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Ana Brambilla

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Jornalista, Doutora em Comunicação Social. Editora Orbis Media Review. Professora e Pesquisadora do Master Negócios de Mídia.

Desde o lançamento da edição de 2022 do tradicional estudo Digital News Report, do Reuters Institute, no último dia 15 de junho, alguns setores da mídia brasileira têm comemorado o fato de o país registrar um índice de confiança nas notícias superior à média global. O percentual (48%) realmente é maior do que os 42% que representam a combinação dos 46 países investigados e isso deve ser destacado. Porém, é preciso olhar o contexto: o dado representa uma queda de confiança do brasileiro nas notícias.

A credibilidade medida no ano passado foi de 54% e isso representou um leve – e único – aumento de três pontos percentuais, impulsionado pela cobertura do início da pandemia, quando a população recorreu massivamente aos veículos profissionais em busca por informação confiável. Este fenômeno, aliás, foi percebido em veículos do mundo todo através do aumento pontual de tráfego nos sites e de audiência em canais de TV. Poucos meses depois, os números voltaram aos seus patamares anteriores, outros entraram em queda: era o fenômeno de news avoidance que se apresentava.

A história recente do índice de credibilidade no noticiário, aqui no Brasil, infelizmente, não é dos melhores. O Reuters Institute mensura esta confiança desde 2015, quando o jornalismo brasileiro representava um porto seguro de informações para  62% da população. No consolidado dos últimos sete anos, portanto, menos gente acredita no trabalho da imprensa e isso corresponde a uma queda de nada menos que 14 pontos percentuais [gráfico acima, reprodução do DNR22].

Neste ano, o Brasil não está sozinho, é claro, na perda de confiança pelo público. Nosso índice está acima da média global porque cerca da metade dos países pesquisados também registrou queda de credibilidade. Ou seja, a média global, em si, caiu; portanto, ficou mais fácil ficar acima dela. A imprensa dos Estados Unidos nunca teve um grau tão baixo de confiança desde 2015 e hoje ocupa o último lugar no ranking mundial, ao lado da Eslováquia, com 26%.

O Brasil está em nono lugar, atrás do Quênia, da Nigéria, da África do Sul, por exemplo [gráfico ao lado]. Isso abre margem para repensarmos o quanto veículos como o New York Times realmente devem ser considerados como exemplos a serem seguidos na formulação de estratégias editoriais e de modelos de negócio. Cabe lembrar, também, que o NYT antecipou o alcance da meta de 10 milhões de assinantes, projetada para 2025, ao comprar o veículo The Athletic e a plataforma de jogos Wordle e, com eles, suas respectivas carteiras de clientes.

Brasileiro é o povo que mais evita notícias

De volta ao Brasil, o Reuters Institute traz outro dado ainda mais preocupante no Digital News Report deste ano: somos o país que mais evita, deliberadamente, o consumo de notícias.

news avoidance é um comportamento que o estudo mapeia desde 2017 e identifica pessoas que decidem ignorar jornalismo. Naquela ocasião, apenas 17% dos brasileiros confessavam evitar ler, assistir ou ouvir conteúdo noticioso. Em 2019, este número já havia subido para 34% e também era superior à média global, então de 32%. Já neste ano, a quantidade de pessoas que evita ativamente o noticiário disparou para 54% – o maior índice global.

A diferença do dado de news avoidance entre o Brasil e o segundo lugar – Reino Unido – é de oito pontos percentuais, uma das maiores de todo o ranking. A situação fica ainda mais grave se compararmos nossos 54% com a média global, que é de 38% neste ano [gráfico a seguir].

brasil jornalismo audiências news avoidanceJá são cinco anos que os números nos alertam para a diminuição intencional no consumo de jornalismo. Segundo o relatório, há mais brasileiros desinteressados em notícias do que dispostos a acompanhar o trabalho dos veículos. Em paralelo, os modelos de geração de receita nunca apontaram com tanta força para o reader revenue (assinatura, membership, micropagamento, doação). Qual estratégia teremos que adotar para reconquistar a atenção das audiências a ponto de torná-las dispostas a pagar pelo nosso trabalho?

Uma coisa é certa: continuar cegamente o que temos feito até hoje, efetivamente, não resolverá o problema – ao contrário, o número de news avoiders brasileiros continuará subindo.

O que afasta a população das notícias

O próprio relatório do Reuters Institute dá algumas pistas sobre o que afasta o público do jornalismo. Num olhar geral sobre a amostra, quase a metade daqueles que dizem fugir das notícias alega que está esgotada da cobertura política e sobre o Covid-19. É importante lembrar, no entanto, que os relatórios de 2017 e de 2019, quando 17% e 34% dos brasileiros já confessavam estar fartos de jornalismo, não havia pandemia. Isso nos obriga a olhar para o noticiário político, cuja proporção é esmagadoramente maior na agenda de boa parte dos veículos, em relação a qualquer outro tema.

