os riscos, o anonimato da procedência da informação é um dos mais evidentes. Só perde em grau de periculosidade para o fato de que os resultados de busca no Perspective ficarão a cargo do Bard, sistema de IA do Google.
Tá tudo ali! Não precisa nem clicar.
O Perspective, portanto,é um dos desdobramentos da SGE – Search Generative Experience, que representa uma mudança ainda maior no mecanismo de busca. O uso de Inteligência Artificial generativa nas páginas de resultado do Google são uma resposta ao ChatGPT, que é capaz de responder diretamente ao usuário ao invés de indicar-lhe links onde ele poderá encontrar a resposta. Estamos diante de uma busca orgânica que pretende satisfazer o público sem a necessidade de ele clicar em mais nada.
Então quer dizer que todo o tráfego que o Google traz aos sites jornalísticos hoje em dia pode desaparecer? Exatamente. Assim como desapareceu o tráfego gerado por portais e, depois, por redes sociais, a audiência orgânica tende a diminuir à medida que a Inteligência Artificial não mais mostrar – ou mostrar de forma extremamente coadjuvante – links para veículos. Ao invés disso, a SGE trará a informação de vários sites para a página de resultados de busca, compondo um texto que responda precisamente aquilo que o usuário perguntou.
Estes dois anúncios feitos durante o último Google I/O deixaram bem claro que a big tech está olhando para o lado oposto ao dos objetivos dos veículos jornalísticos. Enquanto empresas de mídia querem usar o Google para gerar cliques a seus conteúdos em terceira pessoa, a web cresce na direção do discurso pessoal, personificado e acessível sem a necessidade de um clique.
Jornalismo em Primeira Pessoa e Confiança
Faz pouco tempo que publiquei aqui no Orbis um artigo sobre Jornalismo em Primeira Pessoa. Vai ser ele a salvação da lavoura? Provavelmente, só ele, não. Mas este modelo caminha na direção para onde o futuro se projeta.
Ao contrário da SGE e de suas páginas de resultado com respostas completas e praticamente sem links, a personificação da linguagem editorial é uma evolução que está ao alcance das redações. Não foi o Google que inventou essa história de proximidade ser condição para haver confiança. É do humano confiar em outro humano; uma questão de sintonia, conexão e, quem sabe, até de empatia.
A crise das instituições sociais e a retribalização das relações humanas é real e aparece em uma pesquisa realizada pelo Gallup e pela Knight Foundation, no começo deste ano. O estudo mostra que quase 90% dos americanos seguem ao menos um indivíduo público em quem confiam para obter informações.
Enquanto a confiança no governo, em veículos de mídia, em empresas e no sistema judiciário despenca, usuários adultos acreditam cada vez mais em outro usuário, seja ele um jornalista, uma celebridade, um especialista acadêmico, um influencer ou um líder empresarial.
O Google está sabendo capitalizar em cima desse traço tão atual do comportamento humano. “Estamos descobrindo que muitas vezes nossos usuários, especialmente alguns de nossos usuários mais jovens, querem ouvir outras pessoas. Eles não querem apenas ouvir instituições ou grandes marcas.”, disse a vice de pesquisas do Google à The Verge, Liz Reid.
O que esperar no médio prazo?
Não serão apenas os sites jornalísticos que sentirão o impacto de uma busca generativa sem a necessidade de cliques. Se boa parte dos anunciantes do Google procuram leads e conversões, é plausível perguntar-nos onde ficará a “jornada do cliente”. A resposta, no entanto, não é tão difícil de especular: o Google se torna o maior marketplace do mundo, nocauteia a Amazon e se consolida como sinônimo de Internet.
Os veículos online podem continuar fornecendo seu conteúdo gratuitamente ao Discover, para alimentar a IA com páginas de resultados completos ao usuário. Ou podem redirecionar toda essa energia de trabalho para fortalecer seus próprios produtos, criando um jornalismo capaz de conviver nessa nova realidade.
Todos os anos, um batalhão de profissionais de comunicação ruma para o South by Southwest, em Austin, no Texas, para tentar decifrar o que será tendência nos próximos meses. Curioso notar, porém, que fala-se muito pouco sobre os impactos que o evento tem sobre os rumos da mídia – e do jornalismo. E sim, as discussões são profundas e os caminhos, interessantíssimos.
