Não é de hoje que as redes sociais adentraram o meio jornalístico: seja como plataforma onde matérias são postadas, seja nas rodas de conversa onde se constata o quanto elas afetaram a profissão. Todavia, há um mau hábito de olhar para as redes como um lugar intelectualmente raso no qual apenas o conteúdo de rápido e fácil consumo tem chance de prosperar. Se essa é a verdade, então por lógica estamos fadados a compartilhar da tendência e reduzirmos o nível do conteúdo produzido.

Uma rápida pesquisa nas plataformas, no entanto, mostra como artigos bem contextualizados conseguem atiçar a curiosidade do público. Igualmente, longos vídeos sobre ideias complexas são capazes de alcançar inúmeras visualizações. O fato é que as redes sociais não têm vida própria; ao contrário, são meros ambientes alimentados por pessoas. Há, ali, espaço para tudo aquilo que existe fora dali: trivialidades, entretenimento, curiosidades e, sim, conteúdo de alta qualidade.

Neste ambiente, onde atualmente o público se encontra, é relevante que os veículos pensem sobre a forma de atuar. As redes mostram que há parcelas do público dispostas a investir tempo no conteúdo que lhes agregará valor. Embora seja comum entre jornalistas o hábito de se queixar do meio digital, ao apresentar temas urgentes e imediatos cuja relevância tende a se perder rapidamente, estaríamos imitando o melhor ou o pior daquilo que as redes têm a nos oferecer?

Autor

Jornalista, Mestre em Ciência Política. Editor do Orbis Media Review e Professor do Master: Núcleo de Negócios de Mídia.