Outra razão apontada pelo público é o impacto emocional negativo que as notícias causam (36%). Já discutimos este fenômeno no Orbis Media Review e ele sempre vem associado ao crescimento do jornalismo de soluções: um modelo de reportagem em que o veículo não se limita à denúncia do que está errado, mas busca, efetivamente, mostrar como o problema pode ser resolvido.

Outros 29% admitem que estão saturados de notícia. A resposta para este problema é foco recorrente dos programas do Master Negócios de Mídia, quando estudamos casos de veículos que diminuíram a quantidade de publicações e, com isso, aumentaram resultados de audiência, de satisfação e de conversão (os mais exemplares são The Guardian, Le Monde e The Information).

Para um grupo de usuários mais jovens (até 35 anos), as notícias são difíceis de entender. O Brasil ocupa o segundo lugar, no mesmo relatório, entre os países onde a geração Z tem dificuldades para interpretar o que dizemos. Eles representam 15% dos news avoiders e estamos apenas atrás da Austrália, onde 16% dos jovens acham os produtos jornalísticos complicados.

É hora de agir

Diante destes fatos, é inevitável recuperar algumas premissas compartilhadas ao longo das últimas décadas por redações do Brasil e do mundo, na intenção de fazermos um exercício honesto de autocrítica, para identificarmos caminhos que nos levem a reverter este cenário:

  1. O jornalista é um mediador social, que traduz a informação colhida nas fontes para grupos de múltiplos níveis culturais. Precisamos falar e escrever de modo correto e acessível, sem o uso de jargões ou de vocabulário próprio do universo de nossas fontes. Como anda nossa linguagem? 
  2. Existimos para explicar como as coisas funcionam, para mostrar à população como ela será impactada pelas decisões tomadas nas instâncias de poder. Quem realmente se interessa pelo que publicamos?
  3. Se assumimos um compromisso com a isonomia, maior ainda deve ser a relação de transparência que mantemos com nossas audiências. É isso que elas esperam de nós. Conseguimos deter nossas convicções pessoais, sobretudo ideológicas, no exercício do jornalismo?
  4. Queremos ser relevantes, impactar o dia das pessoas, tornar a vida delas melhor. Como esperamos que elas se sintam ao consumirem um conteúdo que produzimos?

As perguntas e provocações não param por aqui. O mais importante, no entanto, é estarmos cientes da necessidade da mudança. Para alguns, a transformação do jornalismo pode começar no âmbito individual. Como sugestão, deixamos o Teste de Humildade Intelectual para Jornalistas, adaptado pelo Orbis Media Review a partir da revista científica Journal of Personality Assessment.

Só conseguiremos fazer um jornalismo melhor com jornalistas melhores. E para sermos jornalistas melhores, é preciso que busquemos ser pessoas melhores.

 

(Este texto é a parte III do artigo Jornalismo para além do conteúdo.)

Há outros – vários – papéis desempenhados pelo jornalismo. Cada um deles, entendo, se justifica mediante uma necessidade real e todos, invariavelmente, se transformam em mais e mais informação. Sim, aquela informação que habita o mesmo lamaçal das fake news e, no melhor dos mundos, disputa a atenção do usuário com produtos de entretenimento e com a pirataria. Tudo no mesmo ambiente, tudo ao alcance de um clique. Quem saberá distinguir o jornalismo de qualidade? Quem poderá percebê-lo tão valioso a suas vidas, a ponto de pagar por ele?

Isso me diz que já não basta ter qualidade. É preciso encontrar uma forma de as pessoas voltarem a depender do jornalismo para alguma coisa além de “se informar e entender a realidade”. É difícil fazer isso sem acompanhar o noticiário. E digamos que, mesmo acompanhando, a sensação de que produtos jornalísticos saciam uma necessidade do meu dia é cada vez mais rara. Talvez as minhas necessidades sejam outras? Talvez outras fontes mais próximas estejam me mantendo informada e a par da realidade? Talvez mais pessoas estejam agindo assim?

Não se pode dizer, entretanto, que não haja outras “dores” a serem sanadas entre a população. Várias delas, aposto, poderiam ser atendidas por meio do trabalho de jornalistas e de veículos de comunicação. Não sabemos apenas produzir conteúdo.

  • Sabemos escutar, fazer perguntas, moderar o debate; podemos (ajudar o público a) dialogar.
  • Sabemos investigar, reagir com rapidez na busca por contatos e informações; podemos resolver problemas. (Tks, Victor Vieira!)
  • Temos o domínio da fala, da língua, da escrita, da comunicação; podemos ensinar.
  • Nutrimos relações ecléticas; podemos facilitar o convívio.
  • Carregamos um repertório cultural rico; podemos compartilhar e enriquecer outras pessoas.
  • Buscamos especialistas para que digam como agir em determinada situação; sabemos aconselhar.
  • Temos acesso privilegiado a diferentes instâncias de poder; podemos construir pontes, promover encontros, suscitar projetos.
  • Temos projeção midiática e, embora não sejamos mais os únicos, podemos emprestá-la a quem precisa, com legitimidade e boa intenção. 

O que mais temos, sabemos e podemos fazer pela sociedade? Que outras habilidades carregamos no âmago da nossa profissão?

