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Cloroquina mata ou salva? Usar máscara é vital ou mais uma burocracia? A melhor estratégia para o Brasil é o lockdown ou o isolamento vertical? Os números de pessoas mortas pela covid-19 estão corretos ou foram subnotificados?

Tenho certeza de que você já fez algum destes questionamentos ao longo destes últimos meses. Estamos sendo desafiados a tomar decisões importantes sobre a nossa vida diante de um fato novo e desconhecido, enquanto gerenciamos um volume excessivo de informações. 

No dia 31 de março de 2020, o Departamento de Comunicação das Nações Unidas declarou que junto com a covid-19, o mundo deveria enfrentar outro inimigo: a infodemic. O órgão explicou que o excesso de informações falsas, incompletas e/ou rumores, durante uma emergência sanitária, poderia prejudicar as medidas de saúde pública e gerar confusão e desconfiança entre as pessoas. Todos nós vimos casos deste tipo entre as milhares de informações compartilhadas neste período. Tivemos, por exemplo, vários tratamentos sendo sugeridos: do alho ao cultivo de sementes “santas”. Para combater este mal, a ONU criou uma página para desmitificar alguns rumores sobre a doença e sugeriu que as pessoas privilegiassem fatos, ciência, esperança e solidariedade ao invés de desespero e desunião.

Mas são tantas informações científicas, que fica difícil discernir o que é verdade. As professoras Gaeta Menon e Ellie J. Kyung publicaram um artigo em que afirmam que este excesso de informação causa incerteza[; um sentimento antinatural que gera desconforto nas pessoas. Diante de circunstâncias assim, o sistema cognitivo anseia pelo certo e o seguro. As autoras exemplificam seu argumento afirmando que algumas pessoas sentem-se mais calmas e menos agitadas quando sabem que tomarão um choque elétrico do que aquelas que acham que podem receber um choque elétrico.

Quando temos de lidar com a incerteza, ambiguidade e complexidade, nosso processamento da informação entra em colapso. E se não tivermos um mapa bem definido do caminho a ser percorrido? A quem vamos recorrer?

Gostaria de apresentar algumas reflexões sobre este dilema. Precisamos de um tratamento adequado, caso contrário entraremos na “treva branca” de José Saramago.

OS MEDIADORES DA INFORMAÇÃO

A nossa realidade é composta por elementos objetivos e subjetivos. Quando estamos diante do desconhecido, nos sentimos desamparados e perdidos. Para diminuir a tensão, buscamos a segurança dos especialistas e profissionais.

A pesquisa do Orbis Media Review em março apontou que os sites de notícia e a TV foram os principais canais de novidade sobre a Covid-19. Os resultados positivos indicaram que os brasileiros estavam buscando o jornalismo profissional para se municiar de informações sobre a doença. No mesmo período, a Agência Edelman de Comunicação publicou um estudo feito em dez países – África do Sul, Alemanha, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido -, apontando a comunicação do empregador como a fonte mais confiável neste período; 18 pontos à frente das empresas em geral e ONGs e 27 pontos à frente do governo e da mídia[.

Já a Professora e Pesquisadora do IFF/Fiocruz, Suely  Deslandes, afirmou que a Internet e as redes sociais foram as fontes que trouxeram mais benefícios para a população por favorecer a conscientização e a conexão entre as pessoas. Mas a Professora também alertou que o uso irrestrito destes meios pode gerar um comportamento compulsivo, que aumenta a percepção de um “medo global”. A 11ª onda da pesquisa da Opinion Box no início de junho confirmou esta tendência ao demonstrar que os entrevistados estão investindo mais tempo na Internet e nas mídias sociais, enquanto sentem mais tédio e medo de sair de casa.

O aumento contínuo da utilização destas fontes de informação “não convencionais” reascendeu a discussão sobre a necessidade de uma regulamentação específica. Os políticos brasileiros acharam oportuno aproveitar este tempo para desenvolver formas de controlar as mídias sociais. No dia 30/06/2020 o Senado Nacional aprovou o projeto da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. Acredito que esta decisão abre um precedente perigoso. Para justificar sua ação, o Senado divulgou uma pesquisa do Instituto DataSenado em que a maioria dos entrevistados declarou apoiar a criação de uma lei contra fake news. Um levantamento do Datafolha demonstrou um resultado diferente: 75% dos entrevistados acreditam ter o direito de ter uma conversa privada sem serem rastreados. A China, que é o case de controle social em larga escala, verifica as fotos, vídeos e áudios dos smartphones de todos os seus cidadãos em uma central de análise de dados do governo. O deslocamento de casa para o trabalho é acompanhado por câmeras capazes de reconhecer o rosto da pessoa em milésimos de segundos. As fontes oficiais afirmam que: “apesar de soar intrusivo, o uso de reconhecimento facial é aprovado pela maior parte da população chinesa, que associa o uso destas tecnologias à sensação de segurança”[.

Estas aspirações tecnocratas me lembraram os avisos assustadores da distopia de Orwell: “O Grande Irmão está de olho em você”. A decisão do Senado Federal foi seguida por uma série de manifestações. Representantes das empresas de mídia fizeram declarações incisivas: “estamos decepcionados com a decisão do Senado. As notícias falsas são um grande problema social que existe há séculos em toda forma de comunicação. Estamos combatendo a desinformação por meio de mudanças significativas para reduzir mensagens em massa e virais, que geraram uma redução de 70% nas mensagens altamente encaminhadas no WhatsApp. Forçar as empresas a adicionar um carimbo permanente a todas as mensagens privadas enviadas pelas pessoas marcaria o fim das conversas particulares – tudo o que você disser ou encaminhar seria rastreado e poderia ser usado contra você[. A própria ONU apelou aos políticos no período que precedeu a votação. O relator para Liberdade de Expressão do órgão alertou que: “um dos aspectos que é essencial nos direitos humanos é a liberdade de expressão e há um consenso que qualquer restrição a isso é uma potencial barreira aos direitos democráticos básicos”. O jornalista experiente Alexandre Garcia alertou que existem mentiras nas mídias sociais, mas elas não estão somente ali. As redes aprenderam isso com os meios tradicionais de comunicação.                               

Se é fato que as informações tendenciosas e/ou falsas estão presentes em todos os canais, o primeiro dilema que se impõe é: quem define o que é falso, verdadeiro ou útil para mim?  

De fato, há mais de dois mil anos, Aristóteles já alertava para os riscos da falácia: uma linha de raciocínio falsa, com um objetivo torpe ou desonesto, mas convincente, que parecia verdadeira. Acredito que as redes sociais apenas refletem aquilo que é mais humano. Por isso, a liberdade de expressão deve ser prezada ao máximo em um ambiente livre.

Se é fato que as informações tendenciosas e/ou falsas estão presentes em todos os canais, o primeiro dilema que se impõe é: quem define o que é falso, verdadeiro ou útil para mim?  

