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Pluralidade

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Muito se discutiu na semana passada sobre Bari Weiss, a ex-editora de opinião do The New York Times que se demitiu criticando abertamente o posicionamento do jornal e o comportamento de seus colegas. Em um dos trechos mais marcantes de sua carta aberta ao publisher A.G. Sulzberger, ela afirma que “um novo consenso surgiu na imprensa, mas talvez especialmente neste jornal: de que a verdade não é um processo de descoberta coletiva, mas uma ortodoxia já conhecida por alguns poucos iluminados cujo trabalho é informar todos os demais”.

Muito se sabe sobre como a mídia vem perdendo credibilidade e apelo perante o público. Weiss aponta para o pedestal no qual boa parte do jornalismo subiu, e também deixa claro que a desconexão entre visões de mundo presentes nas classes falantes e no restante da população complementa a trama. Foi para dar voz a esta parcela do público de valores tradicionais que ela foi contratada.

A iniciativa, agora com futuro incerto, tinha os seus méritos, mas também aponta para um problema mais profundo: seria a opinião o único campo restante para as vozes não ortodoxas? Nestes tempos em que a palavra “pluralidade” se tornou um norte a ser seguido, qual é a real pluralidade existente nas redações onde os fatos seriam apurados e o cotidiano deveria ser refletido?

É certo que as editorias de opinião têm grande relevância nos jornais. Mas elas também são um campo em que a subjetividade ganha mais espaço para aparecer. Como fica, portanto, a cobertura factual das redações? Esta não seria uma área a ser apurada, coberta e apresentada ao público por meio de óticas mais diversas?