Este conteúdo faz parte da entrevista com o jornalista espanhol Lluís Cucarella, diretor do Observatorio para la Transformación del Periodismo Local e diretor editorial do site Laboratorio de Periodismo, da Fundación Luca de Tena. Acompanhe outros tópicos desta entrevista.
Orbis Media Review – Considerando São Paulo e outras metrópoles com milhões de habitantes, seus veículos locais costumam fazer cobertura nacional. Quais são os caminhos possíveis para fazer jornalismo realmente local nestes meios?
Cucarella – Este é um dos desafios mais complicados que existem, pois há veículos locais potentes em cidades de milhões de habitantes e fica mais difícil ainda se essas cidades são capitais. Há muitos fatores que jogam contra: são cidades com muita mobilidade de pessoas que vêm de outras localidades e não sentem este pertencimento a uma comunidade; assim os veículos dessas cidades se preocupam mais com o aspecto nacional dos fatos.
No local, dada a relevância pelo tamanho da metrópole, ela termina sendo coberta como uma parte do âmbito nacional. É aí que se apaga onde começa o local e onde termina o nacional. Em Madri, por exemplo, a agenda do prefeito assume status de informação nacional. Aquilo que, noutras cidades, é território jornalístico de veículos regionais, nas capitais se torna pauta de veículos generalistas, que deixam menos espaço às publicações locais.
Caso os veículos queiram ter presença local – porque esta é uma das formas de aumentar índices de assinaturas, por exemplo -, é preciso que dediquem espaço às comunidades com problemas ou simplesmente às necessidades comuns daquela população. Há jornais em capitais com milhões de habitantes que dão espaço a informações necessárias a quem chega, sobre onde ir, sobre preços de moradia, sobre trâmites legais, que têm verticais potentes sobre lazer local, guias, etc. Ou seja, aquilo que toca diretamente aos cidadãos.
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