O jornalista colaborador do Orbis Media Review João Payne fez um questionamento intrigante em seu artigo: “Trabalhar com verdades é uma tarefa complicada, pois elas nem sempre são fáceis de encontrar, podem ser conflituosas e estão sujeitas às circunstâncias (…) Se verificar fatos, portanto, já é uma tarefa delicada, o que dizer de julgar a intenção daqueles que criam e divulgam conteúdo? Um veículo de fake news, afinal, não é aquele que publica uma mentira ou gafe pontual, mas aquele que age com o intuito de enganar a população, desinformar e manipular. Mas como podemos conhecer a intenção de outros jornalistas ou meros influenciadores?”. 

Um dos senadores propositores da PL2630, quando questionado por um jornalista sobre este risco de concentrar a definição do conteúdo das notícias (se elas são falsas ou não) respondeu categoricamente: “Em uma democracia, em última instância quem decide o que é verdade ou não é o judiciário…”.

Eu acredito que a definição do verdadeiro e útil depende de um empenho pessoal e de um rico debate em um ambiente propício.

A VERDADE E SUAS VÁRIAS FACETAS

Um importante inquisidor já fez esta pergunta há algum tempo: Quid est veritas? (O que é a verdade?). Encontrar a verdade não é um exercício simples. São muitos fatos e factóides disputando nossa atenção diariamente. Não basta realizar uma simples “checagem das fontes” como nos indicou o Senado Federal (se a fonte é confiável o problema está resolvido), é preciso responder estes questionamentos em primeira pessoa.

Para ajudá-los em sua jornada, acho válido demonstrar que a “batalhas de narrativas” é um processo natural da comunicação social. Cada pessoa emite e processa mensagens a partir do seu sistema de referências. Esta “lente” do mundo é única e irrepetível; formada por uma história de vida, experiências, valores, emoções e aspirações transcendentes. Este conjunto de elementos pessoais influencia a forma como uma pessoa interpreta a realidade. Por isso, nenhuma narração de fatos é plenamente isenta, ela sempre portará um pouco do seu transmissor. O jornalista que narra ininterruptamente o número crescente de mortes por covid-19 ou o profissional que alega que seus argumentos estão baseados estritamente na ciência partem de um pressuposto.

Além das posições individuais, estamos inseridos num contexto social mais amplo, que recebe influência de correntes de pensamento poderosas. Carlos Llano, um dos principais professores da Escola de Negócios do México (IPADE) e um dos grandes teóricos da rede de escolas associados ao IESE, descreveu o tecido social pós-moderno com três forças dominantes[.

Para o autor, o funcionamento da sociedade contemporânea tinha dois pilares centrais: o mercado e o estado. Estas seriam as representações de duas instâncias valiosas da vida: o economicismo transacional mercantil e o racionalismo do plano estatal. Partindo desta perspectiva, a relação destes dois pilares se expressaria numa oscilação de correntes: mais Estado e menos mercado ou menos mercado e mais Estado. Com o passar dos anos o âmbito da comunicação coletiva se converteu num fator persuasivo e determinante na sociedade, tornando-se um poderoso ente. Com este esquema, Llano descrevia muitos comportamentos humanos: executivos obtendo dinheiro para adquirir poder, funcionários públicos adquirindo dinheiro por meio do poder e a imprensa conseguindo dinheiro e poder através de sua influência.

Estas forças presentes em nossa história poderiam causar uma homogeneização de pensamento, dificultando a avaliação pessoal.  Segundo o autor, a sociedade pós-moderna permitiu que o Estado, o Mercado e os Meios de Comunicação invadissem a esfera pessoal de análise e decisão: Jornais e a Televisão ditam formas e modelos, o Estado determina as linhas básicas de educação desde a infância e molda as investigações científicas, e o Mercado comercializa a moda, expondo artefatos de status, realização e felicidade.

O livro “A rebelião das Massas” de Ortega y Gasset faz um retrato magistral deste fenômeno: “Há um fato que, para o bem ou para o mal, é o mais importante na vida atual: a ascensão das massas ao completo poder social (…) A massa atropela tudo que é diferente, egrégio, individual, qualificado e seleto. Quem não é como todo o mundo, quem não pensa como todo o mundo corre o risco de ser eliminado”. Observem que este livro começou a ser escrito em 1926! Seu retrato segue atual ainda hoje…  

 O TRATAMENTO ÉTICO

Para Carlos Llano, nenhum destes paradigmas supracitados é suficiente para responder às necessidades da sociedade. A vida humana é mais rica, heterogênea e profunda que qualquer outra realidade. O mundo das relações pessoais não pode traduzir-se exclusivamente em termos de dinheiro, influência ou poder. Para fugir da “bolha” superficial de opiniões, é preciso recorrer ao ethos vital das nossas relações mais íntimas.

Acredito que a vida corrente e ordinária é a saída mais prática para deixarmos o labirinto em que estamos. Muitas vezes nos perdemos em discussões abstratas, teóricas e/ou influenciadas por correntes de pensamento que não correspondem àquilo que vivemos. Neste mundo pessoal, que Edmund Husserl denominou como Lebenswelt (família e amizade), não estamos submetidos ao cálculo transacional ou à ação despersonalizante. Somos acolhidos com a nossa forma de ser, e o debate se torna mais honesto e enriquecedor, porque ali impera a confiança, a alegria e o perdão.

Acredito que neste momento turbulento que estamos vivendo, não podemos renunciar às nossas relações pessoais. Se estamos navegando sem um mapa bem definido do caminho que devemos percorrer, só nos resta “olhar para dentro”. Devemos reavaliar a forma como estamos incidindo sobre esta comunidade silenciosa da família, dos amigos e do trabalho.

Comungo da visão de Carlos Llano de que o que necessitamos não é uma grande mudança estratégica. O “novo normal” logo mais se tornará a antiga vida imprevisível de sempre. O que precisamos é de uma influência maior da vida ordinária em nossas decisões. As escolhas substanciais não dependem dos modelos, mas de uma transformação interna e pessoal.

A verdade não é uma resposta definitiva sobre os desafios da covid-19, ela é uma jornada pessoal! Tenham audácia de avaliar estes dilemas a partir daquilo que mais nos aproxima do real. Não precisamos apenas vencer este vírus, devemos melhorar nossa capacidade de avaliar a realidade e tomar decisões mais prudentes nos espaços em que incidimos hoje.

Coragem!


Um dos fatos positivos que o coronavírus revelou foi o retorno da atenção do público aos veículos de jornalismo profissional, em detrimento das redes sociais. Quando a informação salva vidas, a confiança se restabelece no pacto firmado com quem assume a responsabilidade na produção de conteúdo, ou seja, os veículos.

Organicamente, as audiências passam a enxergar os meios noticiosos com mais credibilidade do que as mensagens assustadoras e sem procedência que se proliferam sobre a covid-19 nas redes sociais. O próximo passo é que os anunciantes também acessem tal nível de lucidez e não se deixem mais enganar por métricas frágeis e não auditáveis.

Quando orçamentos de compra de mídia precisam ser revistos, as marcas operam com margens de retorno menores. Ou seja, não há espaço para errar, muito menos para jogar dinheiro fora. A exposição da campanha precisa, no mínimo, chegar a olhos e mentes de pessoas reais, potenciais consumidores, gente com nome, sobrenome, desejos e, preferencialmente, com cartão de crédito ativo. Qual o sentido em pagar para ser “visto” por um robô ou por um fake?

