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O que diz nosso senso comum sobre o posicionamento ideológico da direita e da esquerda em relação à imprensa? Estes grupos aprovam ou reprovam o que fazemos, leem ou não leem o que publicamos, concordam ou não concordam com o que escrevemos?

Algo que ajuda a entender estas questões é uma recente pesquisa publicada pelo YouGov que perguntou aos americanos se eles confiam ou não confiam nas empresas de mídia. Os dados dizem respeito a nada menosdo que 56 veículos presentes nos EUA, dentro os quais estão alguns dos mais reconhecidos do mundo, como o New York Times, a revista Time, Forbes, The Economist e a rede BBC, para citar apenas alguns. Figurões, de fato, que desfrutam de uma longa tradição no jornalismo.

Ainda assim, quem realmente conquistou o primeiríssimo lugar da pesquisa foi o The Weather Channel – o canal do tempo americano.

No primeiro momento, esta constatação pode trazer algum desânimo. Mas há de se convir que o dado talvez não seja lá muito surpreendente considerando que o canal esteve distante de qualquer polêmica em função da própria natureza de seu conteúdo. Todos os outros veículos presentes na pesquisa tratam, de um jeito ou de outro, da rotina política – o assunto que mais tem dividido as pessoas e resultado em fadiga em relação às notícias nos últimos anos.

Em mais detalhes

Toda a polarização que observamos no cotidiano e nos embates que se passam nas redes sociais se refletem na opinião em relação às empresas de mídia. A CNN americana, por exemplo, assim como New York Times, fez um combate ferrenho a Donald Trump no período em que foi presidente dos EUA. Não à toa, no recorte da pesquisa que apresenta o grau de confiança por preferência eleitoral, estes são dois dos três veículos que mais dividiram Republicanos e Democratas, juntamente com a MSNBC. Portanto, se a CNN, a MSNBC e o New York Times possuem uma ótima pontuação de confiança entre Democratas (55, 54 e 53 pontos respectivamente), a pontuação delas entre Republicanos é extremamente negativa (-37, -37 e -30 pontos).

São pouquíssimos veículos que tem um grau de aprovação similar entre estes dois grupos. Novamente, o The Weather Channel desfruta de muita confiança entre eleitores da direita e da esquerda. Outros que não dividem muito Republicanos e Democratas são empresas de mídia menores, como o The Daily Caller (diferença de 12 pontos entre cada grupo), The Washington Examiner (11 pontos), The Federalist (10 pontos) e o Infowars (4 pontos).

Além disso, o que a pesquisa nos mostra é que mesmo entre os eleitores médios que não apresentaram uma preferência partidária, o grau de confiança nas empresas de mídia não é muito alto. Para os veículos tradicionais, o que pode explicar isso é a própria polarização e a fadiga em relação às polêmicas políticas que incomodam justamente aqueles que não são politizados (algo que foi apontado pela Reuters em relatório de 2022).

Mas política não explica tudo. No caso dos canais menores como os já citados acima, este baixo nível de confiança pode ser explicado pelo simples fato de não serem amplamente conhecidos ou não possuírem uma longa tradição jornalística (convenhamos, é difícil confiar naquilo que não conheço ou em um veículo que ainda não viveu tempo o suficiente para conquistar credibilidade).

 

Há algo de peculiar na direita

Um argumento caricato – e frequentemente utilizado – para explicar por que os Republicanos (e pessoas conservadoras em geral) não confiam nas empresas de mídia tradicionais é que elas têm sido fortemente impactadas por fake news, criando um eleitorado muitas vezes conspiracionista e avesso ao que publicamos.

