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O ano começou com o burburinho do ChatGPT e nas redações não foi diferente. Enquanto alguns colegas perguntavam como explorar a nova tecnologia de Inteligência Artificial da OpenAI no jornalismo, outros questionavam se ela seria a tão temida substituta da mão de obra editorial. Se a escrita de textos noticiosos por robôs já é uma realidade usada, inclusive, em grandes portais brasileiros, o diferencial do jornalista pode estar em vivenciar experiências como um ser único, coisa que contraria a lógica de programação e padronização dos robôs.

Matt MacVey, líder de um projeto de IA e notícias locais no NYC Media Lab, da Universidade de Nova York, disse recentemente ao Washington Post:

“Estas ferramentas não podem sair e relatar ou fazer perguntas.”

Pensemos juntos: qual o sentido de competir com a IA, quando o assunto é agilidade, baixo custo e precisão de informações? Se você for um crítico do movimento, já tem engatilhado “n” argumentos antropocêntricos – a meu ver, muito justos! – a começar pela ética. De que serve a precisão de dados se o método de coleta for nocivo? – seria como admitir que “os fins justificam os meios”. O argumento cabal é que, em última instância, quem configura qualquer IA ainda é um ser humano, mas isso não basta para ser um diferencial do jornalista.

Por muito tempo acreditei e ainda acredito que a capacidade de dialogar seja um atributo de excelência do ser humano; em especial, do profissional que trabalha em veículo. Mas até nisso o ChatGPT vem nos desafiar e fica conhecido como “o robô dialogante”. O tão desejado diálogo com a audiência pode ter sido robotizado antes mesmo de ser adotado como rotina das redações. Então, busquemos outro diferencial.

Minha aposta: a personificação

Faz cerca de quatro anos que observo, de longe e com parcimônia, o uso da primeira pessoa no jornalismo. Eu sei, é polêmico. Fomos criados na linguagem objetiva, primeiro manifesto da isenção e condição elementar à credibilidade. “Um repórter deve trabalhar atrás das câmeras” foi repetido como um mantra e “não se tornar notícia” virou missão. Como projetar, então, um jornalismo personificado sem colocar em xeque valores tão caros à profissão?

Antes de mais nada, cabe aqui esclarecer a diferença entre personificação personalização.

Durante todo o ano de 2022 (talvez há mais tempo), ouvi colegas falarem sobre a importância da oferta personalizada de conteúdo. Coleta de dados, desenvolvimento de algoritmos, entregas sob medida na hora certa, para cada segmento de usuários. Independentemente do valor que isso pode ter, a intenção aqui é entender “personalização” só para efeitos de contraste.

Em qualquer processo de personalização – de uma caneca ao conteúdo de um veículo – o diferencial é a adequação do produto ao consumidor. Na personificação, o produto (no nosso caso, a mensagem, o conteúdo) assume as vestes de uma pessoa: o jornalista.

Embora o dicionário dê ênfase ao conceito clássico de “personificação” como o ato de trazer ao concreto uma ideia abstrata (exemplo: “Um filho é a mais nobre personificação do amor“), minha proposta é que, no jornalismo, usemos “personificação” para identificar uma abordagem pessoal do noticiário, honesta e capaz de gerar empatia nas audiências.

Um jornalismo personificado é aquele em que o leitor/usuário/espectador percebe a presença do ser humano jornalista naquele conteúdo, em toda a sua riqueza e limitação. O jornalista não precisa ser protagonista da história – talvez ele nem deva sê-lo! Mas conta, de forma transparente, o que ele viu quando chegou, o que ele perguntou, o que as fontes disseram a ele, o que ele notou na situação, o cheiro, a temperatura, os sabores que ele sentiu como pessoa, como se o fosse o próprio leitor.

jornalismo em primeira pessoa

Não se trata de um conteúdo behind the scene. Aliás, enquanto escrevia este artigo me deparei com uma crítica pesada à página A2 do New York Times, onde os editores publicam uma “autoglorificada” versão interna das matérias veiculadas no jornal. A seção, chamada The Story Behind the Story, tem a pretensão de contar os bastidores de como o jornalismo do NYT funciona. Só que isso, convenhamos, pode ser chato e não interessar a ninguém!