A atividade das click-farms não é novidade. O mercado do engajamento continua crescendo há, pelo menos, cinco anos, a despeito de qualquer anúncio de cancelamento de conta-fantasma feito pelos proprietários das redes sociais. O pior é que, segundo reportagem publicada em dezembro pelo New York Times, não adianta nem mesmo o usuário real denunciar um perfil falso, pois três semanas depois ele continuaria ativo.

Experimento

Esse teste foi resultado de uma pesquisa conduzida por uma consultoria ucraniana de comunicação digital, chamada Nato Strategic Communication. Primeiro foram usados 300 euros na compra de 5 mil seguidores, 3,5 mil comentários, 25 mil likes e 20 mil views, incluindo para contas de políticos. 

O experimento foi feito sobre centenas de posts de várias redes sociais. Segundo os pesquisadores, “houve pouca ou nenhuma dificuldade” na compra. Instagram foi categorizado como “o mais barato e o mais fácil de ser manipulado”. Segundo este outro estudo, mais da metade dos influenciadores brasileiros apresentam métricas infladas, ou seja, irreais.

Os caminhos para fraudar métricas de redes sociais são tantos que as próprias plataformas se tornaram incapazes de sanar a situação – considerando que elas próprias não joguem o mesmo jogo e faturem sobre o teatro que criaram aos anunciantes, impossível de auditar.

Assim como o mercado de influencers se desenvolveu e projetava movimentar de 5 a 10 bilhões de dólares neste ano, a compra e venda de resultados também acontece de forma paralela aos controladores das plataformas. São eles quem criam as regras, porém. E se tais regras permitem que o negócio seja facilmente passível de fraude, não há forma de serem isentos da responsabilidade.

“Cheguei a 1 milhão de seguidores!”

O problema se torna ainda mais grave quando usuários e empresas acreditam nestas métricas como uma régua para avaliar o seu desempenho profissional. Um exemplo clássico acontece sempre que algum colega me conta, com entusiasmo, que bateu 1 milhão de fãs no Facebook.

Aliás, isso aconteceu novamente há três semanas. E minha reação foi a mesma de sempre: “Então, colega…” – respiro fundo, cheia de culpa por ser a portadora da má notícia – “A quantidade de seguidores em qualquer rede social não significa absolutamente nada!

A reação neste caso mais recente foi assim:

— Mas é tudo orgânico! Juro que a gente não comprou!

E eu acredito, disse a ele. O esquema de valoração das atividades e produtos de mídias sociais são tão enganosos que mesmo aqueles que agem corretamente, alimentam um perfil com dedicação e empenho e não compram fãs nem likes também são impactados pela ação de fakes e bots.

Como funciona o mercado de métricas

Na tentativa de simular um comportamento humano, perfis criados por click-farms interagem gratuitamente com usuários e páginas do mundo todo. Dessa forma, se tornam alvos mais difíceis na hora em que são contratados e têm de adotar um padrão de atividade de spam.

Outra forma de burlar o sistema de métricas é através dos pods, que são grupos de “curtidores profissionais”, geralmente organizados via Telegram ou WhatsApp. Sempre que um integrante de um pod posta algo no grupo, todos devem curtir, comentar, compartilhar, visualizar, listar, seguir, etc. Os perfis associados aos pods geralmente são exclusivamente criados para esta finalidade.

O esquema nem precisa ser refinado para inventar resultados. Donos de contas com orçamento mais modesto escolhem pelo follow massivo, cujo resultado esperado é o follow-back orgânico. Dois ou três dias depois, no entanto, a conta que adotou follow massivo deixa de seguir os perfis verdadeiros já atraídos. Aliás, essa costuma ser a estratégia adotada por criadores de perfis – que mais parecem criadores de gado – dedicados a “engordar” as métricas. Afinal, a arroba do boi gordo costuma valer mais.

Vendedor de perfil do Instagram chega a expor os analytics da conta para promover seu trabalho de “engorda orgânica”

É simples detectar um perfil que adotou follow massivo. Geralmente a quantidade de contas seguidas é muito superior ao número de seguidores. A propósito, ainda segundo os analistas da Nato, um usuário que segue mais de 1.500 perfis já é considerado massivo.

O artigo do NYT menciona outro caminho de fraudar os resultados das redes sociais citado pelos pesquisadores: “Examinar o engajamento falso é importante porque não são apenas perfis fake que poluem o ambiente informativo. Pessoas reais podem usar suas contas reais para produzir comportamentos falaciosos que distorcem o discurso online e viralizam”.

Fóruns como o Reddit estão povoados por comunidades que operam os negócios mais escusos da surface web (que é esta parte superficial que todos acessamos, ou seja, está visível para todos, mesmo sem login e não escondida como a deep web).

Ativo e acessível a todos – inclusive às empresas de redes sociais -, fóruns de compra e venda de contas e outras métricas se multiplicam na surface web.

O mercado paralelo das métricas que dá vida a outros mercados paralelos para onde são direcionadas as verbas publicitárias dos anunciantes é uma estrutura engenhosa e criativa. Empresas especializadas na criação e no “cultivo” de perfis para venda seguem padrões visuais, linkam para sites oficiais de marcas na busca por credibilidade ao perfil e confiam na avidez pelo consumo de conteúdo de nicho. Estes perfis costumam ter poucos ou nenhum seguidor, usam palavras comuns como nome e são diretamente associáveis a comunidades de hábitos. Além disso, publicam conteúdos geralmente positivos ou inspiradores, de fácil aceitação pelo usuário médio.

Expressões usuais, que identificam comportamentos de comunidades são “nutridos” com mensagens positivas e inspiradoras para atrair usuários organicamente. Uma vez que estão bem povoados, são colocados à venda.
As ofertas de compra e venda de perfis são abertas – e “negociáveis”.
Identidades visuais e descrições generalistas marcam perfis temáticos que, depois de somarem uma grande quantidade de seguidores, são vendidos a empresas do ramo.
Marcas reais são apropriadas por contas fake. A prática já vem desde os tempos de Orkut e Twitter.

Mas se este mercado existe, é porque alguém compra nele!

O que leva o dono de um hotel de luxo anunciar a demanda por um perfil com mais de 20 mil seguidores? A covid-19 não deixou margem de receita para nutrir métricas de vaidade. Ou os seguidores de uma conta são verídicos a ponto de se converterem em clientes e gerarem negócio, ou quem busca o perfil de 20 mil seguidores não é exatamente o dono do hotel de luxo, mas alguém que presta serviço a ele.

É assim que chegamos ao problema do título deste artigo: num cenário de crise, toda a verba investida precisa dar retorno. Um veículo crível e buscado ativamente por quem precisa de informação sólida tem muito mais condições de oferecer uma audiência concreta, verdadeira e com métricas auditáveis. Mesmo na crise, gente de verdade consome. Já bots e fakes…

A transformação que o mundo atravessa, diante da pandemia do novo coronavírus, está abalando diversas indústrias — inclusive a jornalística. Sem previsão para o fim da crise sanitária e econômica, anunciantes seguram o bolso. Em consequência, cai a verba publicitária que sustenta os veículos de comunicação, sobretudo aqueles que não têm assinatura como uma de suas fontes de receita.