Outra explicação que parece mais razoável (e também produtiva) é que a maior parte dos veículos presentes na pesquisa do YouGov tem conseguido falar a língua do eleitorado Democrata com muito mais sucesso do que a do eleitorado Republicano. Isso é algo presente no livro “Nacional populismo – a revolta contra a democracia liberal”, em que os pesquisadores Roger Eatwell e Matthew Goodwin identificam como o eleitorado conservador (presente não apenas nos EUA) foi colocado à margem da discussão pública. Portanto, ao sentirem que o seu discurso e valores não são representados ou mesmo minimamente respeitados por diversas instituições (o jornalismo sendo uma delas), eles se revoltam contra toda esta classe falante. Parte deste argumento parece fazer sentido, embora não explique tudo aquilo que a pesquisa identificou.

Talvez o ponto mais curioso de se observar é que mesmo os veículos mais identificados com a direita não conseguiram uma pontuação de confiança equiparável ao que muitos veículos obtiveram perante o eleitorado Democrata. A Fox News, frequentemente associada ao que há de mais “direitista” por aí, obteve uma média de 41 pontos de confiança com os Republicanos. Embora seja um bom número, está abaixo da média de 50 ou mais pontos que NBC, Time, BBC e Washington Post – para citar apenas alguns – obtiveram entre Democratas.

Um dos casos mais interessantes de citar é o da revista National Review, que foi fundada em 1955 por William Buckley Jr., um dos mais influentes intelectuais e comentaristas políticos da direita de seu tempo. Ainda hoje a revista se propõe a publicar “comentários conservadores sobre as principais questões políticas e culturais, domésticas e globais”. Ainda assim, a National Review desfruta de um maior grau de confiança entre Democratas do que entre os próprios Republicanos (20 pontos contra 3). A margem é expressiva demais para ser ignorada. O que pode explicar este fenômeno?

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que há diversas divergências dentro do campo conservador. Nos EUA, em especial, é fácil notar este embate entre conservadores tradicionais, cujo pensamento continua sendo expresso pela revista National Review, e a corrente da direita que surgiu nos últimos anos e teve em Trump o seu principal expoente. Há uma profunda discordância entre os dois grupos, de forma que qualquer veículo que queira representar o conservadorismo terá uma grande dificuldade de ser a voz unânime deste grupo.

Um outro fator que talvez ajude a explicar este fenômeno, é que boa parte da direita tem apresentado, nos últimos anos, um comportamento mais personalista do que institucional. Isso significa que sua confiança tem estado mais presente em indivíduos específicos do que em órgãos públicos, um partido político, entidades sociais ou veículos da imprensa. Basta lembrar que quando foi eleito em 2016, Trump se apresentou como um outsider dentro de seu próprio partido. A sua briga não era apenas por uma agenda que ele considerava benéfica para o país, mas contra todo um establishment dominado ao longo de muitos anos por uma cultura progressista em ascensão. Pouco importa aqui discutir se ele estava certo ou não – há diversos argumentos que podem ser usados para refutar ou corroborar sua visão. O que importa é que esta característica – disseminada por Trump mas não criada por ele – se tornou a expressão de boa parte da direita ocidental. Tudo isto faz com que os veículos tenham dificuldade de conversar com os conservadores.

Ao todo, a maior parte da imprensa americana ressoa uma visão liberal de mundo – que embora não esteja associado à matriz tradicional da esquerda trabalhista, ecoa muito do pensamento progressista presente em todo o ocidente e rechaçado com diferentes níveis de intensidade pelas diversas correntes da direita atual.

 

E o que dizer de nós mesmos

Agora que já olhamos bastante para o perfil e comportamento conservador, vamos falar um pouco de nós mesmos. Uma pesquisa publicada em 2021 pela Universidade Federal de Santa Catarina mostrou que o perfil dos jornalistas está fortemente atrelado ao espectro ideológico da esquerda. Nada menos do que 52,8% dos participantes se identificaram como sendo de esquerda, enquanto outros 25,9% disseram ser de centro-esquerda e 2% de extrema-esquerda. Já a centro-direita respondeu por 2,5% dos entrevistados. Apenas 1,4% e 0,1%, por sua vez, disseram ser de direita e extrema-direita respectivamente.