No fim das contas, ficam três perguntas:

  1. Qual dor real do usuário temos para tratar? (Quais problemas a sociedade enfrenta hoje?)
  2. Assim como a Fujifilms, quais habilidades subjacentes temos em nossa atividade?
  3. No que podemos aplicar tais habilidades, para além da produção de conteúdo (ou de filmes fotográficos)?

INÍCIO
PARTE I: Mercado saturado e mercado decadente: a natureza infinitamente reprodutível da informação
PARTE II: Por que o jornalismo surgiu?


(Este texto é a parte II do artigo Jornalismo para além do conteúdo.)

Por muitos anos o mercado necessitava de filmes mais baratos e lá estava a Fuji, fazendo frente à Kodak. Ela surgiu para cumprir um papel e sanar uma demanda real – ou aquilo que o marketing costuma chamar de “a dor do usuário”. Aí reside o porquê de uma empresa existir e de um produto ser lançado. Você já sabe onde quero chegar: por que o jornalismo surgiu? Qual foi a “dor” que ele veio sanar?

Lancei esta pergunta no Linkedin e provoquei alguns colegas na busca por respostas. Minha expectativa era a de que, se soubermos qual foi a necessidade que levou ao surgimento do jornalismo, talvez pudéssemos identificar habilidades subjacentes em nossa atividade que tomem forma noutros produtos para além de conteúdo.

Três respostas se destacaram por situarem nas pessoas – e não nos veículos – a razão de o jornalismo existir. João Gabriel Lima, que foi editor executivo de vários veículos brasileiros de grande porte e, hoje, é acadêmico da Comunicação, recorreu a Jürgen Habermas e explicou que o jornalismo surgiu “porque as cidades-estado europeias precisavam de informações econômicas no renascimento comercial”. O primeiro tipo de jornalismo, portanto, foi o econômico, para suprir uma demanda bem específica: a “dor” de fazer negócios e não ter informações que orientariam os comerciantes da Idade Média.

Jornal da época da Revolução Americana estampava na capa a frase “join or die” (junte-se ou morra). A indicação da imagem é do jornalista João Payne e evidencia o posicionamento dos jornais da modernidade.

João Arantes Payne, jornalista e mestre em Ciências Políticas, respondeu que o jornalismo surgiu para atender a “necessidade que determinadas pessoas tinham de se posicionarem politicamente e abraçarem causas que julgavam importantes”. O Brasil mesmo teve jornais republicanos e antimonárquicos, que caçoavam do Imperador, lembra João.

Nos Estados Unidos do século XIX, as publicações serviam, explicitamente, como armas ideológicas para a disseminação de ideais políticos durante a guerra contra a Inglaterra. Este uso da imprensa como ringue de intelectuais atuantes no debate público também foi apontado por João Gabriel, ao recordar o jornalismo da era moderna. 

Objetividade jornalística, uma invenção publicitária(?)

O posicionamento explícito dos primeiros veículos jornalísticos cedeu lugar à pretensa objetividade da notícia quando a publicidade começou a financiar a atividade. Para ser efetivo, o anúncio deveria chegar à maior quantidade possível de leitores e não apenas àqueles que se identificavam com a ideologia ou com o segmento de assuntos do jornal. O veículo generalista, portanto, assim como a isonomia do discurso ganham terreno após a Guerra da Secessão americana, quando uma economia danificada precisava estimular o consumo. 

Pois bem, temos duas necessidades concretas que ocasionaram o surgimento do jornalismo: a dos comerciantes europeus da Idade Média e a dos intelectuais políticos em tempos de revolução. Ariel Giusti, especialista em mídia e tecnologia na educação, simplificou a questão ao sinalizar que o jornalismo foi criado “pela necessidade das pessoas de estar informadas e entender a realidade”.

De certa forma, a causa apontada por Giusti engloba as duas anteriores e vai além, possivelmente, contemplando a razão pela qual o jornalismo existe nos dias atuais. Poderíamos problematizar a resposta e perguntar: por que as pessoas têm a necessidade de estar informadas e entender a realidade, mas a discussão tomaria um rumo sociológico denso e não é a pretensão deste artigo. Tomemos esta necessidade, então, apenas como uma verdade instituída. Precisamos nos informar, precisamos entender a realidade. E é compreensível que as sociedades modernas e medievais dependessem de jornais para tanto. Minha inquietação é: em qual medida ainda dependemos de produtos jornalísticos para nos informar e para entender a realidade?

Penso em qualquer pessoa, não apenas nos comerciantes e nos intelectuais. Estes foram os early adopters do jornalismo e continuam servidos por veículos segmentados e por espaços de análise dos veículos. Assim como as sociedades, porém, o jornalismo também evoluiu e passou a desempenhar outros papéis de relevância inquestionável a seu momento.

Jornalismo amigo

Os anos 80 assistiram a apoteose do jornalismo de serviço, especialmente protagonizado pelas revistas. A jornalista e pesquisadora espanhola María Pilar Diezhandino registra que, naquela época, a indústria jornalística lutava para reconquistar sua credibilidade em um cenário de crise econômica generalizada. O caminho encontrado foi aproximar o veículo de seus leitores, oferecendo um jornalismo amigo, parceiro, capaz de ensinar o público a lidar com situações reais da vida.