Aqui no Brasil, empresas de mídia começaram a cortar o salário de jornalistas, seguindo a MP 936, que permite a redução de remuneração (em 25%, 50% ou 70%) proporcional à jornada de trabalho. As inevitáveis demissões já se confirmam em grupos como Abril e RBS. Os jornalistas se deparam com um cenário de instabilidade financeira, que parece aprofundar a crise na profissão em suas diversas frentes — de credibilidade, de influência e, claro, de mercado.

A mídia perdeu o monopólio da comunicação, e audiências pulverizadas foram se conectando cada vez mais a perfis pessoais e ideológicos em detrimento de publishers.

Desde a década passada, o jornalismo tem visto sua reputação colocada em xeque ao ser atacado duramente por governantes. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rotulou a imprensa americana de “fake news media” e “inimiga do povo”. Diferentemente de outras épocas, desta vez o desprestígio contou com expressiva adesão popular; cada vez mais, os americanos confiam menos na mídia

No Brasil, o boicote do presidente Jair Bolsonaro, fã de Trump, à imprensa tem sido semelhante. Perseguição a jornalistas e relatos de desrespeito e humilhação se tornaram comuns na cobertura do Palácio do Planalto, em Brasília. Só nos três primeiros meses de 2020, foi um ataque a cada três dias, aponta levantamento da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Por aqui também, reportagens apuradas e que apresentam pluralidade de versões são tachadas de “fake news” por apoiadores do mandatário.

Além disso, a massificação das redes sociais e a popularização de smartphones permitiram a eclosão de inúmeros canais e formadores de opinião na web. Influenciadores, creators, youtubers, blogs e páginas afiliadas a movimentos sociais ou partidos políticos passaram a disputar com veículos a atenção de leitores e espectadores. A mídia perdeu o monopólio da comunicação, e audiências pulverizadas foram se conectando cada vez mais a perfis pessoais e ideológicos em detrimento de publishers. Como resultado, a influência da imprensa diminui, e a desinformação, muitas vezes fomentada pelos players em ascensão, impera.

Apesar de tanta má notícia para o jornalismo, a pandemia acarretou mudanças na rotina produtiva da notícia e no consumo de informação, que podem ser tanto oportunidades quanto esperanças para nossa profissão. 

A constatação de que é possível produzir um bom jornalismo de qualquer lugar, mesmo ao lado de onde você acorda, pode ajudar a salvar o nosso negócio!

Os 5 fatos que listo a seguir podem não ser a solução para o jornalismo, mas seguramente servem de farol para diretores de redação, executivos dos veículos de comunicação e estudiosos que, como eu, buscam o modelo de negócios ideal para produção de conteúdo de qualidade:

1. O zap e o Face estão em baixa na confiança dos brasileiros

A TV e os jornais são os veículos de comunicação em que os brasileiros mais confiam sobre informações do coronavírus. A constatação foi de pesquisa Datafolha publicada em 23 de março. A televisão conta com 61% de confiança; os jornais, 56%; rádio, 50%; e, mais atrás, os sites de notícia, 38%. WhatsApp e Facebook têm apenas 12% de confiança cada um. 

Mas o dado que sobressai é o nível de desconfiança nas duas marcas de Mark Zuckerberg em relação aos conteúdos divulgados da Covid-19: 58% não confiam no zap e 50% não confiam no Face. A desconfiança na TV, jornais e rádio não passa dos 12%. Em sites de notícia, 22%. Como jornalista, é um alento saber que a população reconhece no jornalismo profissional a informação mais confiável para basear práticas de prevenção da doença.

2. Audiência do jornalismo cresce na TV e na Internet

A pesquisa Consumo de Informações sobre o Coronavírus no Brasil, do Orbis Media Review, aponta que os sites de notícia e a TV aberta são os principais canais de novidade sobre a Covid-19. Dos 240 entrevistados de 25 de março a 2 de abril, 78% se informam a partir de portais e 54% pela TV.

Em linha com os números do Datafolha e do Orbis Media Review, os resultados positivos de sites de notícia e canais de TV nos últimos meses indicam que os brasileiros estão correndo para o jornalismo profissional para se municiar contra a Covid-19. Maior portal brasileiro, o UOL informou que em março a cobertura da crise do coronavírus levou a “índices sem precedentes de audiência”. Foram quase 1 bilhão de visitas, de acordo com o Google Analytics. Em abril, a Folha atingiu recorde de páginas vistas, embalada também pela crise política. 

Na TV aberta, programação especial de coronavírus elevou a audiência da Rede Globo. Na TV paga, o segmento de notícias foi o que mais cresceu durante a quarentena. Apenas de 9 a 22 de março, o aumento no número de aparelhos ligados nos canais all-news foi de 111%.

3. Jornalismo científico e de saúde ganha relevância

Não é surpresa que mais reportagens de saúde e de ciência estejam nas manchetes dos jornais e sites de notícia. Afinal, a curiosidade sobre a doença, as descobertas mais recentes sobre o vírus, as dúvidas sobre os tratamentos potenciais, a expectativa pela vacina, tudo isso está na pauta do dia. O jornalismo cola na ciência, e ambos reafirmam mutuamente sua importância — um dueto mais do que necessário em tempos de negacionismo.

No HuffPost, onde trabalho, temos uma repórter totalmente dedicada à saúde e à ciência. Ela tem conseguido antecipar estudos, como o que relaciona desigualdade social a acesso a testes de Covid-19 no Brasil, e deu furos como o da limitação de confiabilidade dos testes rápidos, que depois virou notícia no Globo

Segundo a pesquisa do Orbis Media Review, há uma demanda substancial por pesquisas sobre a cura ou vacina do coronavírus (50% dos entrevistados). Como não há horizonte para o fim da crise de saúde e da busca por esse tipo de informação, o jornalismo científico se apresenta como um dos caminhos mais promissores para a imprensa.

4. A “redação distribuída” veio para ficar

Diversas redações de jornais e sites de notícia estão operando integralmente via home office. Se num primeiro momento emergiram as dificuldades de trabalhar de casa e focar individualmente em tarefas que antes se faziam coletivamente, em voz alta e com muito barulho, os jornalistas vão se adaptando ao novo ambiente de trabalho, onde mais uma vez as tecnologias digitais ganham protagonismo inequívoco.

“As infraestruturas digitais implantadas agora devem ser mantidas e desenvolvidas para funcionar paralelamente aos espaços físicos. Ao fazer isso, nós podemos capitalizar em todas as coisas que mantêm o trabalho distribuído tão efetivo.”

Tom Treweinnard

Em entrevista ao Jornalistas&Cia, o editor de Esportes do Estadão, Robson Morelli, conta que todos os profissionais estão trabalhando remotamente. “Nós agora estamos nos contatando via ferramentas de meeting, videoconferências, e o processo fica mais lento, mas funciona. Alguns especialistas dizem que talvez essa situação possa vir a se tornar um legado, pois as pessoas se deram conta de que é possível trabalhar remotamente sem perder a qualidade do que é feito”, opina.