É interessante perceber que o número de profissionais se autodefinindo como de extrema-esquerda quase equivale ao total dos que se dizem de centro-direita. Se somados todos os espectros de uma mesma ideologia (do mais radical ao mais moderado), 80% dos jornalistas podem ser considerados de esquerda, enquanto que apenas 4% se dizem de direita. Os 16% restantes se disseram de centro ou preferiram não informar seu posicionamento.

Um último dado curioso é que 10,3% dos jornalistas entrevistados são filiados a algum partido político. Destes partidos, o PT é o mais popular com 40,1% de todos os filiados, seguido do PSOL (17,6%), PCdoB (7,8%), PSB (3,4%) e PSDB (2,9%). Esta taxa impressiona ainda mais se comparado com os dados coletados na época pelo Tribunal Superior Eleitoral, que mostravam que 7,4% de toda a população era filiada a algum partido político. Ou seja, jornalistas possuem um engajamento partidário mais alto do que a própria população que não necessita de nenhum compromisso com a isenção como nós.

 

Com quem estamos falando

Embora a equiparação das pesquisas do YouGov e da UFSC seja complicado por estarem tratando de países diferentes, o fato é que a direita, no Brasil como nos EUA, tem apresentado um comportamento similar em relação às empresas de mídia.

Mas se há um profundo ceticismo em relação à maior parte dos veículos, o que temos a ver com isso? Afinal, seguimos rigorosos critérios éticos, temos sempre a objetividade em mente e publicamos matérias que passam por diversos filtros de checagem. Se alguém não gosta disso e continua achando que a imprensa não é digna de confiança, o problema não é nosso, certo?

Bom, em parte. Por um lado, quem quer que argumente que a imprensa não tem a função de agradar a ninguém está parcialmente correto. Boa parte da nossa relevância vem do fato de que devemos apurar e publicar o conteúdo doa a quem doer. Entretanto, há muito mais no jornalismo do que isso. Não é preciso ficar chovendo no molhado: todos sabemos que uma informação passa por recortes, que os deadlines frequentemente dificultam uma apuração mais criteriosa e que os repórteres são propensos a falhas assim como qualquer outro ser humano.

A reportagem, portanto, jamais será ideal. Ela será o possível em uma dada circunstância. Mas isso não significa que não podemos nos esforçar mais para nos comunicarmos com os outros. O mundo de hoje, mais plural e complexo do que nunca, mostra que não basta estar atento à informação que será publicada. É preciso também estar atento ao linguajar que será empregado na matéria e quem irá consumi-la.

Neste sentido os dados da pesquisa da UFSC são importantes. Jornalistas terem uma preferência ideológica não é um problema e não faz de ninguém um profissional precário por si só. Ainda assim, é necessário um cuidado com vieses inconscientes, que levam muitos a acharem que seus valores são universais e bens absolutos questionados apenas por elementos radicais e extremistas da sociedade (há sempre uma justificativa legítima para as pessoas terem as ideias e valores que tem. Ser jornalista implica, frequentemente, se colocar no lugar dos outros).

Portanto, mesmo que a reportagem seja feita com a melhor das intenções e seguindo uma boa apuração, ainda assim é possível que a forma como ela foi produzida contenha vieses que, de tão inconscientes, o próprio jornalista não será capaz de notar, mas que não passarão desapercebidos por quem estiver consumindo o conteúdo.

Mais do que nunca, o jornalismo de hoje em dia não é mais apenas uma comunicação de mão única. O público precisa, cada vez mais, ser atendido – e fazer com que ele não se revolte com o conteúdo já é um grande passo para construir uma relação de confiança. Isso significa sempre publicar o que a audiência quer ouvir? Não, mas demonstrar que entendemos e respeitamos a sua visão de mundo, que somos capazes de tê-la em conta ao tratar de temas espinhosos e legitimamente debatíveis pode ser um bom caminho – em especial se quisermos nos conectar com partes da audiência que se sentem incompreendidas e que atualmente estão fora do nosso alcance.

