Faz parte do senso comum jornalístico dizer que a função da atividade é estar sempre vigilante. Não que a afirmação esteja errada, ao contrário. Mas ela talvez limite a atuação de tantos veículos. Afinal, este posicionamento implica estar sempre em busca de algo a ser denunciado, o que é uma visão pobre da realidade. O olhar exacerbadamente crítico ignora o que há de bom no mundo. Acredita que aquilo que há de positivo é menos relevante e não muito digno de ser divulgado, uma vez que não precisa ser corrigido.

Vale então a pergunta: qual sentimento oferecemos às pessoas quando mostramos apenas o que há de ruim aqui e acolá?

Luciano Pires, um sujeito que tem dois pés no mercado da comunicação, atua como palestrante e podcaster, surgiu com uma sacada interessante para gerar engajamento em suas redes sociais. Com a hashtag #EnquantoIsso, mostra o que está acontecendo de bom no mundo enquanto tudo mais parece pegar fogo. As notícias que compartilha percorrem longas distâncias, desde a alta nos índices em bolsas de valores e projetos políticos interessantes, até um menino desconhecido que fez uma prótese de perna com materiais improvisados.

A crítica jornalística e sua vigilância podem prestar um serviço fundamental à democracia. Mas e quanto ao mundo aqui perto? O que oferecemos de valor ao público, que seja percebido como relevante pelo próprio público, e não apenas pelos jornalistas?

Autor

Jornalista, Mestre em Ciência Política. Editor do Orbis Media Review e Professor do Master: Núcleo de Negócios de Mídia.