A observação de Morelli vai ao encontro da tese do cofundador da Fathm, consultoria americana de jornalismo digital, Tom Treweinnard. No artigo A crise do coronavírus vai acabar em algum momento, mas a redação distribuída veio para ficar, publicado pelo NiemanLab, ele lista os benefícios dessa nova dinâmica do jornalismo, que deixou temporariamente os limites espaciais das redações para estar espalhada pelas residências dos jornalistas.

“As infraestruturas digitais implantadas agora devem ser mantidas e desenvolvidas para funcionar paralelamente aos espaços físicos”, escreve Treweinnar. “Ao fazer isso, nós podemos capitalizar em todas as coisas que mantêm o trabalho distribuído tão efetivo.”

O home office seguramente reduz custos de uma redação. Gastos com instalações, manutenção do espaço, seguros, segurança, limpeza: tudo isso pode ser poupado se o local de trabalho dos editores for sua casa. A constatação de que é possível produzir um bom jornalismo de qualquer lugar, mesmo ao lado de onde você acorda, pode ajudar a salvar o nosso negócio!

Treweinnar também relata que este novo cenário tem implicações positivas para acessibilidade e diversidade. Como boa parte dos grandes veículos de comunicação fica em capitais e em bairros centrais, há entraves econômicos, sociais e espaciais para que jornalistas de periferias, oriundos de cidades menores e com deficiência física possam integrar os quadros dessas empresas. A redação distribuída seria mais inclusiva na medida em que o deslocamento para o centro não seria mais pré-requisito para trabalhar no jornal X ou no site Y.

5. Esta é a hora da reconexão com o público 

Além do medo do novo coronavírus e dos efeitos econômicos da pandemia, como o desemprego e a pobreza, o próprio isolamento é uma preocupação constante. Como passar o tempo, de que modo enfrentar o tédio, como contornar a ansiedade, a solidão e até a depressão são questões que perpassam pessoas de todas as faixas etárias nesta quarentena.

Esta é uma oportunidade única para o jornalismo fazer-se importante, para além de noticiar sobre o novo coronavírus. Muita gente, aliás, não quer saber de doença. A busca por boas notícias saltou no Google americano, de acordo com o The New York Times. Os Estados Unidos lideram hoje o ranking da Covid-19, com mais de 1,1 milhão de casos confirmados.

A National Geographic criou duas newsletters com fatos positivos para enviar aos leitores durante este período de pandemia. “As pessoas estão buscando uma razão para continuar”, afirmou o editor-executivo de newsletters, David Beard, ao NYT. Uma newsletter é dirigida aos pais e filhos — para “explorações” em família — e a outra, intitulada Your Weekly Escape traz histórias de pessoas e lugares extraordinários, com as belíssimas imagens que são características da publicação. “Eu penso nela [Weekly Escape] como um app de meditação, mas é jornalismo“, resume Beard.

No Brasil, as lives são ferramentas poderosas de informação, comunicação e entretenimento que têm se popularizado ainda mais nesta quarentena. De custo relativamente baixo, se comparado ao aparato de produção de vídeo de TVs e estúdios, a transmissão ao vivo de uma entrevista, um bate-papo sobre um tema de interesse da audiência pode estreitar vínculo com os leitores-seguidores no YouTube, Twitter, Facebook e principalmente Instagram.

No HuffPost, também escolhemos fazer lives de temas que fogem do novo coronavírus. Os seguidores do Instagram são convidados a participar de cineclubes, conversas com estrelas de reality show e debates sobre temas de comportamento da atualidade. As perguntas dos leitores são tão importantes quanto a do jornalista que conduz a entrevista. 

Este senso de pertencimento e participação pode contribuir com o resgate da confiança nos veículos de comunicação. Como diz o pesquisador João Arantes, “se a mídia puder dialogar com o público e contribuir com o bom conteúdo que é capaz de produzir, sua função já estará sendo cumprida e o debate público se tornará ainda melhor”.


As opiniões expressas neste artigo não correspondem, necessariamente, ao posicionamento do Orbis Media Review.

O que é uma comunidade? Um grupo de indivíduos que compartilham uma preocupação mútua pelo bem estar uns dos outros.


Charles H. Vogl, The Art of Community

Estes são tempos difíceis para todos. Mesmo aqueles que estão saudáveis podem se sentir entediados, ansiosos e com medo.

Como resultado, gerentes de comunidades virtuais estão percebendo um aumento na intensidade emocional. Em três sessões, este artigo irá oferecer conselhos sobre como gerir, dar suporte e atender a sua comunidade em um momento como este:

  • O que as pessoas precisam
  • Como reagir
  • Medidas essenciais

O que as pessoas precisam

Durante crises, há dois tipos de pessoas: aquelas que precisam de ajuda e pessoas que desejam ajudar.

Se trata das mesmas pessoas em diferentes momentos, cujas atitudes se baseiam em suas situações atuais.

Neste momento, membros de sua comunidade possuem algumas necessidades centrais, que incluem:

  1. Pessoas querem informações
  2. Pessoas querem se sentir menos solitárias
  3. Pessoas querem se sentir úteis
  4. Pessoas querem processar seus sentimentos e ver que outros se importam com elas
  5. Pessoas querem ajuda em termos materiais

1. Pessoas querem informações

Este é um momento de incertezas e de rápidas mudanças. O público está buscando informações confiáveis bem como conselhos da mídia e entre si. Encontre especialistas e dê a eles uma plataforma para falar. Tenha certeza de que qualquer coisa que você compartilhar esteja atualizada e verificada – onde for possível, compartilhe links de suas fontes.

Se assegure de que sua comunidade possa facilmente ver o dia e a hora em que as informações foram compartilhadas. Se você estiver preocupado com a possibilidade de o Google indexar uma publicação sua que seja temporal, considere adicionar uma nota de esclarecimento para os leitores sobre a o quão atual uma informação é, linkando este dado a fontes que sejam frequentemente atualizadas.

2. Pessoas querem se sentir menos solitárias

Comunidades dizem respeito à conexão e esta pandemia está isolando todos nós. Veja como você pode providenciar formas de conectar os membros mais isolados de sua comunidade e criar maneiras de fazê-los se sentirem mais acolhidos e engajados.

Rotinas podem ajudar no estabelecimento da normalidade. Veja se há maneiras pelas quais sua comunidade possa se reunir regularmente para uma atividade, como discussões semanais sobre um dado assunto.

3. Pessoas querem se sentir úteis

Descubra maneiras de as pessoas se apoiarem e se ajudarem entre si. Pode ser criando e gerenciando sistemas para que elas ajudem os outros, com o Google forms, ou convidando membros da comunidade a assumirem papéis de apoio como “acolhedores de novos membros” ou “pessoa que organiza atividades para outros”.

Se você estiver facilitando um sistema de apoio, saiba que isso exigirá um gerenciamento de recursos. Você não quer criar uma situação em que alguém esteja contando com um voluntário de sua comunidade para um serviço essencial e que, com toda a boa intenção, essa pessoa não consiga executar a tarefa de forma segura.

Sempre que possível, conecte pessoas com recursos existentes em suas áreas ao invés de tentar replicar estes serviços com versões com finalidade própria.Se você de fato decidir preencher uma necessidade em sua comunidade, tente fazer uma parceria com uma organização sem fins lucrativos que pode ajudar a garantir que você esteja bem colocado para dar suporte efetivo às pessoas.