Desde o lançamento da edição de 2022 do tradicional estudo Digital News Report, do Reuters Institute, no último dia 15 de junho, alguns setores da mídia brasileira têm comemorado o fato de o país registrar um índice de confiança nas notícias superior à média global. O percentual (48%) realmente é maior do que os 42% que representam a combinação dos 46 países investigados e isso deve ser destacado. Porém, é preciso olhar o contexto: o dado representa uma queda de confiança do brasileiro nas notícias.

A credibilidade medida no ano passado foi de 54% e isso representou um leve – e único – aumento de três pontos percentuais, impulsionado pela cobertura do início da pandemia, quando a população recorreu massivamente aos veículos profissionais em busca por informação confiável. Este fenômeno, aliás, foi percebido em veículos do mundo todo através do aumento pontual de tráfego nos sites e de audiência em canais de TV. Poucos meses depois, os números voltaram aos seus patamares anteriores, outros entraram em queda: era o fenômeno de news avoidance que se apresentava.

A história recente do índice de credibilidade no noticiário, aqui no Brasil, infelizmente, não é dos melhores. O Reuters Institute mensura esta confiança desde 2015, quando o jornalismo brasileiro representava um porto seguro de informações para  62% da população. No consolidado dos últimos sete anos, portanto, menos gente acredita no trabalho da imprensa e isso corresponde a uma queda de nada menos que 14 pontos percentuais [gráfico acima, reprodução do DNR22].

Neste ano, o Brasil não está sozinho, é claro, na perda de confiança pelo público. Nosso índice está acima da média global porque cerca da metade dos países pesquisados também registrou queda de credibilidade. Ou seja, a média global, em si, caiu; portanto, ficou mais fácil ficar acima dela. A imprensa dos Estados Unidos nunca teve um grau tão baixo de confiança desde 2015 e hoje ocupa o último lugar no ranking mundial, ao lado da Eslováquia, com 26%.

O Brasil está em nono lugar, atrás do Quênia, da Nigéria, da África do Sul, por exemplo [gráfico ao lado]. Isso abre margem para repensarmos o quanto veículos como o New York Times realmente devem ser considerados como exemplos a serem seguidos na formulação de estratégias editoriais e de modelos de negócio. Cabe lembrar, também, que o NYT antecipou o alcance da meta de 10 milhões de assinantes, projetada para 2025, ao comprar o veículo The Athletic e a plataforma de jogos Wordle e, com eles, suas respectivas carteiras de clientes.

Brasileiro é o povo que mais evita notícias

De volta ao Brasil, o Reuters Institute traz outro dado ainda mais preocupante no Digital News Report deste ano: somos o país que mais evita, deliberadamente, o consumo de notícias.

news avoidance é um comportamento que o estudo mapeia desde 2017 e identifica pessoas que decidem ignorar jornalismo. Naquela ocasião, apenas 17% dos brasileiros confessavam evitar ler, assistir ou ouvir conteúdo noticioso. Em 2019, este número já havia subido para 34% e também era superior à média global, então de 32%. Já neste ano, a quantidade de pessoas que evita ativamente o noticiário disparou para 54% – o maior índice global.

A diferença do dado de news avoidance entre o Brasil e o segundo lugar – Reino Unido – é de oito pontos percentuais, uma das maiores de todo o ranking. A situação fica ainda mais grave se compararmos nossos 54% com a média global, que é de 38% neste ano [gráfico a seguir].

brasil jornalismo audiências news avoidanceJá são cinco anos que os números nos alertam para a diminuição intencional no consumo de jornalismo. Segundo o relatório, há mais brasileiros desinteressados em notícias do que dispostos a acompanhar o trabalho dos veículos. Em paralelo, os modelos de geração de receita nunca apontaram com tanta força para o reader revenue (assinatura, membership, micropagamento, doação). Qual estratégia teremos que adotar para reconquistar a atenção das audiências a ponto de torná-las dispostas a pagar pelo nosso trabalho?