Fabricio Vitorino, na SXSW 2023
Neste ano, claro, tudo girou em torno da inteligência artificial. Na esteira do Chat GPT – que tomou de assalto as manchetes e as conversas em praticamente todos os fóruns -, o SXSW foi monopolizado pelas IAs. Até tivemos, como sempre, muitas discussões sobre temas como segurança digital, tratamento e cuidado com dados, realidade aumentada, metaverso, futuro do lazer e tantos outros assuntos intrigantes. Mas, rigorosamente, todos os momentos foram pontuados pela interseção com a inteligência artificial. E, claro, com o jornalismo não poderia ser diferente.
Faço um corte para 2016. Naquele ano, uma longa e profunda trilha sobre jornalismo permeou o SXSW. Uma mesa me chamou atenção: “Newsopalypse: Can Digital Really Sustain Media?” (Newsopalypse: o digital pode mesmo sustentar a mídia?) – um trocadilho envolvendo a palavra “news”, notícia, e apocalipse. O encontro trazia o “Chief revenue office” (o diretor de receita) do Washington Post, Jed Hartman, além de Joe Mandese, do MediaPost, Joy Jones, da AP, e Lindsay Nelson, da Vox Media. Todos pesos-pesadíssimos da indústria. Uma das conclusões da mesa era de que diversificar as fontes de receita se mostrava imperativo e urgente. E a outra, de que a plataforma é parte do conteúdo, da experiência (e, consequentemente, do valor da entrega). Quem tem a melhor entrega, a melhor experiência, ganha mais.
Um dos erros da atualidade é separar a produção da plataforma da produção de conteúdo. Os dois têm que estar juntos, criando, pensando e distribuindo conteúdo. Conteúdo é o rei. E a plataforma é a rainha. Você tem que ser fantástico no conteúdo, mas também tem que ser fantástico na tecnologia, na plataforma, disse Lindsay Nelson, da Vox, na ocasião.
De volta a 2023, ficou a sensação de que não andamos muito. Um ano antes do “newsopalypse” de 2016, Jonah Peretti enfeitiçara os produtores de conteúdo com o “modelo Buzzfeed”, baseado na conversão por emoção e apelando para o que há de mais profundo na humanidade. E hoje nos vemos numa encruzilhada: a inteligência artificial chegou a um ponto que parece estar próxima de atingir o estado da arte em produção de conteúdo. Porém, ainda sem o “buzzfeedismo”, a emoção, o toque humano.
Se em 2016-2017-2018 nos digladiamos com alt+right, fake news e algoritmos enviesados, buscando o que há de pior na humanidade com fins obscuros, em 2023 parecemos estar perto de uma forma de automatizar o que for “commodity” e focar naquilo que é humano. Emocionar, fazer rir, chorar, informar, educar (e aqui vale uma referência ao modelo de produção de conteúdo “User Needs”, de Dmitry Shishkin).
E foi mais ou menos este o caminho que o South by Southwest 2023 tomou – olhando sob a ótica do jornalismo (e da produção de conteúdo, se quisermos abrir o leque). ChatGPT, Jasper, Dall-E, QuillBot e tantas outras ferramentas, já disponíveis (e utilizadas em pequena escala), foram consolidadas e “colocadas em campo”. E, mais uma vez, o jornalismo peca em dois pontos: o ceticismo, que se torna uma barricada para discussões mais profundas, e o corporativismo, que insiste em defender padrões pouco saudáveis nos negócios jornalísticos atuais.
Jogo luz sobre o ceticismo. Nas mesas sobre IA para mídia, nos corredores, nos emails e fóruns, sobressaíam os argumentos de que 1) a IA não está pronta, 2) a IA não é confiável, 3) a IA não é ética, 4) a IA é de alta complexidade de implementação. Novamente, repetimos os erros da informatização das redações, da “internetização” das redações, da Googledependência e Facebookdependência de nosso ofício.Discutimos pouco e agimos menos ainda. A consequência foi o absoluto caos – desde a ausência em mecanismos regulatórios até o canibalismo de nossos processos jornalísticos em prol de audiência para alimentar os monstros que fingimos não ter visto. O “newsopalypse” – o apocalipse das notícias e de seu modelo de negócio.
A IA, de fato, não está pronta, logo, não é confiável. Mas, a internet está pronta? Ou estava pronta quando entregamos nossos negócios para algoritmos ainda em maturação? Certamente não. É exatamente esta a hora de embarcarmos, discutirmos, participarmos desse ciclo de desenvolvimento que, mais uma vez, irá revolucionar produção, consumo e monetização. Temos aqui uma esperança de renascimento, e para isso, precisamos ter voz ativa nesse processo de maturação e adoção da IA para que possamos fazer o melhor uso possível dela.