4pessoas querem processar seus sentimentos e ver que outros se importam com elas

Neste momento, todos estão processando um novo tipo de intensidade emocional. Uma das formas que usamos para processar emoções é enquadrando esses sentimentos em uma linguagem. Neste artigo da Harvard Business Review, David Kessler explica que a experiência que estamos atravessando agora é uma forma de luto:

“A perda da normalidade; o medo do custo econômico; a perda das conexões. Isso está nos atingindo e estamos de luto. Coletivamente. Não estamos acostumados a este tipo de luto coletivo no ar… Estamos também sentindo um luto antecipado. Luto antecipado é aquele sentimento que passamos a ter quando estamos incertos sobre o que o futuro nos reserva. Com um vírus, esse tipo de luto é muito confuso para as pessoas. Nossa mente primitiva sabe que algo ruim está acontecendo, mas você não consegue enxergar o que é. Isso quebra o nosso sentido de segurança.”

David Kessler

Este momento é aterrorizante para muitos e parece injusto. Membros de sua comunidade podem estar lidando com dificuldades econômicas, perda de liberdade, aumento do estresse por estarem presos em casa com seus parentes e filhos. Além disso, podem estar enfrentando a doença ou a morte de um amigo próximo ou membro da família. Muitos desejarão compartilhar essas dores com outras pessoas, incluindo sua comunidade. Seu papel aqui é testemunhar, reconhecer, oferecer compaixão e fazer com que cada pessoa sinta que foi ouvida.

5. Pessoas querem ajuda em termos materiais

Veja a discussão acima sobre a criação de uma infraestrutura para ajudar as pessoas a se apoiarem.

Você deve ter uma diretriz estabelecida para quando as pessoas começarem a compartilhar pedidos de financiamento para apoiarem a si e seus negócios.

Não há uma resposta correta aqui – proibir estes financiamentos irá ajudar as pessoas a evitar possíveis golpes, mas também pode levar membros centrais de sua comunidade a se tornarem incapazes de alcançar outros que desejam ajudar em um momento de necessidade. Se você decidir permitir pedidos de financiamento, você deveria identificar de onde eles vêm e postar avisos claros para que todos fiquem atentos a URLs falsas (como aquelas que parecem links do PayPal mas na verdade são esquemas fraudulentos ou desonestos).

Como reagir

Desinformação

Estamos vendo muitas pessoas compartilhando desinformações sobre a doença e sua disseminação. Isso não é normalmente feito com a intenção de causar danos e sim de ajudar – a maioria das pessoas não é especialista em diferenciar a boa da má informação, podendo confiar em fontes que você não considera confiáveis.

Nós recomendamos remover comentários que contenham desinformação e, se você observar padrões de desinformações que são compartilhadas, escreva um artigo de sua autoria para corrigir equívocos. O site First Draft News tem uma série fantástica de dicas e recursos para ajudá-lo com isso. A lista no fim deste artigo, começando a partir do trecho que diz “Aqui estão algumas coisas para ter em mente quando abordamos conteúdo manipulado” é particularmente útil, assim como o é o guia “Fazendo reportagens responsáveis em uma era de desordem informativa”.

Um impressionante volume de questões

Para organizações jornalísticas, a rádio educacional KPCC criou um excelente documento de engajamento baseado em seu uso da ferramenta Hearken para responder questões da comunidade. Eles identificaram diferentes categorias de consulta com um claro fluxo interno de como responder cada uma das questões. Você pode achar útil pegar essas categorias e descobrir como e onde sua comunidade pode reagir a elas.

Questões e pedidos repetidos

Só porque você respondeu uma questão uma vez, não pode esperar que todos tenham visto sua resposta ou lembrem dela. Neste momento de confusão e incerteza, você também pode ver um número esmagador de questões e preocupações. Garanta que seja claro e fácil encontrar respostas relevantes e que as informações fornecidas permaneçam atualizadas.

Membros da comunidade estressados e com raiva

Este é um momento em que sua paciência e generosidade são mais necessárias do que nunca. Você pode ter que alterar as regras e permitir que as pessoas fiquem mais chateadas do que o normal – mas não jogue fora todas as suas diretrizes. Todos em sua comunidade precisam se sentir seguros e protegidos por você em seu espaço.

Você precisa se manter calmo, ser acolhedor e compassivo. Se você costuma ser otimista e feliz, pode ser que precise se reajustar um pouco, assumindo que todos estão ansiosos e estressados. Não diga às pessoas que tudo ficará bem pois pode ser que isso não aconteça. Ter compaixão e responder perguntas, ao invés de assumir a situação vivida por alguém, será um longo caminho a ser percorrido.

Como a ex-diretora de operações da MetaFilter, Jessamyn West, escreveu em um de nossos guias comunitários, “Uma das ferramentas que mais usamos é enviar e-mails a usuários dizendo ‘Ei, está tudo bem?’” Você pode precisar checar como estão as pessoas com mais frequência do que fazia no passado. Se puder fazer isso, elas irão apreciar.

Além disso, lembre-se de que você não é um terapeuta e que não é o seu trabalho tomar o lugar de um. É OK dizer “isso parece ser muito difícil, sinto muito”, ao invés de tentar consertar as coisas. Isso pode ser suficiente para que as pessoas sintam, se não melhores, ao menos que foram vistas e ouvidas.

Seja humano, mas não muito humano. Embora a sua comunidade irá frequentemente apreciar te identificar como uma pessoa real ao contrário do “Moderador 7”, se você estiver se sentindo estressado e chateado não traga isso para dentro da comunidade que você gerencia. Isso irá aumentar o estresse e a ansiedade dos outros, que podem se sentir desconfortáveis em lhe pedir apoio e recursos. Tal atitude pode danificar a estabilidade de sua comunidade. Encontre outros lugares de apoio que não sejam em comunidades que você gerencia.

Medidas essenciais

Permaneça focado em sua missão principal de antes da pandemia e mantenha o foco em como essa missão se conecta, neste momento, com as necessidades de sua comunidade. Esteja pronto para redirecionar essa demanda para outros lugares, caso não possa ou não deva fornecer um serviço ou estrutura de suporte.

Não fique dependente de uma pessoa para nada. Qualquer um de nós poderia ficar doente ou precisar tomar conta, sem aviso prévio, de um familiar enfermo. Garanta que alguém que você confia tenha acesso às senhas, caixas de e-mail e outros sistemas que você usa. Se um endereço de e-mail pessoal está atualmente sendo usado em sua comunidade para o relato de queixas ou problemas, considere fazer uma mudança para um e-mail genérico e compartilhado.

Esteja ciente de traumas secundários. Administrar uma comunidade neste momento pode ser um trabalho emocionalmente desgastante, especialmente se você estiver lidando com discussões sobre morte e dificuldades econômicas. Esteja atento para estes sinais de traumas secundários e peça às pessoas ao seu redor para que façam o mesmo.

Jamais lide com sua comunidade caso esteja cansado, faminto ou de qualquer outra forma emocionalmente vulnerável. Você não será capaz de dar suporte a outros e poderá causar danos duradouros com suas ações.

Seja gentil. Fique calmo. Beba água. Faça pausas regulares.