A personificação do jornalismo é bem entendida como a humanização da notícia. Sem jargões políticos, jurídicos nem econômicos. É a notícia como a história de um ocorrido contada de uma pessoa para outra, como, de fato, é. A profissionalização do jornalismo ao longo do último século desumanizou o profissional através da pasteurização do discurso. Adotamos estruturas frasais endurecidas e impessoais na esperança de que uma linguagem padronizada e burocrática garantisse a isonomia do repórter.

Já temos tempo suficiente de jornalismo na história da humanidade para entender que o enviesamento da mensagem excede os limites de uma escrita normatizada. Assumir a voz da primeira pessoa, porém, não significa renunciar à pretensa objetividade do relato, mas dá a ele uma transparência capaz de tornar a notícia ainda mais próxima do real.

Validação do “eu”: técnicas de jornalismo e de autoconhecimento

Lembro de quando eu nem sonhava em ser jornalista e ouvia o Alexandre Garcia dizer “Mais cedo conversei com o ministro X e ele me disse que…” – UAU!, pensava. Ele mesmo falou com o ministro. E foi hoje, há poucas horas! O grau de realismo de uma construção textual assim impacta até quem é criança e pode ser usado em relatos factuais, não apenas analíticos ou opinativos. Esta é a proposta para um Jornalismo em Primeira Pessoa.

Martha Nichols, jornalista e professora na Escola de Extensão da Universidade de Harvard, publicou no ano passado o livro First-Person JournalismNão por acaso, Martha tem afinidades com tópicos ligados à psicologia e saúde mental; é dela o prefácio de outro livro intitulado INTO SANITY – Essays About Mental Health, Mental Illness, and Living in Between. É que a prática do jornalismo em primeira pessoa, segundo a autora, mescla técnicas de jornalismo com autoconhecimento. Em bom português: é preciso um exame detalhado de si mesmo antes de se lançar a este estilo.

first-person journalism

Transformar vivências próprias em conteúdo jornalístico passa por uma validação prévia do eu: tenho permissão para usar o “eu”? Isso extrapola qualquer regra de veículo ou acordo com o editor; trata-se de reconhecer-se como a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa. Mais do que o alto valor-notícia de certo acontecimento, eu sou a melhor pessoa para relatá-lo ou há outras pessoas mais capacitadas, a quem eu deveria ouvir no mais tradicional estilo de reportagem? Se a segunda opção for a melhor, não hesite em dar voz a fontes.

(IMPORTANTE: Mesmo que a reportagem seja o relato de uma experiência própria, fontes terceiras sempre são bem-vindas. Se uma delas refutar o ponto de vista do repórter-narrador, tanto melhor! Narrar não é o mesmo que defender.)

Quando menciono “validação” – e a Martha Nichols detalha como “permissão para usar o eu” – considero que este aval precise ser coletivo, especialmente quando se trata de veículos (e não de blogs pessoais). A narrativa pode ser em primeira pessoa, mas a chancela, não. Tudo começa com um autoexame – inclusive autocrítico -, mas não para por aí. A validação coletiva deve contemplar, pelo menos, os seguintes pontos:

  • A experiência do jornalista [pauta] é interessante / relevante às audiências?
  • O ponto de vista do jornalista é representativo (capaz de gerar empatia entre as audiências)?
  • O jornalista será excessivamente exposto e pode tornar-se  vulnerável?
  • Qual a posição que o jornalista ocupou ao experienciar tal fato?

