Para quem importa o que escrevemos? Se a resposta for “para as pessoas retratadas na matéria”, há algo de errado. O contexto é o que faz o jornalismo, e é exatamente o que nós, jornalistas, estamos deixando de lado há anos.
Por que uma pessoa que chega em casa após um longo dia de trabalho irá optar por ligar a TV em um jornal cujo principal produto são polêmicas que escandalizam hoje apenas para serem esquecidas amanhã, quando pode ouvir um podcast, acompanhar seu youtuber favorito, dar sequência a uma série da Netflix ou jogar um videogame?
Escolher é essencial. Edição é escolha. Mas se nossa presença altera a cena, já não estamos mais falando de realidade.
Se todos os profissionais de uma redação dedicarem 30 minutos por dia para se relacionarem com suas audiências, a reaproximação do público ao seu veículo será inevitável. Isso é um diferencial e é mais inovador do que publicar nervosamente conteúdo commodity.
Como ir além do jornalismo declaratório sem que nossa abordagem à fonte se pareça a um
acordo de delação premiada?
É impressionante notar como veículos de mídia não deixam claros os seus propósitos. Em geral, é porque eles não os têm e empacotam seus trabalhos com um bonito slogan como se fosse um propósito da marca.
A geração Z presta atenção em quem lhe dá atenção, ou seja, os influencers. Honestamente, acho justo. Ou você costuma dar atenção para quem não lhe dá a mínima?
qualquer ideia de cancelamento ao oposto é totalmente ilógica e anti-humana. Cancelar quem pensa “errado” só é possível a partir do entendimento de que o cancelador possui e pratica uma moral definitiva e pura, tendo a competência de eliminar da vida pública todos aqueles que incorrem em “falhas”.
A inovação no mercado de mídia já está acontecendo. A questão que fica em aberto para os jornais tradicionais é como melhor se posicionar para fazer parte deste processo.
Ao longo da história, as propostas editoriais dos jornais – partidárias ou generalistas – tornaram-se norma a depender das circunstâncias do momento. Conclusão esta que gera uma pergunta capital: quais são as demandas exigidas pelas circunstâncias atuais?