O meio digital é marcado por um verdadeiro oceano de conteúdo criado e distribuído tanto por empresas, quanto por pessoas independentes. Diariamente são incontáveis postagens tratando dos temas mais diversos e imagináveis em tantos formatos quanto possível. E por mais que o jornalismo seja uma profissão de alto valor ideal por levar ao público informação importante e relevante, nas circunstâncias atuais ele também precisa competir pela atenção das pessoas.
Faz parte do senso comum jornalístico acreditar que aquilo que produz tem valor por si só. Mas será que o público enxerga isso? Um ideal assim de pouco vale se não for compartilhado.
A questão essencial para reflexão é: como o jornalismo pode capturar e manter a atenção de certa parte do público nas matérias que produz? A resposta costuma girar em torno dos valores e modelos jornalísticos: matérias com leads, imparcialidade acima de tudo, aspas comprovando algo que foi dito e mais aspas refletindo opiniões de especialistas.
Mas se o ambiente online onde o público se encontra é marcado por tanto conteúdo disseminado, como concorrer pela atenção fazendo algo que pouco se difere daquilo que a concorrência igualmente faz? O conteúdo de massa servia muito bem para os bons tempos da publicidade. Mas na era em que o leitor define o que irá consumir, publicar um conteúdo corriqueiro não seria uma estratégia insuficiente? Posto de outra forma, não faz mais sentido apresentar algo único ao consumidor como forma de se destacar na multidão?
Caso a última alternativa pareça uma saída mais adequada, será então preciso que o jornalismo olhe para si mesmo e pergunte se não está enclausurado pelas próprias fórmulas e modelos que criou como forma de demonstrar uma imparcialidade atualmente pouco atrativa.