O conteúdo lifestyle e voltado a grupos de interesse procura antecipar e dissecar temas que, invariavelmente, bateriam à porta das audiências. Programas de variedade, revistas de meninas adolescentes a aficcionados por carros serviram de bálsamo para um retorno gradual à liberdade de imprensa pós-regime militar no Brasil e respeitaram o espaço das investigações ancoradas por veículos hard news.

Jornalismo curador

Embora o termo tenha ganhado evidência na última década, a curadoria está na raiz da atividade jornalística. Emílio Moreno, jornalista e editor do projeto Firma Preta, se apega ao conceito de gatekeeper como uma figura imprescindível à sociedade. “Alguém precisa separar, filtrar e organizar aquilo que define o que será informado para as pessoas”, aponta como razão para o surgimento do jornalismo. “E olha que lá atrás a gente nem tinha tanta informação assim”, completa.

Jornalismo porto seguro

Em uma função complementar à curadoria, o jornalismo surgiu para “servir de porto seguro em relação à confiança das informações”, pontua Geraldo Nascimento, jornalista e chefe de redação da Rede Gazeta (ES). A segurança inspirada por um veículo jornalístico foi um dos principais ativos, uma daquelas habilidades subjacentes que nos autorizavam a produzir conteúdo. Lamentavelmente, como se sabe, a credibilidade se tornou um dos pontos mais frágeis de nossa atividade.

O Digital Media Reports deste ano, publicado pelo Reuters Institute, identificou que a confiança nas notícias caiu na metade dos 46 países pesquisados e subiu apenas em sete. A média global é de que 42% das audiências dizem confiar em produtos jornalísticos na maior parte do tempo. No Brasil, este índice é de 48%, mas ainda corresponde a menos da metade dos participantes. É preciso reconhecer que não somos mais percebidos como um porto tão seguro assim.

CREDIBILIDADE DO JORNALISMO NO BRASIL, SEGUNDO O DIGITAL NEWS REPORT, DA REUTERS, (2021 x 2022):

2021

2022

Depois de a pandemia ter levado o público de volta ao consumo de jornalismo profissional em 2021, justamente em busca de informação crível, a credibilidade da imprensa voltou a cair no Brasil.

Jornalismo cão de guarda

A reportagem investigativa e o noticiário de denúncia elevaram a relevância dos veículos a um patamar superior àqueles que justificaram a criação do jornalismo. Autoproclamada como o quarto poder de um regime democrático, a imprensa derrubou políticos e expôs ilegalidades de toda ordem – do sistema de saúde a instituições educativas e religiosas, de máfias urbanas a redes de prostituição -, frustrando os planos dos detratores da lei e da dignidade humana. Reportagens históricas como o escândalo do Watergate ou a força-tarefa Spotlight são expoentes de uma frente de esforços tão invisíveis quanto o rosto de Giovani Grizotti, e tão marcantes quanto a morte de Tim Lopes. Mas são eventuais. Claro, tomam tempo, exigem uma dedicação fora do comum. O maior problema do jornalismo cão de guarda, porém, acontece em duas ocasiões: 1) quando o jornalista confunde seu papel com o de justiceiro social, militante e atuante em causas não consensuais; 2) quando a queda de um político denunciado pelo veículo se torna o auge da carreira do repórter, que o celebra como uma legítima conquista profissional. Enquanto o objetivo, o êxito de qualquer atividade estiver concentrado na ruína de terceiros imbuídos de autoridade e poder, a vaidade se traveste de “missão social” nada de bom se constrói.

INÍCIO
PARTE I: Mercado saturado e mercado decadente: a natureza infinitamente reprodutível da informação
PARTE III: O que sabemos fazer?

(Este texto é a parte I do artigo Jornalismo para além do conteúdo.)

A forma como grandes indústrias lidaram com a disrupção digital na história recente condicionou a continuidade ou o encerramento de suas atividades. Uma referência é o conhecido caso da Kodak – que decidiu não apostar na câmera digital desenvolvida em 1975 pelo seu próprio engenheiro, Steven Sasson. A alegação da empresa era de que as fotos digitais canibalizariam o processo de revelação, onde a Kodak realmente fazia dinheiro.

No começo dos anos 2000, ouvi esta mesma palavra – canibalização – ecoar pelos corredores de uma das maiores empresas jornalísticas da América Latina, como uma ameaça iminente: os sites não poderiam “concorrer” com a versão analógica dos veículos. Preferia-se não publicar parte do conteúdo no site do próprio veículo, como forma de induzir o consumo offline. Inevitavelmente, aquele conteúdo dito “premium” aparecia escaneado e disponibilizado gratuitamente em blogs e sites de compartilhamento pirata.