A IA, evidentemente, não é ética e nem moral. Afinal, a IA não é humana. A Ética Socrática é baseada em valores morais, em caráter, na razão, na autonomia. A IA executa funções a partir do corpus que “devorou”. Tanto Platão quanto Sócrates entendiam a ética como uma consequência da sabedoria, da “consciência do que se faz”. Já a máquina, não, ela não “sabe” o que faz. Como me disse Garry Kasparov, lenda russa do xadrez, no SXSW, a “a humanidade tem o monopólio da maldade. Deste modo, a IA não pode nos causar mal”.
Vitorino com Gary Kasparov e, ao lado, um sentientometer que compara a capacidade de inteligência, senciência e consciência dos humanos e IAs
A IA tampouco é de complexa implementação. Ferramentas de smart publishing, já disponíveis, podem se beneficiar dos processos de automação, síntese e distribuição. Repórteres podem usar a IA para transcrever, traduzir, criar tópicos, manchetes, para fazer apurações sobre dados estruturados. Profissionais de performance podem usar a IA para cruzar dados, criar apresentações, dashboards, fazer buscas em bancos. Fact-checking, e jornalismo de dados podem ter uma revolução, tanto em processo quanto em escala. Times de produto podem acelerar o desenvolvimento, as correções de bugs e a implementação de novas features, visando ao alto impacto e com baixo esforço. É um ganha-ganha-ganha-ganha.
Sendo assim, as discussões do SXSW, em 2023, focaram na Inteligência Artificial. É verdade que boa parte das conversas mantiveram suas reservas e torceram o nariz para as novas tecnologias, mesmo que a ampla maioria dos presentes sequer tivesse tido contato com qualquer uma das ferramentas disponíveis.
Um dos “cases” lembrados no festival foi como, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a redação do “The New York Times” caçoava da tal “world wide web” – apelidada de “world wide wait”, por sua lentidão, digamos assim. No Brasil, eu vivi experiência similar, no Jornal do Brasil online – a internet era o “solavanco necessário”. Outros veículos entenderam a web como um “monstro que ameaçava a TV”. E, à época, olhamos pro lado e fingimos que a WWW não era nada e não iria a lugar algum. Temos agora, com a IA, uma rara chance de reconstruir o jornalismo e recuperar o tempo perdido. Meu conselho? Testem, abracem, discutam, implementem. Sobreviver a um novo “newsopalypse” é muito, muito difícil.
Outros tópicos do SXSW
Metaverso – Sim, ele está vivo. O assunto mais quente de 2021 e 2022 não tomou a proporção que se esperava. Mas não foi enterrado. Para a futurista dinamarquesa Sofie Hvitved, a iniciativa ainda está limitada por tecnologia e orçamento. E sim, vai ter um papel fundamental na economia do futuro. Para Arnold Ma, da agência digital Qumin, lembra que o “Grande Metaverso Chinês”, estruturado pelo partido comunista, vai movimentar US$ 8 trilhões nos próximos anos, lastreado pelas gigantes Tencent, Alibaba e Baidu, com a ByteDance, do TikTok, correndo por fora.
Extended Reality (XR) – O termo genérico foi criado para agrupar tecnologias como Realidade Virtual (VR), Realidade Aumentada (AR) e Realidade Mista (MR). Em 2023, o SXSW montou um andar inteiro com experiências sensoriais e imersivas impressionantes. Você podia emular como é ver o mundo como os autistas veem, sentir cheiros, sensações táteis, viver a experiência de estar no meio de um local bombardeado na Ucrânia ou na plateia de um show de K-Pop. O grande aprendizado da feira é que o XR, hoje, é limitado apenas pela nossa capacidade de criar conteúdo e experiências. As plataformas evoluíram assustadoramente e há um nicho enorme a ser aproveitado.
Dados – A privacidade dos dados se tornou pilar do SXSW. Ancorados por Brittany Kaiser, a analista que expôs o escândalo da Cambridge Analytica, uma empresa que usava dados roubados do Facebook, a trilha de privacidade contou com nomes como Ian Beacraft, do mensageiro Signal, e Garry Kasparov, ativista da privacidade digital, passando por Michal Pechoucek, CEO da Gen e um dos maiores especialistas no campo do planeta. O dado seguirá como o ativo por muitos anos – e seu uso, hoje, é limitado pelos recursos de processamento.
Blockchain e Bitcoin – Parecem estar cada vez mais assimilados. Se antes eram trilhas isoladas, agora estão presentes em praticamente todos os setores. Dos micropagamentos e financiamentos, à inovação, aos games e organização urbana.
A tecnologia existe e está cada vez mais se desenvolvendo. Como as usaremos – e não se as usaremos –, é a questão que ainda cabe a nós decidir.