Perceba que, embora o relato seja pessoal, a validação é atravessada por preocupações com a audiência, com valores-notícia, com a propriedade do lugar de fala e, sobretudo, com a honestidade e a transparência do contexto. A diferença é que, em primeira pessoa, estes detalhes são contados ao leitor. E é aí que mora o diferencial que buscamos ao jornalista. Somente seres humanos vivem experiências e podem contá-las segundo suas próprias percepções; robôs não. A proximidade estabelecida com o leitor se assemelha à de um amigo que lhe conta uma história. Nada mais humano, exclusivamente humano.

Deixa eu te contar o que vi outro dia…

Nos meios de apelo da retórica aristotélica, contar histórias reais aparece de forma recorrente como técnica de persuasão. Noutras palavras, histórias atraem ouvintes. Mas por que histórias pessoais atraem mais? O Peter Burke tem uma frase icônica no livro Uma História Social do Conhecimento (Zahar, 2003):

“A informação é como água: quanto mais próxima da fonte, mais pura ela será.”

É do humano buscar a verdade, a pureza, o estado original. No ensaio Faith in Fakeness, Umberto Eco constatou uma “fixação pelo real thing“, a coisa real perdida em uma sociedade saturada pelo falso e pela ficção. Usei esta frase dele em uma aula que dei em 2018, para uma turma de RTVI de uma faculdade aqui de São Paulo. A turma havia lido o livro O Show do Eu: Intimidade do Espetáculo (Contraponto, 2016), da Paula Sibilia, que recomendo. É uma crítica destemida ao comportamento humano nas redes sociais, à luz de distorcidos valores contemporâneos. Na obra, a Paula observa que realidadeverdade são noções que se estremeceram seriamente nas últimas décadas. Quando tudo é passível de questionamento e problematização, surge um efeito colateral: o real já não é mais auto evidente. Então é preciso intensificar a realidade para que ela seja percebida como real.

O mercado de influencers, youtubers, twitchers, blogueiros, de produtores de reality shows se beneficiou enormemente deste movimento. Surge uma zona intermediária, entre a realidade e a ficção. No livro, a Paula aponta para a saturação do relato do autor que se mostra, se narra. Mas desde a publicação da obra, só o que se vê é esta linguagem personificada crescer, despertando e retendo a atenção das audiências.

Reforço da credibilidade

Mais do que ser um artifício para captação de público, o uso da primeira pessoa no jornalismo contribui para diminuir o cenário de desinformação. Matérias assinadas já trazem uma camada extra de credibilidade. O Center for Media Engagement realizou pesquisa em 2020 comprovando que, quanto mais informações [pessoais] o veículo mostra sobre o autor de uma matéria, maior é a confiança do público ao consumir aquele conteúdo.

Quando os leitores viram uma biografia que continha uma foto pessoal e detalhes pessoais sobre o repórter, eles sentiram que o conheciam melhor do que aqueles que viram qualquer outro tipo de biografia.

A Trusting News, entidade voltada ao reestabelecimento da confiança do público no jornalismo mostrou o exemplo do Virginian-Pilot (infelizmente indisponível no Brasil), onde jornalistas foram convidados a atualizar suas mini-bios com informações sobre sua experiência profissional, além de curiosidades pessoais, “mostrando um lado mais humano e relacionável“.

[Digno de nota: adepta à transparência como acesso à credibilidade, a Trusting News tem uma seção de nome bastante sugestivo – Journalists Are People Too]

A “transparência realista” do jornalismo em primeira pessoa, claro, ultrapassa a mera “assinatura de matéria” se estende por todo o relato. Martha Nichols, do livro First-Person Journalism, confessa em sua apresentação:

Há muito tempo acredito no poder das histórias pessoais. Mas com o surgimento da falsificação digital, lutar pela honestidade agora parece um ato radical. É por isso que me dedico ao jornalismo em primeira pessoa: contar histórias que conectam uma voz pessoal com uma abordagem rigorosa dos fatos.”