“Imprime e manda pelos correios” – eis a solução [irônica] para devolver uma informação.
A natureza da informação, como bem de consumo, é incompatível com a economia da escassez, regulada pelo princípio da oferta e demanda. Diferentemente das mídias palpáveis (CD, LP e, sobretudo, o papel), a informação é reprodutível ao infinito, sem prejuízo ao formato. Não há informação que possa ser “descompartilhada”; uma vez que ela chegou a você, ela é sua eternamente.

A qualidade mantida pelos formatos digitais permitiu que o som de um arquivo MP3 copiado gratuitamente fosse exatamente igual ao do álbum original e não cheio de ruídos como as fita K7 gravadas a partir de LPs. As páginas fotocopiadas de livros originais sempre traziam manchas ou a curva do exemplar dificultava a reprodução pela máquina. Era difícil de ler! Já a cópia de um PDF mostrará a mesma perfeição que o arquivo original. 

Por vários anos depois da consolidação da Internet como canal de distribuição e de circulação de conteúdo, empresas jornalísticas ainda tentam vender informação em um ambiente saturado por ela. É como se a Kodak insistisse em faturar com a revelação de fotos do Instagram. Simplesmente não faz sentido! O entorno é outro e, uma vez publicada na rede, a foto cumpriu o seu papel de conectar indivíduos. Afinal, este era o propósito das intermináveis sessões dos álbuns de viagem na casa dos parentes.

Como ser Kodak em meio ao Instagram? Como fazer jornalismo na Internet? Ambas perguntas apontam para a mesma necessidade: recuperar a relevância na vida das pessoas.

Em busca da sobrevivência

Nos primeiros meses da pandemia, a Kodak anunciou que entraria na indústria farmacêutica, com a produção de substâncias ativas para a fabricação de medicamentos genéricos que ajudariam no combate ao coronavírus. Mesmo que a companhia consiga driblar as exigências do governo norte-americano para a concessão de um empréstimo de US$ 765 milhões para viabilizar o projeto (o que se estende por quase dois anos), a falência da Kodak já levou a empresa a vender patentes de seus produtos a big techs, encerrando um mercado e um modelo de negócios rentável durante décadas.

Enquanto a Kodak amargava o fracasso de suas operações, a Fujifilm – concorrente japonesa na produção de filmes e câmeras fotográficos – tratava de redirecionar seu know-how químico e tecnológico para outras indústrias. De câmeras, passou a fabricar componentes para telas de TV e para manutenção de aeronaves, turbinas a gás e maquinário de alta precisão. De filmes e substâncias para revelação, hoje atende produtores de plástico e de borracha, além de ter uma unidade de importação de vinhos.

Relevância é isto: servir quem necessita da gente, a partir do que temos de melhor. A Fuji entendeu cedo que precisava olhar para dentro e identificar o que tinha de melhor para oferecer ao mercado. E não eram filmes fotográficos. Era aquilo que os habilitava a fazer filmes fotográficos. Esta é a essência de qualquer empresa: o que há de subjacente em seu produto atual e possibilita que ela sirva aquilo que o mercado necessita. [Esta reflexão sobre indústrias inovadoras foi trazida pelo Prof. Ricardo Engelbert, em sessão do programa Estratégias Digitais para Empresas de Mídia de 2022, do Master Negócios de Mídia.]

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PARTE II: Por que o jornalismo surgiu?
PARTE III: O que sabemos fazer?

Ao final deste artigo, você irá encontrar três perguntas:

  1. Qual dor real do usuário temos para tratar? (Que problemas existem hoje?)
  2. Assim como a Fujifilms, quais habilidades subjacentes temos no jornalismo?
  3. No que podemos aplicar tais habilidades, para além da produção de conteúdo (ou de filmes fotográficos)?

Para ajudar a responder, acompanhe o raciocínio que levou a elas:

PARTE I: Mercado saturado e mercado decadente: a natureza infinitamente reprodutível da informação
PARTE II: Por que o jornalismo surgiu?
PARTE III: O que sabemos fazer?

Isto é do ser humano: como é difícil falar da própria humildade!

O mero fato de considerar-nos uma pessoa humilde parece se auto invalidar. Mas na era em que tudo é mensurável, vamos tentar medir nossa Humildade Intelectual.

Preparamos este teste com base em um artigo científico publicado pela Journal of Personality Assessment e adaptamos a situações tipicamente vividas na rotina de um jornalista.

Baixe o teste gratuitamente. Sugerimos que você o imprima ou tome nota de suas respostas e pontuações numa folha de papel.  Você precisará somá-las. O documento traz todas as instruções.

Ao invés de uma sentença, este teste pretende ser uma ferramenta de autoconhecimento que pode ajudar-nos a melhorar não apenas como jornalistas, mas como seres humanos.

BAIXAR TESTE (pdf)

Dos mesmos produtores de “minha falha é ser perfeccionista” e da expressão “com todo o respeito” que antecede falas conscientemente desrespeitosas, cresce a recorrência dos adeptos ao “posso estar enganado, mas…“.

Esta semi(pseudo?)-humildade geralmente funciona no nosso discurso cotidiano como um salvo conduto, uma permissão para dizermos qualquer coisa como certa e verdadeira, ainda que não seja.