Finalmente…

Este é um trabalho difícil e importante. Obrigado por estar presente para sua comunidade quando ela mais precisa de você.


Conteúdo originalmente publicado pelo Coral Project, da Vox Media, e licenciado por Creative Commons (CC BY 4.0).

O aumento nos índices de audiência registrados em veículos jornalísticos tem sido uma das raras boas notícias que recebemos nas últimas semanas. No Brasil e no exterior, o número de espectadores em canais de notícia e de usuários em sites jornalísticos ainda sobe generosamente. Segunda a ANJ, o tráfego em versões digitais de revistas e jornais cresceu 40% já no final de março. De fato, 45% dos participantes da pesquisa Consumo de Informações sobre o Coronavírus no Brasil, publicada pelo Orbis Media Review, admitiram estar prestando mais atenção no conteúdo jornalístico e uma inquestionável maioria de 78% da amostra se informa através de sites de notícia.

Pesquisa Consumo de Informações sobre o Coronavírus no Brasil –
Orbis Media Review, abril/2020

Na Europa, produtos de jornalismo digital também receberam mais atenção do público de janeiro ao final de março. Uma pesquisa da Comscore mostrou que sites de notícia pularam do terceiro para o segundo lugar no ranking de visitas na França e na Alemanha. Na Itália, no Reino Unido e na Espanha estas páginas mantiveram o segundo lugar na preferência dos usuários, mas registraram um aumento de tráfego entre 54% e 68%

Tudo o que sobe…

O fenômeno tem data de validade e, nos Estados Unidos, os números de audiência já estão voltando ao normal. Mas o mês de março representou um aumento médio de 57% nas taxas de visita e 46% no tempo de permanência em sites de notícia. Marcas fortes da indústria da mídia, como Los Angeles Times, Wall Street Journal, Wired e o próprio NYT praticamente duplicaram seus resultados em tempos de Coronavírus. O aumento de interesse da população por notícias foi fortemente amparado pela derrubada dos paywalls destes e de tantos outros veículos digitais, inclusive no Brasil.

A informação “quer” ser grátis?

A possibilidade de consumir gratuitamente conteúdos que, até então, eram restritos a assinantes torna o crescimento algo esperado. O problema é que ainda não se sabe se o aumento na audiência virá acompanhado por um crescimento de vendas de assinatura. 

Dos 67% dos nossos entrevistados que não assinam nenhum serviço jornalístico, 75% disseram que o Coronavírus não foi capaz de convencê-los a pagar por notícias e 20% confessaram estar menos dispostos a assinar um veículo do que antes da pandemia.

As empresas de mídia que abriram seus conteúdos a não assinantes o fizeram por entender que a informação, em períodos de crise, assume um caráter de bem público. De fato, somando os fenômenos da pandemia e das fake news, entregar notícia checada à população pode marcar a diferença entre ser infectado ou não. E justamente por esta razão é que a informação correta produzida pelo jornalismo tradicional nunca foi tão cara.

Em 1984, quando o jornalista de tecnologia Steven Levy sentenciou a frase “A informação quer ser grátis” – porque ela só pode ser multiplicada e nunca subtraída – Steward Brand rebateu com a seguinte pensata:

“Por um lado, a informação quer ser cara, por ser tão valiosa. A informação certa, no lugar certo muda a sua vida. Por outro lado, a informação quer ser grátis, porque o custo de acessá-la está sempre caindo. Então você tem essas duas forças lutando uma contra a outra.”


Steward Brand, 1984

Note que Brand fala em “custo de acesso” e parece ignorar o “custo de produção”. De qualquer forma, em meio a uma crise sanitária global, a informação certa, na hora certa pode valer a vida, assim como máscaras, luvas, álcool e respiradores também marcam uma diferença vital.

Grandes corporações lançaram-se à iniciativa de mitigar a disseminação do vírus: a Vale e a Petrobras doaram testes, a Ambev se pôs a produzir álcool gel, Dior, Gucci, Prada e Channel confeccionaram máscaras higiênicas. E as empresas de mídia, como poderiam ajudar? Com informação, é claro! Ocorre que nenhuma das empresas citadas têm no produto doado o seu core business. Só a indústria jornalística doou seu principal produto, renunciando à fonte de geração de receita.

Efeito rebote

O que foi socialmente aplaudido já mostra sinais de desgaste. Vinte dias após contar o aumento na audiência dos veículos digitais, o mesmo New York Times noticiava que, aproximadamente, 28 mil trabalhadores da indústria da mídia norte-americana haviam sido afetados pelo rombo econômico causado pelo Coronavírus. Entre demissões, reduções de jornada e de salários, as empresas jornalísticas tentavam recuperar uma perda brutal na receita publicitária.

Mas qual anunciante não gostaria de aparecer em players com audiência em alta? O aumento pelo interesse em notícias, entre a população, não deveria refletir em mais investimentos publicitários nos veículos? 

O analista de mídia dinamarquês Thomas Baekdal diz que este é um problema de foco. Em tempos de crise, os anunciantes não estão dispostos a vincular suas marcas a notícias de caráter negativo. “Este é um jeito muito ineficaz de anunciar”, pondera. Soma-se a isso o fato de que as próprias empresas anunciantes enfrentam a mesma crise, reduzindo amplamente seus budgets publicitários.

Assim como existem os news avoiders – que em nossa pesquisa responderam por 11% da amostra -, algumas marcas evitam deliberadamente aparecer próximas a notícias ruins. “Acontece a mesma coisa com notícias sobre terrorismo ou política. Temos visto bons jornais terem aumento de tráfego justamente por conta de conteúdos sobre estes assuntos, mas não são bons tópicos para aparecerem ao lado de uma peça publicitária”, justifica o analista dinamarquês.

É por esta razão, continua Baekdal, que as assinaturas são tão importantes agora.

A conta não fecha

Diante da encruzilhada entre a responsabilidade social e a sobrevivência financeira, alguns veículos já voltaram atrás na decisão de fornecer acesso grátis ao seu conteúdo. O Miami Herald lista uma série de ações ancoradas por seu time editorial na cobertura do Coronavírus. “Nós oferecemos tudo isso de graça. Agora, simplesmente não podemos mais fazer isso”, lamenta o comunicado, anunciando o retorno do paywall.

A Vox, que diz ter coberto a evolução do vírus desde janeiro, se orgulha por ter seus vídeos traduzidos a 75 idiomas e ter tido uma reportagem compartilhada por Barack Obama nas redes sociais. “Mesmo com um crescimento recorde de audiência, a indústria da mídia não está imune aos efeitos da desaceleração na economia”, reconhecem os editores num apelo a quem tem “dinheiro sobrando”. O pedido de ajuda financeira começa com 7 dólares por mês.

Aqui no Brasil, uma das notícias mais fortes até agora foi a possível descontinuação das atividades do Buzzfeed no país. Assim como na Alemanha, o Buzzfeed brasileiro depende de um parceiro de investimento a ser encontrado até o final de abril. Caso contrário, as operações locais deverão ser encerradas.

Estamos ensinando às pessoas que, sempre que algo importante acontece, as notícias serão grátis.