São fatos, não opinião. O compromisso do jornalista com a realidade segue inalterado. Naturalmente, o relato pessoal traz uma perspectiva sobre a realidade. Mas… não é isso que uma reportagem em linguagem objetiva também traz? Desde a escolha das fontes até a última edição, relatos jornalísticos são a perspectiva daqueles profissionais sobre um fato. O narrador é orientado a se omitir para que a narrativa seja vista “em si”, como se tivesse vida própria e, assim, fosse apenas capaz de refletir a verdade (no singular).

Casos de jornalismo em primeira pessoa

O uso de primeira pessoa no jornalismo ganhou bastante evidência por volta de 2014. Naquele ano, a American Journalism Review publicou um artigo contando como o estilo ganhava destaque na Vice e se tornava tendência em veículos globais, como o BuzzFeed e New York Times. No mesmo ano, o Washington Post também destacava a escalada do uso do “eu” em conteúdos jornalísticos pós-crise de 2008. O artigo da escritora Eve Fairbanks explicava o fenômeno:

“… o boom do ensaio em primeira pessoa é algo notável. Ele canaliza nossa profunda desconfiança nas elites após a catástrofe do Iraque e a crise financeira, ambas forjadas por especialistas distantes que tinham pouca experiência direta nas coisas – ditadura, hipotecas subprime – que eles diziam entender tão bem. Agora queremos o contrário: ouvir as pessoas no solo, obter pontos de vista que imaginamos estarem tão ancorados na experiência pessoal que devem ser verdadeiros.”

Os exemplos que caracterizavam a tendência naquela época tinham a forma de ensaios, colunas de perguntas e respostas e blogs coletivos, com textos produzidos pelo staff da redação ou por usuários dos veículos. Os assuntos variavam dos “resultados em usar Reiki no cachorro” ao “cotidiano de uma pessoa com transtorno alimentar”, da “experiência de passar por um aborto espontâneo” ao “tratamento contra a depressão”.

boechat confessa sofrer de depressãoEis um registro mais do que necessário: quem lembra de quando o Ricardo Boechat assumiu publicamente sofrer de depressão? É importante dizer que o relato não teve a intenção de ser uma notícia, mas a função social que cumpriu superou a de muitas pautas.

Boechat não foi o único a compartilhar problemas de saúde. Em 2021, André Tal, repórter da Record, revelou sofrer de Parkinson e, no ano passado, a jornalista Renata Capucci contou que foi diagnosticada com a mesma doença. Tornar público o diagnóstico de uma doença vem carregado de uma mensagem de conscientização e com estes jornalistas não foi diferente.

Em um tom mais leve – embora ainda crítico e reflexivo – a jornalista Whitney Miller, do canal WCPO 9 News, de Cincinnati, relata sua transição de visual ao adotar tranças, um penteado tão incomum para âncoras de TV quanto significativo do ponto de vista da identidade racial.

Jornalistas serão influencers?

A pergunta espinhosa é proposital. Há quem defenda a ideia dizendo que jornalistas sempre foram influenciadores da opinião pública. Outros dizem que, na acepção atual do termo, jornalista precisa mesmo é se diferenciar da superficialidade dos influencers de social media. Haverá uma justa medida?

É inegável que os influencers – ou creators – são hábeis em recrutar audiências numerosas, tudo o que jornalistas tanto desejam para seus veículos. As artimanhas que estas estrelas da Internet usam variam da nefasta compra de seguidores a uma abordagem incrivelmente próxima às audiências. Influencers são tudo o que mais podemos chamar de personificação do conteúdo.

Uma das diferenças para o jornalista é que o influencer busca, geralmente, colocar seu nome na frente do conteúdo que produz. O objetivo final é projetar a própria identidade e os relatos personificados são o meio para alcançar esta meta. O jornalista, ao contrário, não precisa evidenciar-se como indivíduo para relatar o que viveu. A identidade do narrador faz diferença para a história contada? E muita! Mas ela pode ser trabalhada de forma sutil, de modo a priorizar o fato e não o contador.