Lembrei disso ontem de manhã, ao conversar com o Pedro Franco, pesquisador brasileiro na New York University (NYU), sobre Humildade Intelectual (HI). Numa breve busca sobre o tema, encontrei este artigo publicado em 2020 no Journal of Personality, dizendo, em síntese, que:

A Humildade Intelectual (HI) se refere a reconhecermos o quanto nossas crenças pessoais ou percepções podem estar erradas. Quanto mais baixa a HI, maior a tendência em presumir que pessoas que pensam diferente de nós são intelectual e moralmente inferiores. – thanks ao site O Futuro das Coisas

Originalmente, a pesquisa relata a percepção que temos de nossos oponentes políticos e do quanto a falta dessa Humildade Intelectual está na raiz do que hoje chamamos “polarização do debate”. O autor, Mattheu L. Stanley, PhD em Psicologia e Neurociência na Duke University, notou que as pessoas que concordam com a frase “Eu aceito que minhas crenças e atitudes possam estar erradas” são menos propensas a rotular negativamente seus oponentes.

A arrogância do cancelamento

Isso tem a ver com uma notícia que li também ontem pela manhã, referente às demissões na redação da Revista Crusoé, ocorridas ontem. Abertamente identificada com a “causa” Lava Jato e tradicionalmente apoiadora de Sérgio Moro no cenário político, o site O Antagonista, pai da Crusoé, nunca ocultou o posicionamento nem a identidade editorial do grupo. Na notícia que li, o ex-deputado Jean Wyllys, do PSOL, se referiu aos (ex)integrantes da revista e a seus simpatizantes como “uma classe dominante burra.

Para além da singeleza do adjetivo usado por Jean Wyllys para se referir a um grupo político oponente – o que pode ser pior que “burro”? bobo? feio? – o ex-parlamentar serviu como perfeito exemplar da espécie dos desprovidos de Humildade Intelectual ao anular sumariamente qualquer possibilidade de diálogo com aqueles que discordam de suas crenças. Sim, isso é o chamado “cancelamento”. E pode acontecer em qualquer direção, sob qualquer ideologia.

Existe humildade intelectual no jornalismo?

Deixando o debate político para entrar no universo jornalístico, me perguntei como o jornalista se relaciona com a Humildade Intelectual, uma vez que a informação publicada em veículos se propõe verdadeira e correta? Será que o jornalismo ocupa um patamar que está acima da Humildade Intelectual e é assim que deve ser?

Não faria sentido o editor ponderar possíveis falhas ou pedir “desculpa por qualquer coisa!” no fim de cada matéria. Até porque esta seria aquela semi-pseudo-humildade de que falamos antes. O processo jornalístico, assim como o método dialético, deveria ser a garantia de que toda informação publicada seja verdadeira. Mas também como a dialética, onde toda tese está sujeita a uma antítese que levará à síntese, o trabalho do jornalista é uma construção intelectual, um recorte da realidade (framing) segundo esse próprio jornalista.

IMPORTANTE: É importante destacar que esta reflexão não se propõe filosófica, ou seja, questionar a existência de uma só verdade tampouco sobre o que é esta verdade. Tomemos aqui verdade como compromisso jornalístico, com o fato real e não com a ficção.

O ideal de espelhar a realidade em nossos relatos fez com que nossa profissão acreditasse, por muitas gerações, que estaria dispensada da humildade intelectual. Inclusive se consolidou o contrário: jornalista precisa ter certeza daquilo que diz, sem margens a subjetividades e enviesamentos, sob pena de enfraquecer a matéria.

Notícia nunca foi lugar de discussão, mas de afirmação. Não existe notícia beta e toda correção a ser feita dói na alma do profissional, marca a fogo como o gado, brutalmente, destruindo a credibilidade longamente conquistada.

O ideal se transforma em premissa

Toda essa necessidade premente que o jornalista carrega de trazer certezas no que diz se transformou, aos poucos, de ideal em premissa. No ideal, olho para a frente, para aquilo que almejo, aonde quero chegar. Na premissa, ao contrário, eu parto de uma certeza: a de que tudo o que eu diga será a verdade, sem lugar para questionamentos ou para enquadramentos diferentes – sem espaço para a humildade intelectual.

E isso ficou explícito no comentário que um colega deixou – espontânea e anonimamente – em uma pesquisa sobre diálogo com as audiências, que temos feito aqui no Orbis Media Review (em breve será publicada):

Pouco converso com o público. Usualmente, só para corrigir alguma informação inverídica publicada por algum leitor em resposta ao que publico em meu perfil pessoal, ou para dar algum tipo de esclarecimento em caso de má compreensão na leitura das reportagens. Sempre com o fim de evitar que distorções se espalhem. No mais, evito ao máximo discussões em redes sociais e nunca opino a respeito de nada. Minha apuração está no texto da reportagem. Ela é mais importante do que qualquer opinião pessoal.

Confesso que fiquei impressionada com a assertividade do comentário do (ou da) colega!

