A reputação está presente em nosso cotidiano, em tudo o que consumimos, de produtos e serviços aos relacionamentos pessoais e profissionais. É o que norteia nossas escolhas com base em valores morais e éticos, em credibilidade, em idoneidade, em qualidade. São elementos que, no conjunto, podem ser resumidos em um estado de confiança, de segurança em relação ao que investimos tempo, atenção ou dinheiro.

Ela é construída em longo prazo em uma base consistente de boas práticas que forja a estrutura que a permeia e cria um legado essencial de sobrevivência, especialmente em momentos de crise.

No que tange ao jornalismo e à imprensa em geral, a reputação tem sido balizadora importante no consumo das notícias nos últimos tempos, tendo a chance de resgatar públicos tragados pela websfera e pelos grupos de WhatsApp voltados à disseminação de fake news. E quando falamos em fake news, entendamos que compreendem não apenas a informação falsa, criada propositalmente para a conversão dos públicos aos interesses de quem a produz, mas também de informações imprecisas, sem fundamentos, sem bases concretas ou analíticas por quem a reproduz.

No efeito cascata que começa pela queda de audiência, caem também anunciantes e empregos nas redações, em um ciclo vicioso em que se entregar às mesmas armadilhas desonestas usadas pelo inimigo para sobreviver é o mesmo e único caminho para submergir.

Entra também neste cenário a pós-verdade, aquela em que as bases podem ser verídicas, mas são descontextualizadas, distorcidas nos mesmos moldes de interesses das fake news.

A verdade é que a oferta de consumo instantâneo de informações cada vez mais rasas pelas mídias digitais e, particularmente, pelas redes sociais, ajudadas por algoritmos viciados e comprados, tem se configurado em uma concorrência desleal na disputa pela atenção e retenção dos públicos pela imprensa.

No efeito cascata que começa pela queda de audiência, caem também anunciantes e empregos nas redações, em um ciclo vicioso em que se entregar às mesmas armadilhas desonestas usadas pelo inimigo para sobreviver é caminho certo para submergir.

O momento da virada para o jornalismo

Mas voltando ao ponto sobre a reputação ser a balizadora do consumo, vemos aumentar as oportunidades para o jornalismo se apresentar na separação do joio do trigo no campo da informação. E ele curiosamente se dá em meio ao aumento da polarização dos públicos sob todas as esferas editoriais, mas especialmente sob a pauta política e o que se desdobra a partir dela pelas pautas de saúde, educação, segurança, economia…, ou seja, tudo o que impacta os fatores de subsistência e desenvolvimento do indivíduo e da sociedade.

No Brasil e no mundo vemos todas essas pautas mais do que entrelaçadas atualmente, em meio ao efeito sistêmico da pandemia pela covid-19 e a propagação de informações em torno delas, nas mídias tradicionais e nas informais. 

A overdose de notícias conflituosas de todos os lados passou a gerar um efeito colateral tóxico, onde o filtro para o indivíduo se manter minimamente informado – e são – tem como base justamente a credibilidade das fontes, ou seja, a reputação de quem produz a notícia.

Se trata de um consumidor paradoxalmente mais crítico, que busca fontes opinativas e a personificação da notícia, para que possa interagir e não apenas digerir a informação.

Assim, o jornalismo que vem se construindo com uma base investigava séria e idônea, apresentando notícias com base nos preceitos da origem da imprensa, consegue resgatar o valor financeiro de seus conteúdos a partir do valor da sua prestação de serviço.

É um momento ainda de descobertas e reformulações de modelos, uma busca do equilíbrio pelo conteúdo crível e informativo agregado às formas dinâmicas do consumo e do consumidor moderno, tecnológico, hiper conectado e condicionado ao ultra processado. 

Se trata de um consumidor paradoxalmente mais crítico, que busca fontes opinativas e a personificação da notícia, para que possa interagir e não apenas digerir a informação.

Particularmente sobre este quesito, ao agregar a humanização na sua construção jornalística, os veículos e os jornalistas precisam estar ainda mais atentos ao desafio de equalizar suas pesquisas pelas fontes opostas de uma mesma pauta e ao espaço e caráter do registro dado a elas. Pois é justamente aí que é percebida e atestada a verdade nua e crua sobre a sua reputação e, consequentemente, todo o resultado que ela proverá.


As opiniões expressas neste artigo não correspondem, necessariamente, ao posicionamento do Orbis Media Review.

Autor

Erika Baruco é jornalista, tem especialização em comunicação empresarial pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é Diretora da Baruco Comunicação Estratégica. Com 20 anos de mercado, é media trainer de profissionais liberais e empresários.