Digo isso porque conheço um bom número de colegas avessos à ideia de explorar sua “imagem pessoal”. Novamente: muitos de nós fomos criados assim, desde a faculdade. Nos acostumamos à ideia de que tornar-se conhecido é coisa para colunistas e jornalistas de TV. Afinal, eles têm destaque visual na mídia. Há tempo já não é mais assim. Quando qualquer usuário de redes sociais ganha tanto ou mais visibilidade midiática do que jornalistas do audiovisual, deixar-se conhecer pela audiência já não traz mais tanto impacto pessoal quanto antes. Os jovens apresentadores do G1 em 1 minuto que o digam. Usar a primeira pessoa para contar uma notícia que você apurou não faz de você um novo Pedro Bial, mas desperta empatia e atrai a audiência.

Atenção aos riscos

  • O repórter tornar-se maior do que o fato: lembre-se que a intenção de um relato em primeira pessoa é gerar empatia com as audiências. Se o jornalista der mais ênfase à sua identidade e às suas subjetividades, ele será visto como um ser único, especial, sem correspondência com a realidade de cada leitor/espectador. Por acaso, foi aquele jornalista que viveu tal experiência, mas poderia ter sido qualquer indivíduo.
  • Nem vítima, nem herói: o foco não é o jornalista, mas suas experiências.
  • Militância: narração não é defesa de um ponto de vista.
  • Forjar experiências para gerar pautas: [desnecessário detalhar]
  • Irrelevância: tudo o que acontece conosco parece ter uma importância gigantesca – e, de fato, tem. Mas isso não significa que a situação retrate o interesse das audiências. Portanto, em momento algum se desconecte das necessidades informativas do público.

E o profissional, não fica exposto?

Nos últimos cinco ou seis anos tem sido crescente o número de colegas que se sente exposto à agressividade das audiências, mesmo sem assinar relatos em primeira pessoa. Ou seja: mesmo seguindo o protocolo de apuração e usando linguagem impessoal, jornalistas são atacados com comentários e ameaças nas redes. O uso da primeira pessoa não pode agravar esta situação?

Não, ao contrário. Explico.

Ao estabelecer um lugar de fala semelhante ao de qualquer leitor/espectador, o jornalista se torna tão humano quanto ele. Pelo que há de mais primitivo no comportamento da humanidade, é muito mais difícil atacar um semelhante do que um desconhecido. Já vivi interações com usuários que apaziguaram o tom da crítica quando eu ou alguém da minha equipe se mostrava ser… uma pessoa! Até mesmo no meio de um protesto em frente ao MASP, na Avenida Paulista, em 2013, vi a postura de um manifestante mudar quando expliquei a ele o que eu estava fazendo ali.

IMPORTANTE: essas foram reflexões bem incipientes a respeito do tema. Se você conhece algo ou tem alguma opinião formada sobre jornalismo em primeira pessoa, por favor, compartilhe nos comentários e vamos amadurecer esta ideia juntos.

A percepção de que a cobertura jornalística tem se limitado a falar, da mesma maneira,  sobre os mesmos assuntos, tem sido cada vez mais comum aos leitores, sobretudo nos tempos de crise em que vivemos. O que podemos ver é que enquanto o público está cada vez mais sedento de histórias de pessoas do mundo real, a notícia está num constante afastamento dessa realidade.

Em tempos em que a utilidade da notícia é encarada de uma forma prática e funcional, a relevância se torna um valor imenso para o exercício do bom jornalismo. Mas o cenário real só confirma o que temos visto cada vez mais: noticiários diários que contam repetidas histórias em preto e branco, que nos mostram sempre a mesma face saturada de uma realidade que pouco atinge os leitores. 

E diante deste cenário, é fácil se perguntar: quantas histórias deixamos de contar?