Uma coisa é certa: continuar cegamente o que temos feito até hoje, efetivamente, não resolverá o problema – ao contrário, o número de news avoiders brasileiros continuará subindo.

O que afasta a população das notícias

O próprio relatório do Reuters Institute dá algumas pistas sobre o que afasta o público do jornalismo. Num olhar geral sobre a amostra, quase a metade daqueles que dizem fugir das notícias alega que está esgotada da cobertura política e sobre o Covid-19. É importante lembrar, no entanto, que os relatórios de 2017 e de 2019, quando 17% e 34% dos brasileiros já confessavam estar fartos de jornalismo, não havia pandemia. Isso nos obriga a olhar para o noticiário político, cuja proporção é esmagadoramente maior na agenda de boa parte dos veículos, em relação a qualquer outro tema.

Outra razão apontada pelo público é o impacto emocional negativo que as notícias causam (36%). Já discutimos este fenômeno no Orbis Media Review e ele sempre vem associado ao crescimento do jornalismo de soluções: um modelo de reportagem em que o veículo não se limita à denúncia do que está errado, mas busca, efetivamente, mostrar como o problema pode ser resolvido.

Outros 29% admitem que estão saturados de notícia. A resposta para este problema é foco recorrente dos programas do Master Negócios de Mídia, quando estudamos casos de veículos que diminuíram a quantidade de publicações e, com isso, aumentaram resultados de audiência, de satisfação e de conversão (os mais exemplares são The Guardian, Le Monde e The Information).

Para um grupo de usuários mais jovens (até 35 anos), as notícias são difíceis de entender. O Brasil ocupa o segundo lugar, no mesmo relatório, entre os países onde a geração Z tem dificuldades para interpretar o que dizemos. Eles representam 15% dos news avoiders e estamos apenas atrás da Austrália, onde 16% dos jovens acham os produtos jornalísticos complicados.

É hora de agir

Diante destes fatos, é inevitável recuperar algumas premissas compartilhadas ao longo das últimas décadas por redações do Brasil e do mundo, na intenção de fazermos um exercício honesto de autocrítica, para identificarmos caminhos que nos levem a reverter este cenário:

  1. O jornalista é um mediador social, que traduz a informação colhida nas fontes para grupos de múltiplos níveis culturais. Precisamos falar e escrever de modo correto e acessível, sem o uso de jargões ou de vocabulário próprio do universo de nossas fontes. Como anda nossa linguagem? 
  2. Existimos para explicar como as coisas funcionam, para mostrar à população como ela será impactada pelas decisões tomadas nas instâncias de poder. Quem realmente se interessa pelo que publicamos?
  3. Se assumimos um compromisso com a isonomia, maior ainda deve ser a relação de transparência que mantemos com nossas audiências. É isso que elas esperam de nós. Conseguimos deter nossas convicções pessoais, sobretudo ideológicas, no exercício do jornalismo?
  4. Queremos ser relevantes, impactar o dia das pessoas, tornar a vida delas melhor. Como esperamos que elas se sintam ao consumirem um conteúdo que produzimos?

As perguntas e provocações não param por aqui. O mais importante, no entanto, é estarmos cientes da necessidade da mudança. Para alguns, a transformação do jornalismo pode começar no âmbito individual. Como sugestão, deixamos o Teste de Humildade Intelectual para Jornalistas, adaptado pelo Orbis Media Review a partir da revista científica Journal of Personality Assessment.

Só conseguiremos fazer um jornalismo melhor com jornalistas melhores. E para sermos jornalistas melhores, é preciso que busquemos ser pessoas melhores.