Thomas Baekdal

Não foi possível, ainda, conectar a derrubada dos paywalls à queda financeira dos veículos. A razão maior tem sido o enxugamento da receita publicitária. Apesar disso, é necessário reconhecer que a sustentabilidade da indústria corre riscos e esta pode não ser a melhor hora para abrir mão de qualquer fonte de receita.

Por outro lado, há casos como o da revista The Atlantic, que anunciou a chegada de 36 mil novos assinantes somente durante o mês de março. Sem ainda termos clareza sobre qual será a tendência na venda de assinaturas para o período pós-quarentena, ouvimos Baekdal chamar a atenção para o impacto cultural que a derrubada dos paywalls pode causar na população.

Da generosidade à obrigação

O analista de mídia dinamarquês Tomas Baekdal apresenta uma série de justificativas e cenários que apontam ao fato de que a derrubada dos paywalls, mesmo durante a crise do Coronavírus, não foi uma boa estratégia para os veículos.

Assim como a NHK abriu seu sinal para o mundo todo nas semanas que sucederam ao acidente nuclear de Fukushima, a Covid-19 tornou o conteúdo grátis. Para o senso comum, explica Baekdal, isso significa que durante crises não se deve pagar por notícias. O que começou como um gesto de solidariedade dos publishers pode se tornar obrigação perante a sociedade. 

“Estamos ensinando às pessoas que, sempre que algo importante acontece, as notícias serão grátis”, argumenta Baekdal. Este seria o novo “normal” algo que as pessoas já poderiam esperar e até mesmo demandar das empresas de mídia.

Fica simples entender o ponto de vista do analista dinamarquês quando se aborda a gratuidade das notícias a partir das operações corporativas, que envolvem o pagamento de salários de jornalistas. Para ele, pagar por notícias é o mesmo que pagar por compras no supermercado, por uma passagem de ônibus ou uma entrada no cinema. Só que não demandamos gratuidade de outras indústrias

“Jornais custam dinheiro para serem feitos, temos despesas para pagar, edifícios para manter e jornalistas que precisam de um salário. Se dermos nossas notícias de graça, aí sim é que não faremos qualquer receita. Portanto, independentemente de como olharmos para esta situação, como publishers, precisamos pedir que as pessoas paguem pelo nosso trabalho, e isso é ainda mais importante agora, quando a publicidade sofre uma diminuição massiva”, calcula Baekdal.

Obviamente, poucas pessoas poderão pagar por notícias agora, mas nós não pagamos nossas despesas com notícias grátis”, ironiza. É a velha cena absurda de chegarmos no caixa do supermercado e oferecermos qualquer coisa ao operador em troca de nossas compras, menos dinheiro ou cartão.

Não é possível ignorar as diferenças entre a notícia como produto e qualquer outro serviço ou mercadoria. Da redação pra fora, o jornalismo exerce uma função social de valor financeiramente inestimável e a missão de servir à população é um chamado ao acesso livre e gratuito da informação. Da redação para dentro, além dos valores editoriais, há uma operação comercial legítima: folhas de pagamento, boletos vencidos, plano de saúde, vale alimentação, pais e mães de família dedicando tempo e conhecimento em um trabalho tão digno como o do técnico da fibra ótica, do entregador de delivery, do médico, do enfermeiro, do chef de cozinha, do lixeiro, do balconista da farmácia e de todos estes prestadores de serviços essenciais que não podem abandonar a sociedade, ainda que trabalhem em situação de risco.     

Cultura do gratuito

É claro que existe um problema cultural enraizado no meio digital. A indústria do entretenimento – fonográfica e audiovisual – sofre do mesmo mal. Chris Anderson já relacionou a perda da dimensão física do jornal, da revista à expectativa de que o conteúdo destas publicações seja gratuito. Por muitos anos – e ainda hoje – veículos da mídia legada presentearam anunciantes com toneladas de impressões de banners em seus sites, desvalorizando profundamente o produto online. 

Do lado das audiências, o hábito de que tudo é grátis no meio digital não ajuda a construir uma cultura de assinaturas. Este hábito foi instituído também pela tradição de que a publicidade sempre pagou as contas e, mais recentemente, quando investidores do Vale do Silício viabilizaram a criação de impérios tecnológicos com escala planetária, onde o retorno vem naturalmente. 

Nós, do lado da indústria jornalística, também acreditamos que a publicidade continuaria abundante, tanto quanto nossas audiências. Só não contávamos que essa abundância publicitária se dirigiria a outras paragens…

Recém nos últimos dois anos é que a adoção de paywall vem tentando retomar a naturalidade de se pagar por conteúdo jornalístico entre a população. O retorno ainda está longe de sustentar a operação de veículos e o esforço é contínuo. Ou melhor, deve ser contínuo, para que não se veja ir por água abaixo todo um trabalho de conscientização comercial ao redor da notícia como um produto e de jornalistas, como profissionais.

O isolamento social no plano físico provocou uma super conexão informacional. Emissoras de TV e sites de notícia registraram aumento expressivo de audiência nas últimas semanas. De fato, a preferência por estes canais para receber informações sobre o Coronavírus corresponde a mais de 3/4 dos participantes da pesquisa Consumo de Informações sobre o Coronavírus no Brasil, realizada pelo Orbis Media Review entre os dias 25/03 e 02/04.

O dado não significa, porém, que a mídia informal de conteúdo amador esteja fora do radar da população. Mensagens de amigos, grupos e familiares, além de posts em redes sociais também têm servido de fonte de novidades sobre a pandemia para mais da metade dos usuários. A quantidade de atenção dada às redes sociais, no entanto, não significa que todo este conteúdo esteja sendo absorvido de forma automática.

Questionados sobre a forma como percebem mensagens de áudio e vídeo que vêm sendo amplamente compartilhadas por WhatsApp, 53% dos participantes admitiu que a maioria deste conteúdo não é confiável. O problema é quando essa desconfiança contamina os veículos de jornalismo profissional. Um grupo correspondente a 58,6% da amostra afirmou ter visto uma notícia falsa sendo dada como verdadeira em sites de notícia, TV, rádio ou mídia impressa.

Apesar disso, a qualidade da cobertura que a mídia vem fazendo sobre a pandemia foi bem avaliada. Nada menos que 80% da amostra classificou o trabalho dos veículos como adequado, ótimo ou excelente. Várias pautas foram apontadas como alvo de interesse dos usuários, que disseram querer saber mais a respeito. O grupo que admite estar consumindo menos notícias do que o usual é de 11% e tomam essa decisão porque o noticiário estaria causando mal-estar.

Para aqueles que passaram a dar mais atenção às notícias (45%) ou que seguem acompanhando o noticiário como sempre (38%), a abertura do sinal de algumas emissoras a cabo e a derrubada do paywall de sites jornalísticos são bem-vindas. Num universo em que 67% do público não é assinante de qualquer produto jornalístico e também não se mostra disposto a pagar por notícia, as empresas de mídia exercem o jornalismo como serviço à sociedade.

Os desafios de médio e longo prazo da indústria jornalística, pós-quarentena, apontam para o um esforço extra nas iniciativas para captar assinantes e, antes disso, para a retomada da confiança da população, que oscila entre o consumo de uma boa cobertura e a desconfiança de que veículos não estão imunes às fake news.