Perceba, no texto, que tudo o que vem do público já vem manchado pelo “erro”:

… corrigir alguma informação inverídica publicada por algum leitor…

… esclarecer em caso de má compreensão na leitura das reportagens…

Ele (ou ela) só vai dialogar com o leitor para corrigi-lo. Este é seu dever porque o que ele (ou ela) diz é o correto. Perceba que ele (ou ela) sequer cogita a possibilidade de ser corrigido pelo leitor. Ou ainda, se isso acontece, não é uma interação que mereça a sua resposta.

Sua apuração que está na reportagem é soberana, única e inquestionável. – Uma vez que isso é dito de forma ampla e não se referindo a uma reportagem específica, fica nítida a baixa humildade intelectual, a indisponibilidade para dialogar com o diferente, a certeza de que a verdade está em si e que esta é uma premissa, não um ideal.

Por que isso é tão grave?

A gravidade de uma baixa humildade intelectual não leva apenas ao cancelamento do oponente, mas fere valores que a própria comunidade jornalística defende com veemência: a começar pela democracia e pela pluralidade de ideias, pela riqueza do debate.

Mais grave ainda é a falta do reconhecimento de que, sim, podemos estar redondamente enganados, de que somos falíveis e de que algo não se consolida como verdade porque saiu no jornal ou na TV. Até porque nossa própria apuração pode estar enviesada, mesmo sem querer, pelo simples fato de ser… nossa!

Queremos, sempre, acertar. Este é o ideal. Mas sentir que somos infalíveis é tão grave quanto errar. Pior, talvez. A humildade intelectual pode ajudar a crescermos na intenção, no compromisso, no esforço – mas nunca na premissa – de acertar.

O que eu ganho com a Humildade Intelectual?

Ganha novas ideias. Não é o caso de absorver o ponto de vista de quem confronta o seu relato. Você pode continuar discordando de seus oponentes. Mas o fato de se expor a perspectivas opostas leva a sua mente a aprimorar o seu ponto de vista, desenvolvendo um raciocínio mais refinado, que buscará sempre superar o seu opositor.

Esta tentativa de superação não pode ser confundida com a Humildade Intelectual em si, ao contrário. Ela é o movimento natural da mente em busca de uma readequação do pensamento e, se for feito a partir da anulação do ponto de vista contrário, só reforçará a arrogância do indivíduo. O aperfeiçoamento do raciocínio acontece a partir do reconhecimento – temporário ou permanente – de que o seu oponente pode estar certo. Só assim você identificará os pontos onde precisa melhorar a sua construção.

Outra pesquisa na área da Psicologia, da Universidade da Califórnia, concluiu que adultos intelectualmente humildes desenvolvem maior capacidade cognitiva, são mais criativos e aceleram processos de aprendizagem. Para chegar a este resultado, porém, tiveram que ouvir e pensar a respeito de pontos de vista radicalmente opostos aos seus.

Teste sua Humildade Intelectual

Este teste, recomendado por vários pesquisadores, foi desenvolvido por um… jornalista! Shane Snow já publicou na GQ, New Yorker, Wired e Fast Company sobre inovação e desenvolvimento humano. Já desenvolveu reportagens investigativas sobre tráfico de armas e corrupção governamental. O teste armado por ele é amplo e avalia a Humildade Intelectual do participante em âmbito geral da vida.

Nós preparamos uma adaptação para jornalistas, a partir do teste The development and validation of the Comprehensive Intellectual Humility Scale, publicado pelo Journal of Personality Assessment. Descubra o seu score de Humildade Intelectual.

BAIXAR O TESTE DE HI PARA JORNALISTAS (pdf)

 

Um grupo de alunos que participaram de um workshop sobre Audience Firstno ano passado, fizeram um exercício tão simples quanto raro na correria da redação: selecionei algumas manchetes de veículos mainstream (generalistas, não especializados) e pedi que eles respondessem 2 perguntas em relação a cada uma delas:

  • Quem vai se interessar por esta notícia?
  • Qual o efeito ela produzirá na vida dessa pessoa?

Antes que alguém pense que este é um exercício de Teoria dos Usos e Gratificações, paremos antes. É um caminho para encontrar a ancoragem (vamos falar disso noutro momento), para descobrir a motivação de uma pessoa ao decidir acessar tal conteúdo, vista da perspectiva de quem consome – e não de quem produz.

O desafio, aqui, é esquecer um pouco do futuro do pretérito e não escolher as pautas de acordo com o que o público deveria saber. – Ah, então só vou publicar aquilo que as audiências querem consumir? Ou seja, tragédia, bizarrice e celebridades? – Não. Até porque um jornalismo útil e de qualidade não pode trabalhar com esta visão polarizada sobre sua própria capacidade de produção.

