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Leonardo Coutinho

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AA censura não é a única forma de silenciar o outro. Aliás, somos bons em adotar estratégias sutis para conquistar aquilo que queremos de maneira mais direta.  Em artigo para a Gazeta do Povo, o jornalista Leonardo Coutinho cita o seguinte fato: “Na campanha eleitoral de 2016, o então candidato Donald Trump apontou um tal globalismo como uma das causas dos problemas dos Estados Unidos”. Reagindo à afirmação do então candidato à presidência, o jornal The New York Times reforçou a tese de que globalismo era uma ideia de extrema-direita que servia para negar a globalização. Em suma, segundo Coutinho, o importante era massacrar a ideia para fazer prevalecer a própria.

De maneira similar, vimos órgãos representativos do jornalismo utilizando a linguagem e a retórica para reduzir a relevância do jornalista Oswaldo Eustáquio, quando este foi preso em junho pelo Supremo Tribunal Federal. Como levantado, também pela Gazeta do Povo, muitas destas entidades preferiram não se manifestar sobre o caso ou simplesmente reduzir a atuação de Eustáquio, afirmando, por exemplo, que quando foi preso ele não atuava como jornalista ou que usa “ferramentas de comunicação para caluniar, difamar e ameaçar autoridades, jornalistas e instituições democráticas”.


Eustáquio tem simpatia pelo presidente Jair Bolsonaro e defende ideias conservadoras. O mesmo já assumiu isso publicamente. A questão é: a visão de mundo que possui torna ilegítima sua participação no debate público? É fato que o Brasil vive um momento de disrupção política. Neste momento em que tentamos nos encontrar, não seria mais útil que a imprensa desse voz a grupos ideológicos diferentes ao invés de isolar certas figuras e opiniões como se estas não fossem dignas de ecoar entre a sociedade?