De volta ao exercício – e de forma totalmente espontânea! – todo nós nos surpreendemos com o padrão de efeitos que esperamos causar na população:

  • revolta
  • indignação
  • dúvida
  • incerteza
  • desconfiança
  • desânimo
  • medo
  • preocupação
  • indiferença

Dá só uma olhada…

A menos que você esteja muito interessado em paleontologia, a seleção despretensiosa de notícias é para fazer o povo sair correndo sem olhar para trás! Brincadeiras à parte, sabemos que o cidadão médio não procura por boas notícias e nem espera que o jornalismo o deixará feliz. Isso é tarefa para a Netflix, para o Instagram…

A preocupação, aqui, vai além do estado de ânimo que nosso trabalho provoca nas pessoas. A frustração, a revolta são partes da existência e precisamos enfrentá-las, saber como lidar com elas, nem que seja nas próximas eleições. O problema é quando isso se torna dogma e não deixa espaço para a utilidade da notícia, para a aplicabilidade da informação no dia a dia das audiências.

Quem quer ver notícia para ficar revoltado o tempo todo?

Não defendo a ideia de que veículos especializados em denúncias se furtem de praticar o jornalismo que investiga, que derruba autoridades ou interfere na cotação do dólar. Aqui há uma situação delicada de erro de proporção que contamina boa parte dos veículos. Um espaço absurdo é dado à cobertura do Big Brother político, cuja maior parte dos “fatos” noticiados não exerce impacto algum no dia a dia da população. Mas toma conta do noticiário porque “é revoltante” ou “vai causar indignação”. É isso mesmo o que queremos com o nosso trabalho?

Deixo aqui o desafio das 2 perguntas, sobretudo para veículos generalistas (os hiperlocais e os segmentados estão mais próximos de um jornalismo útil e aplicável): perguntem-se, antes de cada pauta, quem irá, de fato, dedicar tempo e atenção para saber deste assunto E, principalmente, o que vocês esperam que tal informação cause na vida desta pessoa. Quem sabe, assim, recuperamos a relevância e a confiabilidade da população.

Passado o entusiasmo gerado pelo aumento de audiência em veículos jornalísticos digitais, registrado no início da pandemia, a preocupação com o tráfego volta às redações. Não é para menos: grandes players da mídia nacional viram seus índices em queda no segundo semestre do ano passado e a imprensa internacional não mostra uma condição incrivelmente melhor.

Por outro lado, o tráfego direto sobe 9 p.p. na média dos veículos analisados desde 2020 pelo Orbis Media Review. A busca orgânica mentém a entrega como fonte de audiência. Então, qual canal vem entregando menos audiência? São raros os editores que ainda não notaram a retração das redes sociais como fonte de tráfego.

Mídia nacional X internacional

Recentemente, a ferramenta Chartbeat divulgou que as plataformas de relacionamento passaram a levar mais usuários aos sites jornalísticos de Latam no último trimestre de 2021, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O share da entrega corresponderia a 20% do total das visualizações de página, no nosso pedaço de continente. Tomando o período de dois anos, porém, pelo SimilarWeb, a queda se acumula entre 2020 e 2021 (3p.p.) e entre 2021 e 2022 (1p.p.).

É verdade que a medição do biênio 2020-2022, mostrada neste relatório (download gratuito) considera apenas a navegação em desktop, onde também houve o aumento do tráfego direto. Por mais que o consumo de informação em mobile tenha aumentado cerca de 3p.p. neste mesmo período, de acordo com o Statista, o consolidado de audiência desktop e mobile para sites de notícia ainda segue tendência de queda, especialmente no mercado nacional.

As diferenças na composição do tráfego entre a imprensa brasileira e a internacional vão além. Lá fora, a busca orgânica se mostra com mais fôlego para geração de audiência quanto no Brasil – o que nos leva a pensar em:

a) nós, brasileiros, procuramos menos notícias? ou
b) o esforço com SEO pode ser melhorado nos veículos/

Outro ponto curioso é o quanto os referrals externos têm uma representatividade nos relatórios de audiência. Não é possível afirmar o porquê de tal diferença, uma vez que não se sabe quais são os sites que levam o usuário às páginas noticiosas no exterior. Podem ser desde fóruns até outros players. Talvez seja possível afirmar, pelo menos, que lá fora é mais forte a cultura de linkar para conteúdos externos – o que não deixa de ser algo bom para se aprender.

E as newsletters? O velho-novo formato salvador! É bom esquecer, se a meta do negócio ainda está pautada pelo tráfego. Nos veículos brasileiros analisados, o que já era pouco em 2020 (4%) ficou ainda mais escasso neste ano (1%).

Para pensar:

Ainda vale postar chamadas nas redes sociais?

Quanta mão-de-obra o seu veículo investe para alimentar seus perfis de redes sociais? Quanto tempo isso toma da sua equipe? Isso tem, realmente, valido a pena? O retrospecto e a tendência são de queda de resultados. E isso não tem nada a ver com a quantidade de seguidores, que sempre irá subir! Avalie e realoque sua equipe naquilo que, de fato, pode aumentar seus resultados.

Quando fazer newsletters?

Qual o tamanho do esforço que sua equipe tem empregado na produção de newsletters? Está bem que você se orgulha das suas taxas de abertura. Mas qual o retorno desse trabalho no fim do mês? A menos que você use newsletters como ferramenta de marketing ou que ela se monetize por si só, elas drenam um tempo e uma força de trabalho que podem ser mais produtivos se alocados noutra frente do veículo.